O trabalho missionário no continente africano foi realizado basicamente pelas ordens religiosas. Os capuchinhos, por exemplo, desde o século XVI já estavam presentes no continente.
Padre José Inácio de Medeiros, CSsR - Instituto Histórico Redentorista No tempo da antiguidade as comunidades cristãs floresceram de maneira intensa especialmente no norte da África e no Egito.
Comunidades florescentes se organizaram em alguns dos atuais países do norte do continente.
Onde brilhou a impressionante figura de Santo Agostinho, também alguns papas saíram das comunidades cristãs para darem a vida pela Igreja.
No Egito haverá o destaque para o patriarcado de Alexandria.
A invasão dos Povos Germânicos nos séculos V e VI, sobretudo, os vândalos levarão à extinção de muitas comunidades.
Mais tarde, a parir do século VII a expansão islâmica em direção à Península Ibérica fará com que o cristianismo se torne uma religião minoritária na região acima do Deserto do Saara, situação que se mantem até nos dias de hoje. [ Audio Embed Ouça e compartilhe] África, novo campo de trabalho missionário A África subsaariana já era bem conhecida desde o século XV, com a chegada das nações colonizadoras, sobretudo Portugal e a expansão da fé cristã estará diretamente associada à colonização, mas por razões sociais e políticas nunca houve uma presença mais forte na Igreja e a região ficou bastante abandonada até o século XIX, quando as principais nações europeias retalharam a África em vários impérios coloniais.
Neste tempo começaram também as viagens de exploração científica e colonizadora que percorreram boa parte do continente.
O trabalho missionário no continente africano foi realizado basicamente pelas ordens religiosas.
Os capuchinhos, por exemplo, desde o século XVI já estavam presentes no continente.
No século XIX, começaram a chegar outras congregações e institutos missionários como espiritanos, OMI, jesuítas, agostinianos, Missionários da Consolata e outros, tanto congregações masculinas como femininas.
Com as diferenças específicas de cada instituto religioso, os métodos de evangelização eram basicamente os mesmos centrados na fundação de escolas, hospitais, orfanatos que foram sendo erguidos ao lado das missões católicas.
No Congo, a ação missionária foi patrocinada pelo rei Leopoldo I da Bélgica.
O Congo era considerado o seu feudo pessoal e o rei comandou um verdadeiro massacre na região levando à extinção de mais de 10 milhões de pessoas.
E na maioria das vezes, com raras exceções, os missionários estavam com as mãos amarradas ou coniventes com a situação.
Na atual Tanzânia se deu também a união da Igreja com o projeto colonial alemão.
Esta união da Igreja com os colonizadores é considerada um dos maiores prejuízos na evangelização.
Na atual Ruanda os missionários fizeram uma tentativa de trabalhar a conversão dos chefes, como já havia acontecido, em outras proporções na Europa medieval, pois com a conversão dos chefes acreditava-se que todo o povo de uma aldeia ou tribo os seguiriam, o que nem sempre acontecia.
Em algumas regiões do continente aconteceu ainda o encontro dos agentes católicos com missionários protestantes.
Métodos de evangelização Independente dos muitos erros acontecidos merece destaque algumas iniciativas que hoje se colocam no campo da inculturação como as tentativas de adaptação da música e da liturgia os ritos locais.
A ação dos papas, sobretudo, com a publicação de alguns importantes necessários se dirigiu ao incentivo para a formação de um clero nativo que aos poucos poderia ir substituindo o clero estrangeiro, realidade que em diversos países ainda não foi alcançada.
Merece destaque ainda a ação educacional da Igreja nas escolas, o que contribuiu para a eliminação dos altos índices de analfabetismo funcional e a implantação de um sistema de catecumenato para a formação da fé dos recém-convertidos.
O processo de evangelização, porém, nem sempre foi muito fácil por causa das muitas dificuldades e entre elas podemos citar a multiplicidade étnica e cultural, com a guerra declarada e a oposição entre tribos e povos rivais que existiam numa mesma região.
Os muitos casos de racismo e a consideração dos negros como uma sub-raça também prejudicou muito a evangelização, além de sua identificação com a colonização.
Esse fato levará à expulsão de muitos missionários como a expulsão dos portugueses quando se iniciou o processo de luta pela independência.
Como em grande parte a evangelização era patrocinada por governos europeus, as crises enfrentadas em países alguns europeus contribuíam no esvaziamento ou na criação de inúmeras dificuldades na missão africana.
Porém, apesar de todas as dificuldades enfrentadas, o trabalho missionário avançou, a Igreja na África foi se consolidando, sobretudo, nos países abaixo do Saara e hoje o cristianismo africano é um dos que apresenta a maior taxa de crescimento do mundo.
O catolicismo africano A Igreja Católica na África hoje vive uma fase de forte expansão demográfica, tendo ultrapassado recentemente a Europa em número total de fiéis e se consolidando como o coração pulsante e o futuro do catolicismo global.
Mais de 288 milhões de católicos vivem no continente africano, o que representa cerca de 20,3% do total mundial.
A República Democrática do Congo e a Nigéria lideram em quantidade de fiéis e o ritmo de crescimento de vocações e batismos na África contrasta diretamente com a queda e a secularização registradas na Europa.
A atuação da Igreja vai bem além da fé vivida nos templos, com um importante apoio a várias áreas vulneráveis como nos campos de refugiados e no combate à fome e à pobreza.
A Igreja continua mantendo uma vasta rede de escolas, hospitais, clínicas e orfanatos que sustentam comunidades inteiras onde o Estado é ausente.
Por outro lado, a Igreja convive com o avanço do pentecostalismo evangélico e de outras denominações religiosas em várias regiões do continente, enfrenta ainda desafios locais severos ligados a guerras civis, instabilidade política e perseguições em algumas regiões específicas.
Como também acontece em outros continentes ela apresenta um perfil interno plural, oscilando entre posturas mais conservadoras, sobretudo em questões morais, mas com correntes focadas no diálogo inter-religioso.