Fernández: a complementaridade entre a humanidade e a IA

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Fernández: a complementaridade entre a humanidade e a IA
Fonte: VATICANO

O Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, Víctor Manuel Fernández, reflete sobre a encíclica «Magnifica humanitas» e a inteligência artificial durante a jornada de estudos realizada na Universidade de Comillas, em Madri: «a encíclica é, em si mesma, um grande esforço de diálogo da Igreja com a sociedade e a cultura».

Johan Pacheco – Cidade do Vaticano «O cuidado da humanidade, esta é a questão de fundo», afirma o Cardeal Víctor Manuel Fernández, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, durante a jornada de estudos dedicada à encíclica «Magnifica Humanitas» e à inteligência artificial, realizada em 30 de setembro na Universidade Pontifícia Comillas, em Madri, na Espanha. «Desde o início, a encíclica convida a contemplar a humanidade como ‘magnífica’.

E o faz embora o texto reconheça a terrível capacidade de fazer o mal que existe em nós, destacando como esta nossa humanidade está ferida e continua a cair em aberrações que não podem ser justificadas de maneira alguma, podendo alcançar níveis de indiferença, cinismo e crueldade que nunca deixam de nos surpreender.

Apesar de tudo isso, ela é chamada de ‘magnífica’», afirma o Cardeal.

O Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé afirma ainda que «os avanços da IA, pelo contrário, deram novo impulso a formas de pós-humanismo que chegam a propor a substituição da humanidade».

Mas «os dispositivos e recursos tecnológicos proporcionam ao indivíduo uma alegria inicial e, pouco depois, o vazio retorna, com a sensação de que falta alguma coisa». «Diante dessas propostas transumanistas ou pós-humanistas — afirma Fernández —, a encíclica apresenta alguns exemplos históricos.

São fatos que nos fazem sentir orgulhosos de sermos humanos, porque mostram que esta humanidade miserável é, apesar de tudo, capaz de reagir e, em algumas ocasiões, manifesta-se verdadeiramente ‘magnífica’, porque cuida da dignidade das pessoas, busca o bem comum, protege e promove os mais frágeis».

Diante das bondades e dos momentos obscuros da humanidade e frente ao valor das grandes contribuições da IA e das novas tecnologias, o Cardeal Fernández considera que «precisamos avançar rumo a um cenário de complementaridade que de modo algum pretende negar o valor do humano, que é anterior a qualquer tecnologia, mas no qual tudo se harmonize com o serviço à dignidade, ao bem comum, ao desenvolvimento integral e à fraternidade».

O Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé afirma que «a encíclica é, em si mesma, um grande esforço de diálogo da Igreja com a sociedade e a cultura.

Mas, de qualquer modo, é um texto cristão que bebe de Jesus Cristo e do seu Evangelho».

Ao enfatizar o tema da «graça», explica que ela «é a possibilidade de sermos elevados nada menos do que à amizade com Deus, apesar da distância infinita que nos separa».

Em sua exposição, o Cardeal Víctor Manuel Fernández também destacou «outra chave na estrutura conceitual da encíclica: a questão do poder».

Observou ainda que «há setores da população, com maior acesso aos progressos, que adquirem um poder impressionante.

E a pergunta é: quem poderá impor limites a esse poder?».

Ele enfatizou também que «uma grande novidade de Magnifica Humanitas é o convite a ‘superar a teoria da guerra justa’ (192), entendendo a legítima defesa apenas ‘no sentido mais estrito’ (ibid.), ou seja, não no sentido amplo e excessivamente aberto das chamadas ‘guerras preventivas’, repletas de ‘danos colaterais’».

Ao concluir seu discurso, citou o documento Quo vadis humanitas, da Comissão Teológica Internacional: «O desenvolvimento tecnológico imparável... que favorece sobretudo aqueles que já possuem muito poder nos desafia a dirigir o olhar para os mais pobres».

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