“Invocar a paz”: os apelos de Leão XIV sobre os conflitos no mundo - Vatican News via Acervo Católico

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“Invocar a paz”: os apelos de Leão XIV sobre os conflitos no mundo - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

As súplicas do Papa e as estratégias armadas de quem divide a humanidade, a educação para a fraternidade e a indústria da guerra.

Antonella Palermo - Vatican News Revisitar os apelos de Leão XIV pela paz significa explorar as facetas de uma palavra que contém desejo, oração, paciência, compromisso, perseverança, encontro, escolha, diplomacia, socorro. Uma palavra, portanto, tudo menos vazia de sentido. Em dez meses de pontificado, as invocações pela paz em um mundo que se tornou um barril de pólvora encontraram espaço em mensagens, catequeses, Audiências Gerais, encontros institucionais, saudações a peregrinos, telefonemas a chefes de Estado, Angelus e Regina Caeli, homilias, respostas a jornalistas. Um pedido incessante a Deus e aos homens para que não se persiga o fascínio do divisor, não se cave o fosso das polarizações, mas se esforce sem demora e sem medo - líderes políticos e religiosos, grupos, cidadãos, organismos internacionais - para construir aquela concórdia que é ao mesmo tempo dom e fruto da humanidade. Antes que se caia em um “abismo irreparável” “A guerra, novamente!”. De uma paróquia na periferia de Roma, no último domingo (01/03), o Papa não pôde deixar de expressar sua preocupação por um mundo em chamas: “a violência nunca é a escolha certa”, disse ele, ecoando o que já havia expressado no Angelus: “a estabilidade e a paz não se constroem por meio de ameaças recíprocas, nem com armas, que semeiam destruição, dor e morte, mas somente por meio de um diálogo razoável, autêntico e responsável”. Diante da possibilidade de uma “tragédia de proporções enormes”, o apelo sincero às partes, “para assumir a responsabilidade moral de deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável!”. Em seguida, destacou o papel fundamental da diplomacia que, segundo Leão, deve ser redescoberto e promovido para “o bem dos povos, que anseiam por uma convivência pacífica, fundada na justiça”. Sentir-se povo, não de forma nacionalista e agressiva No início da Quaresma, na Quarta-feira de Cinzas, o Papa destacou o significado edificante de “sentir-se povo”. Trata-se, dizia ele, de um sentimento que se expressa “não de forma nacionalista e agressiva, mas na comunhão em que cada um encontra o seu lugar”. Esse é um dos fundamentos da paz. As estratégias de poder militar não oferecem futuro, ressaltou novamente o Papa em 8 de fevereiro, futuro que, ao contrário, reside no respeito e na fraternidade dos povos. E enquanto insistia na concessão de uma trégua olímpica, o Papa voltou a implorar, no início do mês passado, para que “se faça todo o possível para evitar uma nova corrida armamentista que ameace ainda mais a paz entre as nações”. Para um Oriente Médio abalado por “tensões persistentes” – a referência era principalmente ao Irã e à Síria –, seu desejo, em 11 de janeiro, traduzia-se em cultivar “com paciência o diálogo e a paz, buscando o bem comum de toda a sociedade”. Desarmar os discursos, o mundo não se salva afiando espadas Na missa de início de 2026, o Sucessor de Pedro advertiu com palavras inequívocas que “o mundo não se salva afiando espadas”, julgando, oprimindo ou eliminando os irmãos, mas sim esforçando-se incansavelmente para compreender, perdoar, libertar e acolher a todos, sem cálculos e sem medo. Uma atitude, defendida pelo Papa, contrária às estratégias de morte que hoje envolvem o mundo. “Estratégias armadas, revestidas de discursos hipócritas, de proclamações ideológicas, de falsos motivos religiosos”. E sobre a hipocrisia de certa propaganda da qual a guerra se alimenta, o Papa já havia voltado a falar por ocasião do Jubileu da Diplomacia, em meados de dezembro, quando afirmou: “desarmemos proclamações”. A purificação de tantos discursos, observava Leão, não está tanto na sua beleza e precisão, mas na honestidade e prudência que os permeiam. O contrário da mediação, dizia ele, não é o silêncio, mas a ofensa, que se arma de mentiras, propaganda e hipocrisia. As armas matam, a mediação e o diálogo edificam Das tensões entre a Tailândia e o Camboja ao coração do continente africano, da Ucrânia devastada ao Sudão, Nigéria, Congo, Cabo Delgado: o apelo reiterado é sempre o mesmo: silenciar as armas para empreender seriamente o caminho do diálogo. Ele repetiu