Com a sua Carta Encíclica Magnifica Humanitas (MH), o Papa Leão XIV reforça o compromisso da Igreja com o diálogo nacional e internacional dos povos e nações, com a manutenção da paz e a redução das guerras, disse aos media do Vaticano Francisco Nhampossa, Docente da Universidade Católica de Moçambique.
P.
Bernardo Suate – Cidade do Vaticano O Professor Francisco Sevene Nhampossa, Doutorando em Filosofia, para quem o tema do multilateralismo abordado pelo Papa Leão no V capítulo da Magnifica Humanitas (nn 224-227) é de particular relevância e atualidade, é uma verdadeira educação para a paz, bem como o anúncio do Evangelho através da fé e da ciência, do respeito pela dignidade humana, “incluindo o ambiente cibernético ou virtual, a que a inteligência artificial (IA) nos desafia como humanidade”.
Direitos humanos e redução das diferenças A Encíclica, prossegue o Docente da UCM, ilumina e promove os direitos humanos e sobretudo toca em profundidade a questão da redução das diferenças, sugere ir sempre ao encontro do homem e não do lucro, porque “a comunicação e, por conseguinte, também a IA, não pode ser apenas uma questão de conexão de fios, mas sim conexão de rostos humanos que devem dialogar para o bem comum, para o bem da humanidade”.
Magnifica Humanitas, particularmente na parte em que toca os temas da Cultura do poder e da necessidade da diplomacia e do multilateralismo, convida outrossim ao uso da diplomacia como caminho do diálogo, para construir pontes entre os homens e o respeito pela dignidade humana, ao mesmo tempo que apela à uma “economia fraterna”, uma equa distribuição dos recursos disponíveis.
Redes sociais devem falar a verdade que salva Outro ponto destacado por Nhampossa na sua reflexão sobre a MH é o seu apelo aos meios de comunicação e, em particular as redes sociais, a “falar a verdade que salva ao invés da inverdade impulsiva que pode sufocar a existência e a imagem do homem, ou seja, que o ambiente virtual deve ser uma família de verdade e da vivência digna do homem e dos seus valores, e não de impulsões negativas e degradantes”.
A diplomacia, enfim, deve procurar reduzir as assimetrias, sejam elas políticas, regionais, étnicas, linguísticas, raciais, religiosas, de status, género, sexo e desenvolvimento – na verdade, “os pobres, os migrantes, as vítimas das guerras ou da fome e entre outros marginalizados da sociedade, são a expressão mais visível destas assimetrias, e a diplomacia deve buscar a essência da vida humana e seu bem maior” – concluiu Nhampossa. [ Audio Embed Oiça aqui a entrevista com Prof.
Francisco Nhampossa, e partilhe]