Frei Rafael: São Francisco fala aos jovens de hoje com a linguagem da simplicidade e da paz - Vatican News via Acervo Católico

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Frei Rafael: São Francisco fala aos jovens de hoje com a linguagem da simplicidade e da paz - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

"Devemos saber falar a língua dos jovens. Eu acho que isso também é um sentido muito forte de paz. Francisco soube falar a língua das pessoas, no sentimento, no coração, chegando perto dessas pessoas, tendo contato com elas", disse frei brasileiro ao VN. E que neste ano jubilar dos 800 anos da morte de São Francisco, possamos "buscar mais vida, mais realidades concretas na nossa vida, em uma teologia "que vai na vida, que vai na carne, que entra no coração do ser humano".

Jackson Erpen - Assis De 3 a 6 de agosto milhares de jovens europeus estão reunidos em Assis para o "GO! Franciscan Youth Meeting", o Encontro da Juventude Franciscana inspirado no Capítulo das Esteiras de 1221, quando São Francisco organizou um encontro para reunir aqueles que haviam recebido o chamado franciscano, a fim de compartilhar as experiências da missão e do Evangelho. Na mesma linha, os jovens com idades entre 18 e 33 anos participam de oficinas sobre diversos temas. o ponto alto é a Missa com o Papa Leão XIV na manhã de quinta-feira, na Basílica de Santa Maria dos Anjos. Presente em Assis para o evento, a Rádio Vaticano conversou com o frei Rafael Normando, que na entrevista destacou que Assis e São Francisco oferecem aos jovens e à Igreja de hoje uma mensagem de paz, simplicidade, diálogo e fraternidade. Francisco ensina a promover a paz começando por nós mesmos e alcançando os outros, aproximando-se das pessoas e sabendo “falar a língua dos jovens”, com uma comunicação simples, não agressiva e aberta ao diálogo. Em um mundo marcado por guerras, divisões e dificuldades de convivência, seu exemplo convida a olhar nos olhos, escutar, acolher as diferenças e construir comunhão na diversidade. Sobre o encontro dos jovens com o Papa Leão XIV, a expectativa é de uma palavra iluminada pelo Espírito Santo, capaz de oferecer conforto, coragem e estímulo para que os jovens tenham ousadia diante da vida e também ajudem os adultos a compreender o mundo atual. No contexto do Jubileu dos 800 anos da morte de São Francisco, a Família Franciscana é chamada a transformar sua mensagem em vida concreta, evitando que a fé permaneça apenas em conceitos e livros, mas chegue ao coração e à realidade das pessoas. Por fim, a mensagem aos ouvintes é “paz e bem”, acompanhada de um apelo à coragem e à perseverança diante das adversidades, confiando que, com Cristo, é possível vencer os desafios: Frei Marcos na Sala de Imprensa do Sacro Convento Assis é conhecida como a cidade da paz e também essa realidade de Francisco, esse homem que promoveu a paz. E você tem razão, Assis tem esse ar diferente, esse ar que respiramos aqui, para levar onde nós estamos morando, levar para as nossas casas. E essa paz precisa ser promovida em todos os momentos. Antes de mais nada, dentro de nós mesmos, depois aos nossos familiares e depois para todo mundo. Francisco nos ensina assim. E hoje que recebemos os jovens, nesses dias, que vai ter o encontro com o Papa, esses jovens vendo esses jovens que caminham, que querem encontrar sentido para a vida deles, isso é muito bonito. É muito triste para mim pensar, às vezes, que dizem que os jovens de hoje estão perdidos. Eu acho que não é verdade. Os jovens também buscam, os jovens querem encontrar o sentido para a própria vida. E é o mundo deles, não é mais o nosso, digamos assim. E acredito que também a gente, na nossa infância, fomos criticados pelos nossos pais, pelos adultos daquela época. E devemos saber falar a língua dos jovens. Eu acho que isso também é um sentido muito forte de paz. Francisco soube falar a língua das pessoas, no sentimento, no coração, chegando perto dessas pessoas, tendo contato com elas. É fácil dizer alguma coisa quando a gente olha de longe. Mas conviver, estar juntos, como dizia Papa Francisco, temos que ter o odor das ovelhas, esse cheiro de ovelha, que o pastor tem que ter esse cheiro, senão não podemos acompanhar. E Assis nos promove, Assis nos “bombardeia” dessa paz, desse amor, que podemos levar a todos. O que São Francisco, um santo do século XIII, tem a dizer aos jovens de hoje? Parece que não tem muito o que dizer. Uma pessoa que viveu 800 anos atrás, o que pode dizer para os jovens de hoje, para a modernidade de hoje? Parece que não tem, mas tem muito, sabe por quê? Francisco é um homem da simplicidade, é o homem que fala direto, é o homem que usa palavras simples para chegar às pessoas. Então acho que é uma coisa que o nosso mundo precisa tanto. Às vezes, nossas comunicações são tão complexas, são comunicações tão agressivas, comunicações nas redes sociais que vemos, com opiniões diferentes, e só porque tem uma opinião diferente, precisa ser agressivo, precisa usar essas palavras fortes. Francisco vai encontrar o Sultão, que tinha opiniões - entre ele e o Sultão - opiniões totalmente diferentes, mas conseguiram se comunicar. Uma boa comunicação. Às vezes nós temos boas intenções, mas a nossa comunicação não é boa. E isso que é interessante, Francisco é capaz de ler o momento. Ele não é um homem que chega no diálogo preparado. Ele lê o ambiente e aí deixa o Espírito Santo conduzir para levar a palavra certa naquele momento, para