No encontro “Nas raízes da Europa pela paz e a unidade”, do qual Leão XIV participará na próxima segunda-feira, 28 de setembro, na cidade natal de Robert Schuman, também estará presente uma delegação da Fraternidade Europeia de Estudantes dedicada a ele. O depoimento de um dos membros, Axel Raynaud, que fala de uma juventude que, apesar das “narrativas alimentadas pelo medo”, acredita em um continente promotor da paz e que não se resume a um mero mercado ou aparato administrativo.
Edoardo Giribaldi – Vatican News E se a Europa, entendida como instituição, desaparecesse amanhã?
Isso realmente mudaria alguma coisa?
As novas gerações parecem responder que não.
Nem mesmo se, em vez de um desaparecimento drástico, falássemos da sua “superação”.
Pois a visão pela qual um dos pais fundadores, Robert Schuman, acreditou e lutou durante a vida — ou seja, tecer o diálogo entre povos que outrora mobilizaram exércitos uns contra os outros — tem uma base sólida.
Mais do que qualquer “narrativa alimentada pelo medo”.
Ela não se sustenta em aparatos burocráticos complicados, mas em um impulso: “a paz alcançada nunca poderá se tornar obsoleta”.
Quem se faz porta-voz dessa convicção, forte e aparentemente contrária à corrente dominante, é Axel Raynaud, membro da Fraternité Européenne d’Étudiants Robert Schuman Argentorata, em Estrasburgo, que reúne, sob os ideais de Schuman, estudantes vindos de todos os cantos do mundo e de todas as origens.
O diálogo aberto aos “eurocéticos” Axel, juntamente com uma delegação da fraternidade, participará do encontro “Nas raízes da Europa pela paz e pela unidade” na segunda-feira, 28 de setembro, no Centro de Congressos de Metz, dedicado aquele que foi duas vezes presidente do Conselho de Ministros da França e do Parlamento Europeu, para quem a Igreja iniciou o processo canônico de beatificação.
Nesta cidade, hoje francesa, mas que na época era alemã, Schuman cresceu, e aqui nas proximidades, na igreja de São Quintino em Scy-Chazelles, ele está sepultado. “Estão realmente todos entusiasmados e mal podem esperar para estar lá”, conta o jovem à mídia do Vaticano, descrevendo as diversas razões que levaram seus colegas a empreender a viagem de Estrasburgo, outro centro nevrálgico das instituições continentais.
O que distingue esse grupo é, de fato, a ideia de que a fraternidade se constrói “em pequena escala”, unindo vozes e opiniões diferentes — no caso deles, inclusive “eurocéticas” —, mas mantidas juntas por uma condição reiterada várias vezes pelo próprio Pontífice: o diálogo é a chave para olhar para frente e seguir em frente.
A Europa sonhada por Schuman O próprio Schuman era um defensor incondicional dessa mesma tese, considerando a Europa “um instrumento para construir a paz, a reconciliação entre os povos e a solidariedade”.
E é justamente essa a esperança das novas gerações: que o discurso do Papa relembre como “a Europa não pode ser reduzida às suas instituições ou à sua economia.
É um projeto de fraternidade, de humanidade e de responsabilidade para com as gerações futuras”.
Dialogar com base nas emoções comuns Grande, portanto, é a expectativa em relação às palavras de Leão XIV, na esperança de um novo apelo ao diálogo e a um esforço genuíno em prol da compreensão mútua.
Uma abertura nada óbvia, em uma época que enfrenta, entre seus desafios mais insidiosos, a tendência ao isolamento, a tentação de não falar mais livremente, de julgar a priori errado o ponto de vista alheio, trancando-se em seu próprio círculo ou “bolha”.
De onde nasce, então, o diálogo, segundo os jovens europeus?
Da identificação de sentimentos comuns, responde Axel: ansiedades e sofrimentos, convicções que podem ser ouvidas sem que isso signifique renegar as próprias, mas expressas com respeito, atenção e espírito de fraternidade.
Mais do que um mercado ou de um aparato A Fraternité Européenne d’Étudiants Robert Schuman Argentorata, em Estrasburgo, está ligada a outras entidades que promovem o diálogo em nível europeu, com base nos valores cristãos: desde a European Cartel Association (EKV) até a Union of Christian Students (UCS).
Seus ideais remetem aos de Schuman, que acreditava em uma Europa forte, não reduzida “a um mercado, a um aparato administrativo ou a um interesse econômico”.
Um pensamento que o próprio estadista amadureceu ao aderir à histórica federação de associações estudantis católicas, a Unitas.
Uma paixão insuperável O entusiasmo, a esperança de um impulso que surja do coração do continente, é palpável.
No entanto, a opinião pública frequentemente reflete uma visão diametralmente oposta, e parece fácil descartar como ultrapassados os ideais de uma Europa que dialoga e reconcilia. “Temos pessoas que acreditam na necessidade de uma Europa federal.
Outros pensam em uma Europa das nações, enquanto alguns são mais críticos ou mais distantes de Bruxelas”.
A própria fraternidade, portanto, se abre ao debate incômodo, mas o faz apoiada por uma certeza: o discurso europeu não se esgota em sua expressão institucional.
Suas histórias estão intrinsecamente ligadas umas às outras, e sua integração é uma fonte de paz duradoura.
E Axel afirma: “Mesmo que a União Europeia desaparecesse amanhã, continuaríamos a ter laços que não se dissipariam de um dia para o outro.
Portanto, quando as pessoas nos dizem que nossa paixão pela Europa está ultrapassada, a resposta é que ela não se baseia em uma única instituição.
Nossa paixão pela Europa se baseia na convicção de que a paz entre as pessoas, a convivência e a cooperação nunca estão garantidas para sempre.” Acreditar na cultura e na civilização A própria Metz, como já foi dito, antes alemã e hoje francesa, é um exemplo concreto de integração e unidade que antes pareceria impossível.
Hoje, fala-se, de fato, de “cultura europeia”, com uma história e valores próprios.
Uma “civilização”, em suma. “E mesmo que algumas narrativas alimentadas pelo medo queiram nos fazer acreditar no contrário”, conclui Axel, “a paz que alcançamos na Europa nunca poderá se tornar obsoleta.
Portanto, enquanto tivermos uma civilização e uma história compartilhadas, poderemos continuar acreditando na Europa”.