isso ao se despedir do Líbano, durante sua primeira viagem apostólica: “as armas matam, a negociação, a mediação e o diálogo edificam”. “O caminho da hostilidade mútua e da destruição no horror da guerra – palavras proferidas na missa celebrada em Beirute, naquele país dos Cedros que voltou a tremer – foi percorrido por tempo demais. É preciso educar o coração para a paz”. A paz não é apenas um equilíbrio, dizia Leão XIV às autoridades de uma nação onde a paz é “uma obra sempre em andamento”. A paz se constrói enxertando-a continuamente nas instâncias da verdade e da reconciliação. A paz, reflexo da amizade com Deus, é sempre possível Preocupado com os cristãos perseguidos nas zonas de conflito, os apelos do Papa Leão foram de encorajamento e esperança, também para que não fossem obrigados a fugir das suas terras. Referiu-se a eles evocando-os como “sementes” de reconciliação nas intenções de oração para o mês de dezembro, por exemplo. Cristãos como “profecia” de paz (do discurso aos bispos italianos reunidos em Assis para a assembleia geral), cristãos como testemunhas de paz (do livro de Leão XIV A força do Evangelho. A fé cristã em 10 palavras). Porque a paz, como o Papa repete continuamente, é algo que amadurece dentro de cada um: se está no interior, então pode manifestar-se em decisões e comportamentos. É algo que se forja frequentando Jesus, mestre da paz. É algo tangível, não utópico, a ser ancorado em Deus, na unidade entre as Igrejas para superar a intolerância, a violência, a exclusão. Assim, de fato, o Pontífice enfatizou na Turquia, junto com os líderes religiosos que, em uma só voz, levantaram o anseio universal pela concórdia entre os povos e as nações. Um encontro que reproduzia, no tom, no estilo e no conteúdo, aquele no Coliseu, onde Leão selou com a sua participação o evento Ousar a paz, organizado pela Comunidade de Sant'Egidio. “Somente a paz é santa. Chega de guerras com seus amontoados de mortos, chega!”, foram suas palavras naquela ocasião, úteis também para esclarecer qualquer concepção equivocada da fé: “Ai daquele que tenta envolver Deus para as guerras. Deus pedirá contas àqueles que não buscaram a paz ou fomentaram conflitos”. Porque, como ele lembrou na canonização de Acutis e Frassati, “Deus quer a paz”. Libertar os jornalistas presos Até mesmo a fome pode se transformar em arma de guerra. Isso foi denunciado pelo Papa Leão em sua visita à FAO, em meados de outubro, chegando a dizer que isso é um verdadeiro “crime”, um fracasso coletivo. O apelo aos governantes já havia sido feito em 21 de setembro, na missa na paróquia de Sant'Anna, no Vaticano, quando recomendou que o dinheiro não fosse usado em armas. A preocupação do Papa era com uma distorção dos fins que gera uma violência esmagadora para povos inteiros, vítimas também de uma “indiferença descarada”. E para manter os holofotes acesos, especialmente sobre os chamados conflitos esquecidos, devem continuar a ser os profissionais da informação que, segundo o Papa, precisam ser protegidos. “Ser jornalista nunca é um crime, libertar os repórteres presos”, disse o Papa no mesmo mês de outubro, ao receber no Vaticano os participantes da 39ª Conferência da Associação MINDS International, ocasião para lembrar o papel fundamental e crucial daqueles que relatam as guerras em primeira pessoa. A Santa Sé está disponível para que os inimigos se encontrem Ouvir o clamor e olhar para os rostos dos muitos “atingidos pela ferocidade irracional daqueles que, sem piedade, planejam a morte e a destruição”, afirmou o Papa em sua visita ao Quirinale, onde reiterou a importância do multilateralismo para a resolução de conflitos. Oitenta anos após os bombardeios atômicos sobre Hiroshima e Nagasaki, no último dia 6 de agosto, o Papa proferiu uma dura advertência contra a “devastação” nuclear. Hoje estamos diante de ameaças de tal magnitude que essas palavras não podem ser arquivadas. É preciso nos comprometermos coletivamente, lembrou ele já em junho, logo após ser eleito para o trono de Pedro: “ninguém ameace a existência do outro”. O compromisso da Santa Sé continua mais válido do que nunca: “para que essa paz se propague, farei todos os esforços”, foi a promessa do novo Papa no dia seguinte à eleição, por ocasião do Jubileu das Igrejas Orientais. “A Santa Sé está disponível para que os inimigos se encontrem e se olhem nos olhos. Com o coração nas mãos, digo aos responsáveis dos povos: encontremo-nos, dialoguemos, negociemos!”.

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