Foco na História: as grandes civilizações africanas. A origem do cristianismo na África

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Foco na História: as grandes civilizações africanas. A origem do cristianismo na África
Fonte: VATICANO

O Egito foi um dos principais centros do Cristianismo primitivo, com destaque para o Patriarcado de Alexandria e o Norte de África tornou-se um dos maiores polos de produção teológica da Antiguidade.

Padre José Inácio de Medeiros, CSsR - Instituto Histórico Redentorista Muito antes da chegada dos colonizadores europeus ao longo dos séculos XV e XVI, o cristianismo já estava presente em África, especialmente no norte do continente.

A Etiópia tornou-se oficialmente cristã no século IV, sendo uma das nações cristãs mais antigas do mundo.

O Egito foi um dos principais centros do Cristianismo primitivo, com destaque para o Patriarcado de Alexandria e o Norte de África tornou-se um dos maiores polos de produção teológica da Antiguidade. [ Audio Embed Ouça e compartilhe] Graças à força de suas Igrejas locais, a Igreja Católica teve três papas nascidos ou com origens comprovadas no norte da África, todos nos primeiros séculos do cristianismo.

O primeiro deles, São Vitor I governou a Igreja de 189–199 d.C.

Nascido numa província romana, na atual Tunísia, foi o primeiro papa de origem africana.

E seu pontificado aconteceu a mudança da língua oficial das missas do grego para o latim e a definição da data para a celebração da Páscoa.

São Melquíades (311–314 d.C.), outro Papa originário do norte da África teve um papado marcado pelo fim das perseguições aos cristãos pelo Império Romano após o Edito de Milão promulgado pelo Imperados Constantino.

E, por fim, São Gelásio I (492–496 d.C.) tinha suas origens no norte da África.

Ele ficou mais conhecido pela definição do cânone oficial dos livros da Bíblia e por firmar a autoridade da Igreja frente ao poder político.

Quando os europeus iniciaram a colonização do continente africano, não encontraram uma África totalmente desconhecedora de Cristo.

Em várias regiões do continente, a fé cristã já possuía séculos de existência.

A prova disso está na própria história da Igreja, pois alguns dos mais importantes Pais da Igreja chamados de Santos Padres também eram africanos.

Tertuliano: Nasceu em Cartago, na atual Tunísia, sendo considerado um dos pais da teologia cristã latina.

Ele ajudou a desenvolver conceitos teológicos relevantes que mais tarde seriam fundamentais para a definição doutrinal da Igreja.

Cipriano de Cartago.

Também era norte-africano, destacando-se como um dos mais influentes pensadores cristãos do século III, defendendo a unidade da Igreja em tempos de perseguição.

Atanásio de Alexandria.

Originario do Egito, onde Alexandria se destacava como u dos cinco grandes patriarcados, foi um dos maiores defensores da divindade de Cristo, desempenhando papel decisivo na formulação da doutrina cristã durante os grandes debates teológicos da antiguidade.

Clemente de Alexandria e Orígenes.

Os dois eram ligados à escola teológica de Alexandria, contribuindo de forma decisiava para a interpretação das Escrituras e para o desenvolvimento do pensamento cristão.

Agostinho de Hipona.

O maior de todos os pensadores cristãos da antiguidade, deixou inúmeras obras escitar que aind ahoje influenciam a teologia e a espiritualidade da Igreaj. nascido na região da atual Argélia, é reconhecido como um dos maiores teólogos da história do Cristianismo.

Suas obras influenciaram católicos, ortodoxos e protestantes ao longo dos séculos.

Esses homens não eram europeus e como africanos ajudaram a moldar a teologia cristã muito antes da expansão colonial europeia.

Além disso, as Sagradas Escrituras mostram a importância de África na história da salvação.

O Egito aparece em diversos momentos das Escrituras.

Moisés foi criado em solo africano.  Jesus encontrou refúgio no Egito durante sua infância.

Simão de Cirene, que ajudou a carregar a cruz de Cristo, era africano.  O primeiro gentio africano convertido mencionado no livro de Atos dos Apóstolos foi o oficial etíope evangelizado por Filipe.

Golpes contra a Igreja A Igreja norte-africana, porém, sofreu dois duros golpes que levaram a quase extinsão da fé e da Igreja, onde existiam comunidades florescentes.

O primeiro golpe se deu com a invasão dos Vândalos no norte da África iniciada em 429.

O rei Gessérico liderou seu povo através da Espanha romana, cruzando o Estreito de Gibraltar para conquistar as ricas províncias de Roma.

Cerca de 80 mil vândalos e outros aliados atravessaram para o norte da África saqueando cidades e terras férteis.

Eles cercaram a cidade de Hipona um ano depois e Santo Agostinho morreu durante o ataque.

Também Cartago, a maior e mais importante cidade romana na região caiu.

Os vândalos criaram seu próprio reino no norte da África e construíram uma força naval poderosa, saqueando as colônias em todo o Mediterrâneo.

Seu reino durou pouco mais de um século, até que o Império Bizantino reconquistou a região em 534 d.C., mas o estrago já estava feito.

Outro estrago se deu com a expansão muçulmana pelo norte da África nos séculos VII e VIII, fazendo com que vastas regiões do continente se tornassem área de seu domínio, sobretudo, nas futuras nações localizadas acima do Deserto do Saara e logo abaixo do grande deserto.

Eles entraram no Egito, tomaram Alexandria, pondo fim ao domínio do Império Bizantino na região.

A partir do Egito, avançaram lentamente pela faixa costeira norte-africana onde estão os atuais países como a Líbia, Tunísia, Argélia e Marrocos.

O processo não foi imediato, pois os árabes enfrentaram forte resistência de colônias bizantinas e, sobretudo, de clãs e líderes berberes locais.

Apesar disso, junto com o islamismo impuseram a cultura árabe a toda a região onde hoje o cristianismo é minoritário.

Quando os colonizadores começaram a chegar nos séculos XV e XVI trouxeram outra dimensão de cristianismo, mas a fé cristã já existia em África.

A teologia cristã já era produzida na África e grandes líderes da Igreja, inclusive diversos papas, ali surgiram na África, séculos antes de qualquer império europeu erguer suas bandeiras no continente.

A África ajudou a construir o Cristianismo que a Europa mais tarde abraçou e hoje a Igreja Africana sobretudo, subsaariana é uma das que mais cresce no mundo.

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