Em Málaga, na Espanha, a fé que chega nas periferias

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Em Málaga, na Espanha, a fé que chega nas periferias
Fonte: VATICANO

O Evangelho não deve ser anunciado apenas dos púlpitos, pode ser comunicado também durante o recreio da escola, nas conversas depois das aulas ou no acompanhamento silencioso dos jovens que precisam redescobrir o seu valor. A Irmã Lucía López Álvarez-Ossorio, Filha da Caridade, em vez de confiar em grandes palavras, escolheu o caminho da proximidade, da presença e da capacidade de estar ao lado das pessoas mesmo quando é difícil.

Irmã Jana Pavla Halčinová No sul de Espanha, na vibrante Málaga, cheia de sol, entre a agitação do porto e a vida turística, existe também um outro mundo: o mundo dos jovens marcado pela solidão, pela insegurança e por um sentimento de rejeição.

É ali, entre as lutas diárias e as periferias humanas, que a Irmã Lucía López, Filha da Caridade de São Vicente de Paulo, vive e presta o seu serviço.

Um lugar onde a vida não se aprende nos livros, toca-se A Ir.

Lucía, ou “Sorlu”, como lhe chamam os habitantes locais, ensina religião e educação física numa escola local.

Entre os alunos não há apenas crianças espanholas, mas também «alunos ciganos, marroquinos, sul-americanos, ucranianos e chineses... crianças e jovens que carregam aos ombros mochilas muito mais pesadas do que as suas pastas com os livros», afirmou a Ir.

Lucía.

Alguns vêm de famílias desfeitas.

Outros vivem com rótulos que lhes foram colados antes mesmo de falarem.

Muitos aprenderam demasiado cedo o que significa sentirem-se rejeitados.

Jovens que provocam os outros porque, no fundo, receiam que alguém acabe também por desistir deles. «E, no entanto, todas as manhãs continuo a acreditar que Deus entra na sala de aula antes de mim», declarou a Irmã Lucía a propósito do seu trabalho.

Porém, se procurassem uma Ir.

Lucía com o hábito tradicional de religiosa, a procura seria em vão.

Como ela própria explicou, «o meu hábito é muitas vezes uma roupa de treino, calçado desportivo ou uma camiseta com capuz.

Não porque queira esconder a minha identidade, mas porque desejo entrar profundamente na realidade que acompanho.

Há periferias onde primeiro é preciso aprender a estar presente antes de falar de Deus». [ Photo Embed: A Ir.

Lucía durante a aula de educação física (@Arquivo Pessoal)] A missão principal da Irmã Lucía é a proximidade.

Quer estar presente onde precisam dela, embora muitas vezes não seja nada fácil.

Estar junto de um adolescente que se rebela constantemente apenas porque precisa saber se alguém é capaz de não o abandonar.

Encorajar uma criança que acredita que nunca conseguirá alcançar nada porque ninguém alguma vez a ensinou a acreditar em si própria. «Permanecer ao lado de um jovem que afirma não acreditar em Deus, mas que cede quando descobre que alguém o trata com uma ternura inesperada.

Estar com uma jovem que se magoa a si própria porque não consegue encontrar palavras para exprimir tudo aquilo que traz dentro de si».

A Ir.

Lucía trabalha entre bolas, conflitos, desafios, risos, abraços, problemas disciplinares e perguntas impossíveis.

E precisamente ali, no meio dessas histórias, descobre «que Jesus continua vivo».

Deus não se encontra na perfeição nem nas aparências impecáveis, mas «na lama da existência humana».

Nesse contexto, a evangelização começa «quando um jovem volta a confiar num adulto.

Quando uma aluna descobre que a sua vida vale mais do que aquilo em que os outros a fizeram acreditar.

Quando alguém ouve, talvez pela primeira vez, as palavras simples, mas salva-vidas: “Tu tens valor”». "Não me considero uma heroína.

Sou uma mulher comum" Ser Filha da Caridade hoje não significa fazer coisas extraordinárias.

Significa permanecer apaixonados mesmo quando a realidade é incômoda. «Significa continuar a acreditar nas pessoas incluindo quando elas já não acreditam em si próprias». [ Photo Embed: A Ir.

Lucía com os jovens na montanha (@Arquivo Pessoal)] São Vicente de Paulo dizia que «o amor é inventivo até ao infinito».

E hoje essa criatividade significa também aprender novas linguagens: «uma mensagem de WhatsApp enviada no momento certo, uma conversa depois das aulas, uma presença tranquila nas redes sociais, uma escuta sincera quando mais ninguém está ouvindo». «Os jovens de hoje não precisam apenas de professores.

Precisam de testemunhas».

Adultos capazes de viver aquilo de que falam.

Pessoas que não se limitam a falar de esperança, justiça ou misericórdia, mas que as tornam visíveis através do olhar, do acompanhamento e do estilo de vida.

A Irmã Lucía admitiu: «há dias em que estou completamente exausta.

Dias em que parece que nada está a mudar.

E, no entanto, mesmo nesses momentos, continuo convencida de uma coisa: o Evangelho tem um poder enorme quando deixa de ser teoria e se torna vida concreta».

Talvez essa seja uma das grandes vocações da Igreja de hoje: não conquistar espaços, mas habitar as feridas humanas.

Não para procurar protagonismo, mas presença.

Não para se concentrar em parecer forte, mas para aprender a ser profundamente humano.

O mundo não precisa de cristãos perfeitos. «Precisa de pessoas que possam olhar os outros nos olhos e dizer com a sua vida: “Tu não estás sozinho.

Eu estou contigo”».

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