O volume das principai armas transferidas entre Estados aumentou 9,2% entre 2016-2020 e 2021-2025. Os Estados europeus mais que triplicaram suas importações de armas, tornando-se a região que mais recebe. As exportações totais dos Estados Unidos, o maior fornecedor de armas do mundo, aumentaram 27%. Isso incluiu um aumento de 217% nas exportações de armas dos EUA para a Europa, de acordo com novos dados publicados pelo Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI).
O Stockholm International Peace Research Institute (Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, SIPRI), divulgou nesta segunda-feira (09/03) os dados relativos ao fluxo global de armas, que verificou o maior aumento desde 2011-2015, principalmente ao crescimento das transferências para a Ucrânia (que recebeu 9,7% de todas as transferências de armas em 2021-2025) e outros Estados europeus. Diferentemente da Europa e das Américas, as importações de armas para todas as outras regiões do mundo diminuíram. "Embora as tensões e os conflitos na Ásia, Oceania e Oriente Médio continuem a impulsionar as importações de armas em larga escala, o forte aumento nos fluxos de armas para os Estados europeus elevou as transferências globais de armas em quase 10%", disse Mathew George, diretor do Programa de Transferências de Armas do SIPRI. “As entregas para a Ucrânia desde 2022 são o fator mais óbvio, mas a maioria dos outros países europeus também começou a importar significativamente mais armas para reforçar suas capacidades militares contra uma ameaça crescente percebida da Rússia.” EUA incrementam seu domínio nas exportações de armas Os Estados Unidos forneceram 42% de todas as transferências internacionais de armas em 2021–2025, um aumento em relação aos 36% em 2016–2020. Os EUA exportaram armas para 99 países em 2021–2025, incluindo 35 países na Europa, 18 nas Américas, 17 na África, 17 na Ásia e Oceania e 12 no Oriente Médio. Pela primeira vez em duas décadas, a maior parte das exportações de armas dos EUA foi para a Europa (38%) em vez do Oriente Médio (33%). No entanto, o principal destinatário individual de armas dos EUA foi a Arábia Saudita (12% das exportações de armas dos EUA). O pesquisador sênior do Programa de Transferências de Armas do SIPRI, Pieter Wezeman, avalia que “para os importadores, as armas americanas oferecem capacidades avançadas e uma forma de fomentar boas relações com os EUA, enquanto os EUA veem as exportações de armas como uma ferramenta de política externa e uma maneira de fortalecer sua indústria bélica, como a nova estratégia de transferência de armas “America First” do governo Trump deixa claro mais uma vez.” A França foi o segundo maior fornecedor de armas principais no período de 2021 a 2025, representando 9,8% das exportações globais. Suas exportações de armas aumentaram 21% entre 2016-2020 e 2021-2025. A França exportou para 63 países, com as maiores parcelas destinadas à Índia (24%), Egito (11%) e Grécia (10%). As exportações de armas da França dentro da Europa aumentaram mais de cinco vezes (+452%), mas quase 80% ainda foram para fora da região. A Rússia foi o único dos 10 maiores fornecedores a registrar queda nas exportações de armas (-64%), o que pode ser explicado também pela sua necessidade de armamentos na guerra travada contra a Ucrânia. Sua participação nas exportações globais de armas diminuiu de 21% em 2016-2020 para 6,8% em 2021-2025. A Rússia forneceu armas para 30 países e 1 ator não estatal no período de 2021 a 2025. Quase três quartos (74%) das exportações de armas russas foram destinadas a três países no período de 2021 a 2025: Índia (48%), China (13%) e Belarus (13%). A Alemanha ultrapassou a China e se tornou o quarto maior exportador de armas no período de 2021 a 2025, com 5,7% das exportações globais de armas. Quase um quarto de todas as exportações de armas alemãs (24%) foi destinado à Ucrânia como ajuda (e outros 17% foram para outros países europeus). As exportações de armas da Itália aumentaram 157%, passando da décima maior exportadora no período de 2016 a 2020 para a sexta maior no período de 2021 a 2025. Mais da metade das exportações italianas foram para o Oriente Médio (59%), enquanto 16% foram para a Ásia e Oceania e 13% para a Europa. Israel, o sétimo maior fornecedor de armas, aumentou sua participação nas exportações globais de armas de 3,1% em 2016-20 para 4,4% em 2021-25 e, pela primeira vez na história, ultrapassou o Reino Unido (3,4%). "A indústria bélica israelense se concentra em sistemas de defesa aérea, para os quais há alta demanda global, enquanto as forças armadas israelenses dependem de importações para vários tipos de equipamentos essenciais", explicou Zain Hussain, pesquisador do Programa de Transferências de Armas do SIPRI. Europa, maior região importadora de armas Os países europeus receberam 33% das importações globais de armas, com um aumento de 210% nas importações da região entre 2016-2020 e 2021-2025. Depois da Ucrânia, a Polônia e o Reino Unido foram os maiores importadores na Europa nos últimos cinco anos. Quase metade das armas transferidas para os estados europeus veio dos EUA (48%), seguidos pela Alemanha (7,1%) e pela França (6,2%). A percepção de ameaça em relação à Rússia, agravada pelas incertezas sobre o compromisso dos EUA em defender seus aliados europeus, impulsionou a demanda por armas entre os países europeus membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). As