Em Portugal há uma “narrativa hostil” contra os migrantes - Vatican News via Acervo Católico

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Em Portugal há uma “narrativa hostil” contra os migrantes - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

A Diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações, Eugénia Quaresma, recorda o legado do Papa Francisco no âmbito do tema das migrações, especialmente, os verbos acolher, proteger, promover e integrar.

Rui Saraiva - Portugal Acolher, proteger, promover e integrar são verbos recordados como parte do legado deixado pelo Papa Francisco no âmbito do tema das migrações. Em entrevista à Agência Ecclesia, Eugénia Quaresma afirma que estes mesmos verbos passaram a ser usados em toda a pastoral da Igreja.   “Foram verbos que estão associados às migrações e que depois foram alargados a toda a pastoral da Igreja”, diz Eugénia Quaresma salientando a conjugação prática destes verbos a situações de vulnerabilidade e de fragilidade. Migrações: um tema da periferia para o centro A Diretora do Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM) afirma que com o Papa Francisco o tema das migrações foi trazido “da periferia para o centro, para a agenda. Não só a agenda da Igreja, mas para a agenda do mundo e mediática”, salienta.   A responsável católica declara que aquilo que a preocupa e espanta, atualmente na sociedade portuguesa, é a existência de uma “narrativa hostil” contra os migrantes. “Aquilo que nos espanta atualmente, nomeadamente na sociedade portuguesa, é esta narrativa hostil. Porque nós, pelo menos desde que eu estou a trabalhar na OCPM, na sociedade civil havia uma narrativa de hospitalidade, de acolhimento, que podia haver dúvidas, mas era possível conversar e agora há uma narrativa hostil para a qual importa procurar respostas”, afirma. E acrescenta: “E o tema das migrações se teve algum progresso no passado foi porque conseguiu sentar à mesma mesa todas as forças políticas e perceberem o que era melhor para o país”. Acolhimento, integração e não ceder a populismos Recordemos que em setembro de 2025 os bispos lusófonos pediram mais atenção ao acolhimento dos migrantes. O comunicado final do XVI Encontro de Bispos dos Países Lusófonos, que decorreu em Portugal, pedia respeito pela “diversidade cultural e a dignidade de cada pessoa e de cada família” migrante ou refugiada.  No comunicado final, os bispos dos países lusófonos apelaram para uma “maior atenção ao acolhimento, proteção, promoção e integração dos migrantes e refugiados por parte das comunidades na diáspora, respeitando a sua diversidade cultural e a dignidade de cada pessoa e de cada família que migra, e lutando contra a legislação que atenta a esses princípios”. Na abertura dos trabalhos, D. José Ornelas, bispo de Leiria-Fátima e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa alertou para o perigo dos populismos no âmbito do tema das migrações e do seu debate público. Sobre este assunto pediu que haja colaboração entre as igrejas lusófonas. “Este quadro de sermos irmãos em Igreja deve marcar também o nosso contributo para uma cultura que leve os nossos governantes a não cederem a populismos manipuladores, a serem verdadeiramente responsáveis no acolhimento e a saberem integrar os que chegam, na dignidade e na justiça, para fazer um mundo melhor”, disse D. José Ornelas. Na ocasião, D. José Manuel Imbamba, arcebispo de Saurimo (Angola) e presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), assinalou que as igrejas de expressão portuguesa pretendem ser pontes para acolher e partilhar. “Queremos dizer que as Igrejas de expressão portuguesa pretendem ser pontes que unem, Igrejas que acolhem e partilham as riquezas infinitas que brotam do amor divino, para que a ninguém falte o alimento necessário para viver na dignidade dos filhos de Deus, afirmou o arcebispo. O Fórum das Organizações Católicas para a Imigração e Asilo (FORCIM) promoveu a 20 de fevereiro, Dia Mundial da Justiça Social, um encontro sobre o legado do Papa Francisco e as migrações, que se realizou na paróquia da Damaia em Lisboa. Nesta iniciativa foram recordados gestos simbólicos do Papa Francisco, mas carregados de significado, como a sua visita a Lampedusa logo no início do seu pontificado. Deste encontro do FORCIM ressalta a ideia de que as migrações são um fenómeno estrutural e que a partir dessa constatação será possível avançar com reformas estruturais na sociedade portuguesa que contemplem os movimentos migratórios e a sua importância para o desenvolvimento do país. O FORCIM nasceu em 2001 e integra as seguintes organizações: Cáritas Portuguesa, CAVITP – Comissão de Apoio à Vítima de Tráfico de Pessoas, CEPAC – Centro Padre Alves Correia, CNJP – Comissão Nacional Justiça e Paz, CJPE – Comissão Justiça, Paz e Ecologia; CNCGCU – Coordenação Nacional da Capelania Greco-Católica Ucraniana de Rito Bizantino, FAIS – Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, FEC – Fundação Fé e Cooperação, JRS Portugal – Serviço Jesuíta aos Refugiados. LOC/MTC – Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos, Adoradoras – Rede Hispano Lusa de Mulheres Vítimas de Tráfico, OCPM – Obra Católica Portuguesa de Migrações. Laudetur Iesus Christus

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