As Filhas da Caridade de Bratislava encontram diariamente pessoas desabrigadas, doentes e jovens em busca de um sentido na vida. Através do ministério, demonstram que a evangelização hoje significa, muitas vezes, oferecer uma presença simples, constante e compassiva àqueles que dela necessitam.
Ir.
Jana Pavla Halčinová O carisma de São Vicente de Paulo continua extraordinariamente relevante nos dias de hoje.
Dez Irmãs das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, que desempenham o seu ministério na capital eslovaca, entram diariamente na vida de pessoas que lutam contra a pobreza, a doença, a solidão ou a perda de sentido na vida.
As Irmãs realçam que a sua vocação não é simplesmente uma forma de serviço, mas uma maneira concreta de viver o Evangelho: «Em verdade vos digo, sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a Mim que o fizestes».
Inspiradas pela convicção de São Vicente de Paulo de que «nenhuma forma de sofrimento lhes deve ser estranha», servem crianças e jovens, pessoas desabrigadas, quantos que lutam contra o vício, pacientes hospitalizados e doentes terminais nas suas casas. [ Photo Embed: Irmã Veronika Hanáková junto ao leito de um doente no Abrigo Santa Luísa] Quando o sistema não é suficiente Segundo as Irmãs, a sociedade atual consegue, muitas vezes, esconder o sofrimento.
Embora os sistemas de saúde e de assistência social possam parecer funcionar bem na superfície, falham com frequência precisamente em situações que requerem ajuda imediata.
As pessoas necessitadas veem-se muitas vezes presas num labirinto burocrático que as leva à exaustão em vez de as conduzir a uma solução.
As Irmãs observam também uma crescente incerteza em relação aos valores e à educação dos jovens.
Na sua experiência, muitos dos problemas atuais decorrem de relações familiares desestruturadas e da influência acrítica dos media e das redes sociais.
Vidas transformadas no Abrigo Santa Luísa Um lugar central do seu ministério é a organização sem fins lucrativos Depaul Slovakia, que há vinte anos ajuda pessoas desabrigadas a reconstruir as suas vidas.
O Abrigo Santa Luísa acolhe também pessoas com problemas de saúde graves ou doenças terminais.
Um deles foi o Sr.
František, que chegou após ter sofrido uma lesão na perna.
Gradualmente, foi envolvido na vida do Abrigo, e a oração comunitária do Rosário da Divina Misericórdia tocou-o profundamente.
A sua fé reacendeu-se, preparou-se para receber os sacramentos, reconciliou-se com a sua família e, por fim, encontrou trabalho e habitação.
Outro residente é um jovem, Peter, que luta contra uma doença renal grave enquanto aguarda por um transplante.
Apesar do seu próprio sofrimento, ajuda de bom grado os novos residentes que chegam ao Abrigo. «Acreditamos que o Senhor age no coração dos pobres e aí obtém grandes vitórias», disseram as irmãs. [ Photo Embed: A Irmã Adriána Mihová presta cuidados a domicílio] A última viagem para casa As religiosas partilham também testemunhos comovedores do Hospice Móvel Santa Catarina Labouré, através do qual acompanham as pessoas nas fases finais da vida no conforto dos seus próprios lares.
Recordam a história de uma mulher de 47 anos que inicialmente resistiu à presença de uma religiosa.
Uma semana depois, as irmãs encontraram-na inconsciente e em estado crítico.
Pouco antes da sua morte, porém, abriu os olhos e olhou serenamente para o rosto da irmã enquanto falava do amor da sua família e de Deus, que a esperava como um Pai que acolhe a Sua filha.
A mulher apertou então delicadamente as mãos do marido e faleceu em paz.
Outra história diz respeito a uma senhora idosa cuidada pelas suas duas filhas. «Embora o cuidado que dedicavam à mãe fosse exemplar, a relação entre as duas estava tensa há muitos anos», recordou uma das religiosas.
A mulher faleceu após ter recebido o sacramento da Unção dos enfermos, enquanto as religiosas continuavam a visitá-la regularmente. «Após o funeral, uma das filhas escreveu-me, partilhando o que considerava mais importante.
Acrescentou: “... e mais uma coisa.
No final, apesar de tudo isto, a minha mãe conseguiu reaproximar-me da minha irmã.
A nossa relação melhorou.
Acredito que continuará assim”», contou a irmã Adriána.
O poder silencioso do Evangelho As experiências das irmãs revelam que a evangelização hoje em dia se concretiza muitas vezes não através de grandes palavras, mas de uma proximidade silenciosa e fiel com quantos se encontram em situações de necessidade. «Hoje, a evangelização assume a forma de presença, uma presença humilde, atenta e perseverante.
O valor da vida consagrada, uma vida vivida com Deus, em Deus e para os outros, permanece insubstituível», concluíram as irmãs.
Num tempo em que muitos se sentem sós e desorientados, este tipo de presença continua a ser um dos testemunhos mais poderosos da esperança cristã.