importações combinadas de armas dos 29 atuais membros europeus da OTAN cresceram 143% entre 2016-2020 e 2021-2025. Os EUA forneceram 58% dessas importações em 2021-2025. Os próximos maiores fornecedores foram a Coreia do Sul (8,6%), Israel (7,7%) e a França (7,4%). "Embora as empresas europeias tenham aumentado a produção de armas e o novo apoio ao investimento da União Europeia para as indústrias de armamento dos Estados-Membros tenha levado a uma série de encomendas intra-UE, os Estados europeus continuaram a importar armas dos EUA em 2021-2025, especialmente aeronaves de combate e sistemas de defesa aérea de longo alcance", observou Katarina Djokic, pesquisadora do Programa de Transferências de Armas do SIPRI. "Ao mesmo tempo, os maiores fornecedores europeus continuaram a enviar a maior parte das suas exportações de armas para fora da Europa." Diminuem entregas de armas para a Ásia e Oceania com redução de mais da metade das importações da China Com 31%, os países da Ásia e Oceania importaram a segunda maior parcela de armas no período de 2021 a 2025. Isso ocorreu apesar de uma queda de 20% no volume em comparação com o período de 2016 a 2020. A queda se deveu principalmente à diminuição das importações de armas pela China (-72%) e, em menor grau, pela Coreia do Sul (-54%) e Austrália (-39%). Quatro países da Ásia e Oceania figuraram entre os 10 maiores importadores de armas do mundo no período de 2021 a 2025: Índia, Paquistão, Japão e Austrália. O principal fornecedor da região no período de 2021 a 2025 foram os EUA, com 35% das importações regionais de armas. A Rússia representou outros 17% e a China, 14%. A Índia foi o segundo maior importador de armas do mundo. Suas importações diminuíram marginalmente (–4,0%) entre 2016–20 e 2021–25. A maior parte das importações de armas indianas veio da Rússia, com 40% — uma participação significativamente menor do que em 2016–20 (51%) e quase metade da de 2011–15 (70%). A Índia está se voltando cada vez mais para fornecedores ocidentais. As importações de armas do Paquistão cresceram 66% entre 2016–20 e 2021–25. A China forneceu 80% das importações de armas do Paquistão em 2021–25, um aumento em relação aos 73% em 2016–20. Na Ásia Oriental, o Japão (+76%) e Taiwan (+54%) registraram grandes aumentos em suas importações de armas entre 2016–20 e 2021–25. A China saiu da lista dos 10 maiores importadores de armas pela primeira vez desde 1991-95, devido à expansão da produção doméstica de seus próprios projetos. "Os temores sobre as intenções da China e suas crescentes capacidades militares continuam a influenciar os esforços de armamento em outras partes da Ásia e Oceania, que muitas vezes ainda dependem de armas importadas", explicou Siemon Wezeman, pesquisador sênior do Programa de Transferências de Armas do SIPRI. "Por exemplo, no sul da Ásia, o alto volume de armas que a Índia importa se deve em grande parte à ameaça percebida da China e ao longo conflito da Índia com o principal destinatário das exportações de armas chinesas, o Paquistão. Armas importadas foram usadas no confronto de 2025 entre a Índia e o Paquistão, ambos estados com armas nucleares." Caem as importações de armas do Oriente Médio As importações de armas pelos países do Oriente Médio diminuíram 13% entre 2016-20 e 2021-25. Três dos 10 maiores importadores de armas do mundo em 2021-2025 estavam na região: Arábia Saudita (6,8% das importações globais), Catar (6,4%) e Kuwait (2,8%). Mais da metade das importações de armas para o Oriente Médio vieram dos EUA (54%), enquanto 12% vieram da Itália, 11% da França e 7,3% da Alemanha. "Os Estados árabes do Golfo moldam as tendências de importação de armas no Oriente Médio, com a Arábia Saudita sendo o maior importador da região desde 2011-2015 e o Catar agora sendo o segundo maior, depois de mais que dobrar suas importações entre 2016-2020 e 2021-2025", disse Zain Hussain. “Com uma série de tensões e conflitos regionais, os Estados árabes do Golfo estão trabalhando para fortalecer as relações com fornecedores de longa data, como os EUA e a França, ao mesmo tempo que buscam novos fornecedores.” Israel foi o 14º maior importador de armas do mundo em 2021-2025, com suas importações aumentando 12% entre 2016-2020 e 2021-2025. Em 2021-2025, os EUA forneceram a maior parte das importações de armas de Israel (68%), seguidos pela Alemanha (31%). Ao longo da guerra em múltiplas frentes decorrente da ofensiva militar em larga escala de Israel em Gaza, iniciada em outubro de 2023, Israel continuou a receber armas de vários fornecedores, incluindo aeronaves de combate F-35, bombas guiadas e mísseis dos EUA. Outras situações não menos relevantes As importações de armas principais pelos países africanos caíram 41% entre 2016-2020 e 2021-2025. As importações da Argélia caíram 78%, enquanto as do Marrocos aumentaram 12%, tornando o Marrocos o maior importador de armas da África. As importações de armas pelos países das Américas aumentaram 12% entre 2016-2020 e 2021-2025. Os EUA receberam 52% das importações de armas da região. As importações de armas pelos países da América do Sul aumentaram 31% entre 2016-2020 e 2021-2025, com 6 dos 12 países aumentando suas importações. A maior parte foi para o Brasil (60% das importações para a América do Sul), cujas importações de armas cresceram 150% entre 2016-2020 e 2021-2025. *Com Stockholm International Peace Research Institute - SIPRI