O Bispo da Diocese de Embu, no Quénia, e vice-presidente da Comissão para a Juventude da Conferência Episcopal do Quénia, Dom Peter Kimani, afirma que os jovens da região da AMECEA procuram respostas, inclusão e envolvimento, e querem participar como colaboradores empenhados, incluindo nas estruturas de liderança da Igreja.
Paul Samasumo – Cidade do Vaticano Falando em conferência de imprensa organizada pela AMECEA, e acompanhada pelo Vatican News, Dom Peter Kimani afirmou que a 21ª Plenária da Associação Regional das Conferências Episcopais na África Oriental (AMECEA), que decorre actualmente na capital do Quénia, Nairobi, chegou num momento oportuno. Discussões sinodais Dom Kimani manifestou-se confiante de que os Bispos da África, juntamente com as delegações de jovens presentes na Plenária e empenhados numa dinâmica sinodal, chegariam a resoluções pastorais satisfatórias. “A juventude da África está revitalizada em termos de fé” e no que diz respeito a questões relacionadas com o seu futuro. A Igreja na região da AMECEA, afirmou o prelado, deve acolher esta oportunidade pastoral de dialogar com os jovens, não só durante a Assembleia Plenária, mas também posteriormente. Uma geração iluminada Dom Kimani afirmou ainda que a Igreja na região da AMECEA decidiu envolver-se com os jovens, pois eles representam o presente e o futuro. "Ao observarmos a mobilização juvenil ocorrida, por exemplo, aqui no Quénia, percebemos que os jovens não são alheios ao que se passa à sua volta", ressaltou o prelado queniano. A mobilização e a revolta lideradas pela "Geração Z" no Quénia apanharam os quenianos de surpresa e abalaram a classe política. A partir de junho de 2024, as autoridades do país viram-se confrontadas com manifestações não violentas que eclodiram por toda a nação. Tratava-se de um movimento altamente organizado, coordenado sobretudo através de plataformas como o X, TikTok e Instagram. “Os jovens estão bem-informados; têm uma consciência aguda daquilo que está a acontecer. Ao mesmo tempo, vemos também os seus medos, as preocupações e as dúvidas sobre si mesmos, as incertezas quanto ao futuro, minando a confiança em instituições como governos e a Igreja ... Os desafios são muitos. Mesmo no seio das famílias, os jovens lutam para encontrar o seu lugar. Nesta Assembleia Plenária e nos preparativos que a antecederam, os jovens expressaram-se com clareza. Falaram. Como Bispos, nós os escutámos”, disse Dom Kimani. Plano pastoral de quatro anos Depois de escutarmos os jovens da região da AMECEA, os Bispos afirmam estar a considerar a implementação de uma prioridade pastoral de quatro anos dirigida às questões relacionadas com a juventude. O plano incluirá programas de ação que abordam a inclusão efetiva dos jovens na vida e na missão da Igreja, a revisão de algumas estruturas da AMECEA — visando institucionalizar a representação e a participação regional da juventude — e o reforço das capelanias católicas nos países membros da organização. Outra área que exige atenção prioritária são as questões ligadas à sensibilização para a saúde mental entre os jovens. A AMECEA compromete-se a dar prioridade à formação da juventude e a criar programas de mentoria destinados a orientar os jovens perante os desafios económicos. A juventude nos espaços digitais “Os jovens fazem parte da Igreja. Vamos ao seu encontro, inclusive nos espaços digitais onde muitos deles estão”, disse Dom Peter Kimani. Entre outras coisas, os jovens delegados na Plenária da AMECEA solicitaram autorização para criar Pequenas Comunidades Cristãs online, bem como a formação para atuarem como missionários digitais e cursos de formação que respondam ao desafio do desemprego jovem num mundo digital. “Enquanto procuramos aproximar os jovens de nós, precisamos de colaborar com eles, trabalhar em conjunto, escutarmo-nos uns aos outros e agir em unidade para tornar a Igreja melhor e criar comunidades acolhedoras, mas também para oferecer aos jovens a esperança e a orientação de que necessitam, a fim de que herdem instituições e estilos de liderança credíveis, que sirvam as pessoas e estejam centrados nos princípios da Doutrina Social da Igreja”, concluiu dizendo à imprensa o Bispo de Embu, Dom Kimani.