A África é um continente milenar, constituído por inúmeras etnias, formado atualmente por 54 países dos quais 06 são localizados em ilhas como Madagascar.
Padre José Inácio de Medeiros, CSsR - Instituto Histórico Redentorista Se falarmos dos países da Europa ou dos Estados Unidos os leitores hão de recordar muitos elementos de sua história ou de sua atualidade.
Mas quando se trata da África, esse é um continente quase desconhecido, apesar do Brasil ter fortes raízes culturais e religiosas que o ligam a esse continente.
Se falarmos da Igreja católica vamos lembrar que a secularização tem provocado fortes crises na Igreja da Europa e dos Estados Unidos, enquanto a África possui uma Igreja jovem, em franco processo de crescimento e maturação. [ Audio Embed Ouça e compartilhe] África milenar A África é um continente milenar, constituído por inúmeras etnias, formado atualmente por 54 países dos quais 06 são localizados em ilhas como Madagascar.
Desde o século XV, quando os portugueses aportaram em Cabo Verde (1460), os europeus foram dividindo suas terras e riquezas entre as principais potências europeias movidas pelo capitalismo e pelo imperialismo.
A divisão e consolidação definitivas dessa repartição se deu na Conferência de Berlim, depois de dois anos de discussões, entre 1884/1885.
Essa conferência estabeleceu que os europeus tinham “direito às riquezas humanas e naturais do continente”, oficializando a superioridade europeia sobre a África.
A Independência e a formação de diversos países aconteceram a partir de meados do século XX.
De um lado, após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a Europa como um todo estava destruída e seu declínio econômico era visível, frente ao crescimento dos Estados Unidos e da União Soviética que disputavam o domínio e financiavam a reconstrução.
Isto enfraqueceu o controle europeu sobre os territórios africanos.
A África, porém, já ansiava pela libertação.
Foi então que começaram os movimentos de luta pela independência.
A África, as Sagradas Escrituras e a Igreja As Sagradas Escrituras contam que o Patriarca Abraão foi morar no Egito (Gn 12,10-20), bem como seu neto Jacó com os 12 filhos formadoras das doze tribos de Israel (Gn 46,1-34).
O povo de Deus desceu para o Egito motivado pela fome (Gn 12,10; 42,1-2).
No Século II d.C, a tradução da Bíblia Hebraica para o grego na versão conhecida como Septuaginta, aconteceu em Alexandria, Egito.
Neste mesmo país Maria e José se refugiaram com Jesus para protegê-lo da morte planejada pelo rei Herodes (Mt 2,13-15).
No tempo da Igreja nascente o diácono Filipe evangelizou e batizou um eunuco etíope, alto funcionário da rainha Candace (At 8,26-40).
A África seria então um espaço geográfico onde a Igreja passaria por um rápido processo de florescimento, com a formação de comunidades vigorosas na fé, que somente deixarão de existir no século VIII com a expansão dos muçulmanos.
A Tradição Católica relata que o evangelista Marcos evangelizou a região de Alexandria, onde sofreu o martírio e o grande Santo Agostinho (354-430), bispo e doutor da Igreja é africano de Tagaste, na Argélia atual que o Papa Leão Xivvisito em 2026.
Com o processo de expansão da Europa sobre o continente no período chamado das Grandes Navegações junto com os colonizadores a Igreja enviou levas de missionários para evangelizar esse vasto continente.
Ação missionária Desde o século XV até os nossos dias missionários e missionárias, sobretudo, das congregações religiosas marcaram presença na África e hoje o seu trabalho é por todos reconhecido.
Os Padres Brancos, por exemplo, realizaram um trabalho missionário em Uganda onde aconteceu o martírio de 22 jovens leigos, entre os anos 1885 e 1887.
Sua canonização aconteceu em 1964, pelo Papa Paulo VI, durante o Concílio Vaticano II (1962-1965).
Não podemos esquecer o martírio de tantos outros cristãos religiosos e leigos, pois até os nossos dias, a exemplo do que acontece na Nigéria e em outros países, o martírio faz parte da caminhada histórica da Igreja no continente africano.
A própria Congregação Redentorista se encontra implantada na África desde o século XIX onde possui algumas Unidades florescentes que olham o futuro com grande esperança.
Nos últimos anos, a Igreja realizou dois Sínodos Extraordinários dos Bispos Africanos.
Um, em 1994, convocado por João Paulo II e o outro em 2005, convocado por Bento XVI.
Foi Bento XVI que um dia afirmou que a “África é a esperança da Igreja”.
Essa esperança é fundamentada pelo crescente número de batizados e de vocações inclusive, com missionários além-fronteiras.
E a Igreja responde às suas urgências com a criação de novas Dioceses e com a reestruturação de outras, com a multiplicação de paróquias e comunidades, com o estabelecimento de inúmeras obras sociais e com uma ação próxima aos mais necessitados.
Os desafios não terminaram, mas a África que é o continente central na configuração do Mapa-Mundi busca caminhar com perseverança na construção de seus novos horizontes de vida e de libertação.