Esta preocupação foi tornada pública na terça-feira, 27 de janeiro, por Dom Vítor Quematcha, Bispo de Bafatá, durante a homilia da celebração do Ano Jubilar dos 25 anos do Seminário Maior Interdiocesano, que será assinalado com várias atividades ao longo do ano.
Por Casimiro Jorge Cajucam – RSM, Bissau Na sua reflexão, Dom Vítor Quematcha afirmou que muitas pessoas vivem hoje cansadas, feridas e sem horizontes, sublinhando que, mesmo num contexto difícil, Deus continua a chamar o seu povo à confiança e à esperança. “A nossa celebração acontece num contexto marcado por fragilidades sociais, instabilidade política, violência, divisões e desconfianças. Muitas pessoas vivem cansadas e feridas, mas é neste cenário difícil que Deus continua a chamar o seu povo à confiança e à esperança”, disse. O Bispo da Diocese de Bafatá destacou ainda que a Igreja na Guiné-Bissau é chamada a ser uma Igreja próxima do povo, que não fecha os olhos às feridas da nação. O evento serviu igualmente para assinalar os 27 anos da morte do primeiro bispo da Guiné-Bissau e patrono do Seminário Maior Interdiocesano. Recordando o legado de Dom Settimio Arturo Ferrazzetta, Dom Vítor Quematcha sublinhou que este ensinou que o verdadeiro pastor não foge das dificuldades. “Somos chamados a ser uma Igreja próxima do povo, atenta às feridas da nação, que educa para a paz, promove a verdade, constrói a fraternidade e não se deixa capturar por lógicas de poder ou interesses pessoais. Dom Settimio Arturo Ferrazzetta foi um bispo que amou este povo sem reservas e ensinou que o verdadeiro pastor caminha com o povo, partilhando as suas alegrias e sofrimentos”, finalizou. Entretanto, o primeiro reitor do Seminário Maior Interdiocesano, padre Domingos Cá, afirmou que a Guiné-Bissau continua longe de concretizar o sonho de uma paz efetiva, tão desejada pelo primeiro bispo do país. “O legado de Dom Settimio é o de sermos construtores da paz. Desde a sua morte, em 27 de fevereiro de 2009, continuam a repetir-se episódios de violência no país. Por isso, apelamos para que cada guineense aceite ser instrumento de paz e de reconciliação”, concluiu. A Igreja Católica na Guiné-Bissau vive atualmente um tempo jubilar significativo, com a celebração dos 25 anos da Diocese de Bafatá e a preparação para os 50 anos da Diocese de Bissau, a assinalar no próximo ano.