Irmã Ester: Igreja chamada a acolher e acompanhar pessoas em uniões poligâmicas

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Irmã Ester: Igreja chamada a acolher e acompanhar pessoas em uniões poligâmicas
Fonte: VATICANO

Acolher, escutar e acompanhar as pessoas que vivem em situações de poligamia, respeitando o seu percurso de fé, é um dos desafios pastorais da Igreja em África. A questão está no centro de um encontro de teólogos das seis Conferências episcopais que integram a Associação Inter-Regional dos Bispos da África Austral (IMBISA), que decorre de 2 a 6 de novembro, no Centro de Retiros Padre Pio, em Pretória, na África do Sul.

Por Sheila Pires, em Joanesburgo Entre os facilitadores está Irmã Ester Lucas José Maria, Filha da Caridade de São Vicente de Paulo, da província de Moçambique e membro da Comissão Teológica do Departamento da Evangelização do Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SCEAM).

A religiosa participou na elaboração de um documento sobre a poligamia, em resposta a questões levantadas durante o Sínodo sobre a sinodalidade.

O processo de elaboração do documento envolveu consultas em diferentes regiões de África, procurando compreender as diversas formas de poligamia, as suas causas e os desafios que coloca à vida da Igreja.

Para Irmã Ester, trata-se de uma questão que não se limita ao continente africano, mas que interpela a Igreja universal.

Uma questão para toda a Igreja Um dos principais desafios pastorais surge quando pessoas que já vivem em uniões poligâmicas encontram Cristo e manifestam o desejo de receber o sacramento de iniciação cristã – o Batismo.

Irmã Ester considera que a resposta da Igreja deve começar pelo acolhimento, pela escuta e pelo acompanhamento.

É necessário respeitar o percurso de cada pessoa e ajudá-la a compreender, progressivamente, as exigências da fé cristã.

A religiosa sublinha a importância de respeitar a pedagogia divina, que acompanha cada pessoa no seu tempo e processo de crescimento.

Isso não significa, contudo, administrar os sacramentos indiscriminadamente, sem considerar a situação concreta de cada um. [ Photo Embed: Grupo de Teólogos das seis Conferências episcopais da IMBISA participantes no encontro de Pretória] Evangelizar através da inculturação Para Irmã Ester, a evangelização implica sempre um processo de inculturação.

A Igreja é chamada a dialogar com as culturas, mas também a discerni-las à luz do Evangelho.

Esse discernimento deve abranger tanto as tradições culturais como as realidades contemporâneas.

A religiosa defende igualmente uma pastoral familiar mais estruturada e contínua, que comece na catequese e na infância, em vez de se concentrar apenas na preparação para o matrimónio ou na intervenção quando surgem dificuldades.

Neste sentido, propõe que as seis Conferências episcopais que integram a IMBISA — a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), a Conferência dos Bispos Católicos do Lesoto (LCBC), a Conferência dos Bispos Católicos da Namíbia (NCBC), a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), a Conferência dos Bispos Católicos da África Austral (SACBC) e a Conferência dos Bispos Católicos do Zimbabué (ZCBC) — partilhem as experiências e iniciativas pastorais já desenvolvidas nos seus contextos, particularmente no âmbito da inculturação e do acompanhamento das famílias. [ Audio Embed Oiça aqui a entrevista com Ir.

Ester Lucas, e partilhe]

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