Após o ataque armado, ocorrido durante um funeral, à Igreja Greco-ortodoxa de São Jorge, em Hmoud, que causou 8 mortos e 40 feridos, os representantes das comunidades cristãs afirmaram que tal ação não fará senão fortalecer o vínculo com a Terra Santa e o diálogo inter-religioso: “a unidade vai repelir o extremismo e qualquer tentativa de semear divisão e discórdia”.
Giovanni Zavatta - Vatican News “Se o objetivo dessa ação é nos expulsar da Terra Santa e nos obrigar a fugir, o único resultado que vai alcançar será o de fortalecer nosso vínculo com ela e aprofundar ainda mais nossas raízes neste lugar.
Tal ato atroz e sangrento não irá abalar a nossa unidade nacional, nem nossa determinação inabalável.
Pelo contrário, reforça ainda mais os laços entre cristãos e muçulmanos, unindo-nos em torno de nosso líder hachemita».
É firme e inequívoca a declaração com a qual o Patriarca Greco-ortodoxo de Jerusalém, Teófilo III, condenou sem reservas o atentado terrorista perpetrado na sexta-feira, 23 de outubro, na Jordânia, na Igreja Greco-ortodoxa de São Jorge, na aldeia de Hmoud, província de Al-Karak.
Medidas de segurança foram reforçadas enquanto se procura os agressores Pelo menos três homens armados invadiram o local durante uma cerimônia fúnebre, abrindo fogo indiscriminadamente contra os fiéis indefesos, matando 8 pessoas e ferindo outras 40.
As autoridades jordanianas afirmaram que ainda estão atrás dos agressores, acrescentando que é prematuro determinar se há ligações com grupos conhecidos, dentro ou fora do país.
Até o momento, não houve nenhuma reivindicação do ato criminoso. “Esse é o resultado de uma ideologia terrorista e de um extremismo cego; não permitiremos que a sociedade siga esse caminho”, escreveu o primeiro-ministro, Jafar Hassan, em uma postagem no X, enquanto o rei da Jordânia, Abdullah II, dirigiu-se ao local do massacre, declarando que os responsáveis serão punidos “com mão de ferro”.
Enquanto isso, as medidas de segurança foram reforçadas em shoppings, embaixadas estrangeiras e outros locais sensíveis em todo o reino hachemita.
A firmeza do Patriarca Greco-ortodoxo Teófilo III Teófilo III, que na Jordânia é representado por dois vigários patriarcais em Amã e em Irbid, destacou em sua declaração que, “por mais graves que sejam os acontecimentos que estão ocorrendo ao nosso redor e por mais difíceis que sejam as provações que somos chamados a enfrentar, nunca abandonaremos nossa terra.
Somos filhos desta terra, nós mesmos somos suas origens e fazemos parte de sua história, de seu presente e de seu futuro.
Permaneceremos aqui, testemunhando nossa fé, independentemente da magnitude dos desafios e da gravidade das provações”.
O Patriarca Greco-ortodoxo manifestou ainda a convicção de que a sociedade jordaniana “permanecerá imune a qualquer ideologia obscura e extremista” e que esse ato criminoso “é completamente alheio ao islamismo moderado, tal como é promovido e praticado no país de maneira discreta e sensata”.
Solidariedade dos líderes das Igrejas de Jerusalém Os patriarcas e líderes das Igrejas de Jerusalém expressaram dor e consternação.
Em um comunicado divulgado neste sábado (24/10), eles se referem a um “ataque terrorista brutal e desumano” contra civis indefesos, que “constitui uma grave ofensa a Deus e à humanidade”.
Atacar pessoas em oração, dentro da casa de Deus, enquanto choram seus entes queridos, viola todos os valores sagrados e humanos”, prosseguem, destacando que “trata-se de uma agressão a toda a comunidade cristã do Reino Hachemita da Jordânia e ao tecido social jordaniano, um modelo exemplar de convivência onde muçulmanos e cristãos vivem unidos, em espírito de fraternidade, há gerações”.
Ao luto dirigido às famílias das vítimas e à solidariedade fraterna manifestada a Teófilo III, soma-se, no entanto, “o consolo” pelas palavras inequívocas de Abdullah II e pela firme rejeição a tal ato por parte do povo jordaniano: “ações desse tipo não podem, nem jamais conseguirão, abalar a unidade do povo da Jordânia”, concluem os representantes das Igrejas de Jerusalém, convidando todas as paróquias da região a tocar os sinos ao meio-dia (hora da Jordânia), em sinal de solidariedade e oração pelos fiéis falecidos e pelos feridos.
O Patriarcado Latino sobre a importância do papel desempenhado pelo rei Abdullah II Na sexta-feira (23/10), de forma isolada, o Patriarcado Latino de Jerusalém se pronunciou, expressando condenação e pesar, e destacou o papel desempenhado pela família hachemita, liderada pelo rei Abdullah II, “na consolidação dos valores de moderação e tolerância, na defesa da dignidade humana e na salvaguarda da liberdade de praticar os ritos religiosos”.
A coesão nacional do povo jordaniano representa “uma proteção fundamental contra o terrorismo, o extremismo e qualquer tentativa de semear divisão ou discórdia”.
Os jordanianos, tanto muçulmanos quanto cristãos, formam uma única família nacional — diz a declaração — unida por uma história compartilhada e um destino comum, ligada por laços de afeto, pertencimento e lealdade à sua terra e à sua liderança”.
Condolências também de Bartolomeu e do CMI De Roma, onde se encontra em visita, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu ligou para Teófilo III para expressar o mais profundo pesar, condenando sem reservas o atentado. “Todo ato terrorista é, na verdade, dirigido contra a convivência pacífica entre povos, religiões e culturas, que reveste uma importância vital, sobretudo para o Oriente Médio, que há muito tempo sofre”, diz uma nota.
O secretário-geral do Conselho Ecumênico das Igrejas, o reverendo Jerry Pillay, também destacou que “os fortes laços de amizade e respeito mútuo entre cristãos e muçulmanos na Jordânia não serão abalados por esse ato de violência”, pedindo a proteção de todos os locais de culto para que todos possam se reunir em oração com paz e segurança.