Esperança em meio à tensão: uma conversa com Padre Marwan Akoury sobre a crise no Líbano - Vatican News via Acervo Católico

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Esperança em meio à tensão: uma conversa com Padre Marwan Akoury sobre a crise no Líbano - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Em meio à nova escalada de guerra que assola o Líbano em março de 2026, o pároco de Santa Rita e porta-voz da Arquidiocese Maronita revela como a fé e a solidariedade tornaram-se os últimos refúgios para uma população sitiada pelo medo e pela incerteza

Pe. Rodrigo Rios – Vatican News Recentemente o Líbano mergulhou em um estado de guerra aberta após o colapso de um cessar-fogo que durava desde 2024. O país tornou-se o epicentro de uma escalada regional dramática, sofrendo bombardeios intensos, em Beirute, e incursões terrestres israelenses ao sul, em resposta a ataques do Hezbollah. Em uma decisão sem precedentes, o governo libanês proibiu oficialmente as atividades militares do grupo armado na tentativa de conter a destruição nacional. No entanto, com dezenas de milhares de civis deslocados de suas casas e buscando refúgio em igrejas e escolas, o país enfrenta uma crise humanitária, marcada pela incerteza política e por um profundo impacto psicológico sobre a população. Em meio a tudo isso, no coração de Beirute, a Igreja se mantém como um farol de resiliência e acolhimento. Para entender o impacto humano do recente crescimento de violência, conversamos com o Padre Marwan Akoury. Com mestrado em Comunicação Institucional pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma, o Padre Marwan desempenha um papel fundamental na capital libanesa como pároco de Santa Rita, no bairro de Sin El Fil, além de ser o responsável pela comunicação da Arquidiocese Maronita de Beirute. Nesta entrevista, ele relata como a fé e a solidariedade sustentam uma comunidade que se recusa a ceder ao desespero. Como o senhor descreveria a situação atual em sua paróquia e em seu bairro nestes dias de escalada de violência? A situação é marcada por grande tensão e incerteza. As pessoas vivem com apreensão pelo que pode acontecer de um momento para o outro. No entanto, apesar do medo e das dificuldades cotidianas, a vida da comunidade não parou: a paróquia continua sendo um ponto de referência onde as pessoas buscam consolação, oração e proximidade fraterna. Qual é o sentimento predominante entre os fiéis: medo, resignação ou ainda há espaço para a esperança? O medo está certamente presente, e é humanamente compreensível. Mas eu não diria que a resignação prevalece. Muitos fiéis buscam na fé uma força interior que os sustenta. Ao lado da preocupação, ainda há espaço para a esperança: uma esperança frágil, mas real, enraizada na oração e na solidariedade entre as pessoas. Como o senhor está conseguindo garantir a celebração dos sacramentos e o apoio espiritual apesar do perigo? No momento, o perigo permanece sobretudo psicológico, ligado ao clima de tensão e de incerteza. Por isso, continuamos a celebrar os sacramentos e a manter a vida pastoral da paróquia o mais regular possível. Ao mesmo tempo, tentamos permanecer muito próximos das pessoas, em particular daquelas famílias que tiveram de deixar as suas casas e que encontraram refúgio conosco, seguindo as orientações de Sua Excelência o Arcebispo Maronita de Beirute, dom Paul Abdel Sater, que nos convida a acompanhar com atenção especial as famílias deslocadas. A paróquia quer ser para todos um lugar de acolhimento, de escuta e de apoio espiritual neste momento difícil. O que o senhor gostaria de dizer à Igreja universal, que olha com apreensão e cuidado para o Líbano? Gostaria, antes de tudo, de agradecer à Igreja universal pela sua proximidade e pela sua oração. Sentir que não estamos sozinhos é um grande conforto. Pedimos que continuem a rezar pelo Líbano, para que este país, que foi durante séculos terra de convivência e de testemunho cristão, possa reencontrar estabilidade, justiça e paz. Que mensagem de paz o senhor gostaria de enviar aos líderes mundiais que têm o poder de parar esta violência? Gostaria de lembrá-los que, por trás de cada decisão política, existem vidas humanas, famílias, crianças e idosos que desejam simplesmente viver em paz. A paz não é apenas um objetivo diplomático: é uma responsabilidade moral. Quem tem o poder de parar a violência tem também o dever de fazê-lo, escolhendo o diálogo, a justiça e o respeito pela dignidade de cada povo.

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