Guatemala: frei Monasterio é Beato. Cardeal Robles Ortega: que seu exemplo inspire a viver na solidariedade

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Guatemala: frei Monasterio é Beato. Cardeal Robles Ortega: que seu exemplo inspire a viver na solidariedade
Fonte: VATICANO

Em Antigua, o cardeal mexicano, arcebispo de Guadalajara, presidiu neste sábado, 7 de novembro, à Missa de Beatificação do franciscano, assassinado por ódio à fé durante a guerra civil que assolava o país centro-americano em 1983. Inspirados por seu exemplo, afirmou, devemos ser «pastores com cheiro de ovelhas», capazes de permanecer ao lado dos perseguidos, dos marginalizados e daqueles que buscam o conforto da fé.

Guatemala: frei Monasterio é beatificado.

Cardeal Robles Ortega: que seu exemplo inspire a viver na solidariedade Em Antigua, o cardeal mexicano, arcebispo de Guadalajara, presidiu neste sábado, 7 de novembro, à Missa de Beatificação do franciscano, assassinado por ódio à fé durante a guerra civil que assolava o país centro-americano em 1983.

Inspirados por seu exemplo, afirmou, devemos ser «pastores com cheiro de ovelhas», capazes de permanecer ao lado dos perseguidos, dos marginalizados e daqueles que buscam o conforto da fé.

Vatican News «Que o beato frei Augusto Rafael Ramírez Monasterio inspire as famílias guatemaltecas a viver na humildade e na solidariedade» e «sustente os sacerdotes de todo o mundo na fidelidade cotidiana às promessas de sua ordenação!».

Esse foi o desejo expresso pelo cardeal mexicano Francisco Robles Ortega, arcebispo de Guadalajara, que presidiu neste sábado, 7 de novembro, em Antigua, na Guatemala, à Missa de Beatificação de Augusto Rafael Ramírez Monasterio, no 43º aniversário de sua morte.

O purpurado participou da celebração como representante do Papa, que na quarta-feira anterior, ao término da audiência geral, havia recordado esse «sacerdote da Ordem dos Frades Menores, assassinado por ódio à fé em 1983».

O Evangelho proclamado na liturgia é aquele no qual Jesus exorta a não ter medo daqueles que matam o corpo, mas a temer aquele que pode fazer perecer a alma e o corpo na Geena.

Foi justamente essa passagem que frei Augusto proclamou no dia de sua ordenação sacerdotal, «como um convite a viver o ministério com coragem e confiança», destacou o cardeal em sua homilia. «Anos depois, aquelas mesmas palavras se tornariam uma síntese de sua própria existência.

O Evangelho que escutou no início de seu caminho sacerdotal iluminou também o caminho de sua entrega final».

Guatemala, terra de mártires «Ao contemplar sua entrega – ressaltou o cardeal Robles Ortega –, é impossível não voltar o olhar para a história e a identidade profunda desta nação: a Guatemala é, por graça e história, uma bela e dolorosa terra de mártires», homens e mulheres que, em tempos difíceis, não hesitaram em colocar a fidelidade ao Evangelho acima da própria vida.

O purpurado recordou que, na imagem oficial de frei Augusto, ele aparece com as mãos escondidas nas mangas do hábito franciscano.

Isso porque, poucos dias antes, havia sido sequestrado e torturado, sendo depois pendurado no teto com algemas de ferro que deixaram suas mãos machucadas e queimadas.

Por esse motivo, preferiu escondê-las quando lhe fizeram uma fotografia. «Hoje, frei Augusto – prosseguiu o cardeal – une-se oficialmente a este altar de testemunhas fiéis: um pastor que preferiu o silêncio fiel à traição de seu ministério.

Uma voz que hoje representa todos aqueles irmãos e irmãs que, infelizmente, sofreram o mesmo destino, mas que, com fidelidade e coragem, deram um vigoroso testemunho de fé».

Em junho de 1983, frei Augusto prestou ajuda a um camponês que, depois de aderir à guerrilha armada, desejava recomeçar sua vida, beneficiando-se da anistia concedida pelo governo.

Depois de ouvi-lo em confissão, acompanhou-o até a polícia.

Entretanto, tanto o sacerdote quanto o camponês foram conduzidos à base militar de Chimaltenango, onde foram interrogados e espancados.

A violência particularmente severa contra o religioso tinha como objetivo arrancar-lhe informações sobre aquilo que havia escutado em confissão.

Seu martírio ocorreu em 7 de novembro de 1983.

Defesa do segredo da Confissão Ao recordar sua «heroica defesa do segredo da Confissão», o cardeal Francisco Robles Ortega ressaltou que essa é «uma exigência absoluta que decorre diretamente da santidade do sacramento». «Defender o sigilo sacramental significou, para ele, defender a dignidade de cada pessoa, garantindo que o pecador pudesse sempre encontrar um refúgio seguro onde reconstruir sua vida», afirmou o purpurado, destacando que dessa fidelidade até o martírio decorrem compromissos muito claros e urgentes para todos os sacerdotes do século XXI.

Defesa dos pobres e marginalizados «Depois de exercer seu ministério na Espanha, frei Augusto retornou à sua terra natal para dedicar-se à atividade pastoral e à defesa dos mais pobres.

Nosso ministério não pode ser alheio à dor do nosso povo», enfatizou o cardeal. «Devemos ser pastores com cheiro de ovelhas, capazes de permanecer ao lado dos perseguidos, dos marginalizados e daqueles que buscam o conforto da fé, rejeitando a tentação do exílio confortável ou do silêncio covarde diante da injustiça». «Hoje – prosseguiu – podemos contemplar toda a vida de frei Augusto como um longo caminho rumo àquela palavra que escutou no dia de sua ordenação: “Não tenhais medo”».

Ele viveu essa Palavra quando serviu ao seu povo e quando foi colocado à prova. «E levou-a até as últimas consequências quando decidiu permanecer fiel ao ministério que Deus havia confiado ao seu sacerdócio».

O beato frei Augusto «nos ensina que o Evangelho não é anunciado apenas com os lábios.

Existem momentos em que deve ser proclamado por meio das decisões, da fidelidade, do serviço e da própria vida».

O sacramento da Eucaristia O cardeal concluiu citando um trecho de uma das homilias de frei Augusto, pronunciada por volta de 1982: «Que maneira melhor de compartilhar a alegria do que por meio da celebração da Eucaristia, banquete sacramental que faz Deus aproximar-se do homem e permite ao homem participar de Deus!

É verdade que isso nos é concedido por meio da fé, mas se realiza sobretudo no sacramento da Eucaristia, onde o homem, alimentando-se do Corpo de Cristo e bebendo o seu Sangue, configura-se a Cristo».

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