aquela pessoa específica. Eu acho que é isso que o Francisco nos trás hoje, a simplicidade de uma boa comunicação. São Francisco tem várias características da personalidade, chama a atenção o seu despojamento, a radicalidade da sua entrega. Era um homem que vivia a oração no seu dia a dia, vivia uma vida de oração, a simplicidade, o cântico das criaturas, essa ligação com a criação. Que aspecto em particular de São Francisco seria uma urgência para a Igreja hoje, mas também para a sociedade e para o mundo atual, neste momento delicado. Voltando ainda no tema da comunicação, uma boa comunicação gera fraternidade, gera comunhão. Eu acho que é isso de Francisco também. Isso é uma coisa que me encantou muito nos frades, pessoas que vivem juntas, pessoas que vivem e compartilham as coisas juntas, com todos os desafios, com todas as dificuldades que podem aparecer nessas relações. Mas eu acho que a coisa que mais falta para nós hoje é olhar no olho, é encontrar, é escutar a opinião diferente, é ser empático, é ter a capacidade de ser comunhão no diferente. Unidade na diversidade, Francisco é muito isso. E nosso mundo, a gente vivendo essas guerras, a gente vivendo tantas situações, às vezes, também até em famílias, situações muito particulares, que as pessoas não conseguem viver unidas, viver em comunhão. E comunhão não é ter a mesma ideia.  Francisco viveu com várias pessoas com pensamentos muito diferentes, mas ele é capaz de comunicar sem agredir. Ele é capaz de anunciar sem ofender. E eu acho que no mundo de hoje, a gente precisa disso, a simplicidade de olhar nos olhos. São Francisco de Assis, jovens e Leão XIV. O Papa também tem uma linguagem que procura cada vez mais chegar até os jovens. Qual a expectativa para este encontro na manhã de quinta-feira? Eu não pensei nisso. Não tinha pensado nisso e acredito que também não penso. Eu acho que é o Espírito Santo que vai dizer o que precisa ser dito a esses jovens, deixar que seja Deus a escolher essas palavras. E o que eu quero, eu acho que todo mundo quer: que o Papa venha, acolha esses jovens. A gente sabe, a juventude da dúvida e da busca da certeza, da inconsistência, mas ao mesmo tempo, encontrar sentido na vida. E que o Papa traga uma palavra, que o Espírito Santo ilumine o Papa para dar essa voz também aos jovens. Aqui em Assis, a gente recebe tantas pessoas, tantos jovens, e é interessante escutar os jovens. O que eles pensam? Será que a gente perguntar para os adultos hoje: você sabe o que os seus filhos pensam? Você sabe qual é a ideia dos jovens hoje, na sua comunidade, o que  os jovens pensam? Eu acho que é escutar também. Eu acho que não é só tanto falar, não é somente falar, mas também escutar. Aqui vai ser uma celebração da Santa Missa e que o Papa possa trazer essa palavra de conforto, de coragem e que o caminho dos jovens possam ter essa capacidade de ousar. Porque a juventude é risco. Então arriscar as coisas, ter coragem de arriscar, e que o Papa possa trazer essa palavra aos jovens, porque eles são, é uma frase que todo mundo diz: "os jovens são o nosso futuro", e é verdade, e que eles nos ajudem também a compreender o mundo de hoje. Esse encontro da juventude franciscana aqui em Assis, também a visita do Papa, se realiza no âmbito desse ano jubilar dos 800 anos da morte de São Francisco. Como a Família Franciscana está vivendo esse período e também a Igreja? A gente viveu no começo do ano, a exposição do corpo de São Francisco, que foi um momento muito especial para todos nós. E acredito que também do que eu estou vendo no mundo, de modo especial no Brasil, que eu acompanho mais, quantas paróquias estão se movendo para fazer convênios, encontros, peregrinações também no Brasil e também aqui em Assis. E precisamos aproveitar esse ano jubilar, que é 800 da morte, mas é 800 também de  uma vida concreta. Se traz mensagem, se Francisco consegue trazer mensagem a nós até hoje, é porque o tema que nós usamos para a ostensão, “Francisco vive e vive concretamente no meio de nós”. Então que possamos utilizar desse ano para buscar mais vida, buscar mais realidades concretas na nossa vida e não ficar apenas em conceitos, em ideias, em uma teologia  que termina nos livros, mas que vai na vida, que vai na carne, que entra no coração do ser humano. E isso possa nos levar a conhecer profundamente essa vida que Francisco também nos traz a cada dia. Como franciscano, que mensagem o senhor deixaria para os nossos ouvintes? A primeira coisa que me vem na mente é paz e bem. Que Deus te dê a paz e te dê o bem. Tenha coragem de enfrentar a vida - no sentido mais positivo da palavra - tenha coragem, como o Evangelho de hoje, nós olhamos essa cananeia que pede a Jesus uma ajuda para sua filha e Jesus parece que responde rispidamente a ela, dizendo que não podemos dar comida aos cachorrinhos. E ela responde: "Mas também os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa do seu patrão". Eu acho que Jesus quer ensinar os seus discípulos a olhar. Olhem, isso é fé. Uma mulher que recebeu "não" toda a vida e nunca desistiu. Quantas vezes aqui ela está caminhando com a gente, ela está gritando e ninguém está dando atenção para ela. E ela não parou. Eu acho que Jesus quer ensinar os discípulos: isso é fé. Adversidades, todos nós temos.  Dificuldades, todos nós temos, mas não podemos parar, porque temos um Deus por nós. Então, caro ouvinte, coragem, Cristo venceu o mundo!

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