Entre os crucificados do mundo: a exposição "Paixão pela Amazônia" de Pe. Ramin - Vatican News via Acervo Católico

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Entre os crucificados do mundo: a exposição "Paixão pela Amazônia" de Pe. Ramin - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Até 16 de abril, a Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma, promove uma exposição de desenhos do Pe. Ezequiel Ramin, missionário comboniano assassinado na Amazônia em julho de 1985. Os trabalhos refletem a vida dos indígenas, dos agricultores do Mato Grosso e a Paixão de Jesus. O irmão, Fabiano, afirma: “o luto transformou-se logo em colheita".

Benedetta Capelli – Vatican News Os traços incertos, feitos com carvão ou pincel, depois de tornam, gradualmente, mais decisivos e acompanham, com crescente consciência, a sua escolha de se doar aos irmãos, totalmente, ser amigo e companheiro dos índios Suruís, obrigados a viver em reservas, devido à ocupação de suas terras; mas, uma escolha também de estar ao lado dos agricultores sem-terra da Amazônia, que reivindicavam seus direitos. Os desenhos do Padre Ezequiel Ramin, pároco de Cacoal e Servo de Deus, assassinado em 24 de julho de 1985, na fazenda Katuva, no Mato Grosso, representam os sofrimentos naqueles lugares do mundo e a Paixão de Cristo. Doze painéis da exposição, intitulada "Paixão da Amazônia", em cartaz nos salões da Pontifícia Universidade de Santa Cruz, até 16 de abril, foram apresentados à imprensa nesta quinta-feira, 9 de abril. Reflexos da vida e da morte A vida e a morte de tantas pessoas crucificadas refletem-se em um diálogo implícito, no qual a esperança da Ressurreição emerge fortemente e as dificuldades da vida refletem aquelas vividas por Jesus, nas quais não faltam os sorrisos. Tudo isso reflete também o olhar do jovem missionário Comboniano, da diocese de Pádua, que faleceu aos 32 anos, crivado de balas por homens contratados pelos latifundiários, que reivindicavam a posse de inúmeras terras, em meio aos protestos dos camponeses. Protestos que o próprio "Lele", como era chamado por sua família, havia apaziguado, convencendo-os, através do diálogo, a seguir o caminho da legalidade. Seu corpo sem vida foi velado pelos índios até a chegada de seus coirmãos no dia seguinte. Bandeira de Cristo Os desenhos da exposição foram entregues à família, após o seu assassinato, como explica Antonio Ramin, que compareceu na apresentação da exposição, com seu irmão Fabiano: "Não conhecíamos seu talento artístico, mas só agora, postumamente". Sua família só compreendeu, realmente, os dons do Padre Ezequiel após a sua morte. Seu irmão Fabiano disse: “O luto transformou-se logo em colheita", enquanto Antonio afirma ter entendido tudo isso no dia do seu enterro: "Ele se dedicou à Igreja, mas não foi apenas uma bandeira dos oprimidos ou emblema da redenção, mas também uma testemunha de Cristo, que liberta". Ambos concordam com uma característica do seu irmão: sua escolha de viver ao lado dos mais fracos, como verdadeiro cristão, buscando salvar vidas”. E Antônio acrescenta: "Uma alma sacerdotal, irmão de todos, de todos os povos, dos que sofrem injustiça, dos oprimidos... sempre!". "Apesar de mortos, vivemos" Antonio e Fabiano preferem, de modo particular, um dos desenhos do seu irmão: o que representa duas pessoas que carregam um sudário. Este, para Antonio, representa o emblema da solidariedade: "Quando se vive naqueles lugares, o dinheiro não vale nada; há apenas uma riqueza: a solidariedade humana". O Padre Lele desenhou aquela cena para a Semana Santa de 1985, - diz Fabiano - a pedido da Irmã Lourdes, religiosa Comboniana, que lhe pediu para fazer um desenho para pendurar ao lado de Cristo crucificado. Assim que a freira viu a obra, pareceu decepcionada, porque não o havia entendido. Então o Padre Ramin decidiu acrescentar ao desenho uma frase: "Apesar de moribundos, vivemos", extraída da II Carta aos Coríntios, 6, 9. A este respeito, Fabiano recorda: “Durante seu enterro, as religiosas colocaram este desenho no altar, lembrando que ‘apesar de mortos, vivemos’". Em sua primeira homilia em Cacoal, o Padre Ezequiel Ramin disse: "Pretendo caminhar com vocês, lutar ao lado de vocês. Sei bem que esta escolha pode me custar a vida, mas aceito as consequências, mesmo que sejam prisão, tortura ou até o próprio derramamento de sangue". Seu sangue foi conservado por 40 anos no Brasil, onde o testemunho deste jovem missionário permanece vivo e se torna, a cada dia, fonte de esperança para um mundo diferente e, certamente, mais justo.

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