O cardeal prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso falou no dia 7 de outubro, na Antonianum, em Roma, no âmbito da conferência “O encontro de 27 de outubro de 1986 e a Magnifica humanitas de Leão XIV”. O “Espírito de Assis”, ainda está vivo 40 anos depois, ressaltou ele, e nos diz que a resposta cristã à guerra e o único caminho para a paz é “uma humanidade que reza, que caminha unida, que se desarma primeiro”.
Alessandro Di Bussolo – Vatican News Desde o histórico Dia de Oração das Religiões pela Paz em Assis, em 27 de outubro de 1986, até a encíclica Magnifica humanitas do Papa Leão XIV, aqueles que acreditam na paz sempre sustentaram que "a confiança e a fraternidade são a única arquitetura possível para um futuro sustentável".
Os dois eventos, separados por 40 anos, nos dizem que "a humanidade é maior do que qualquer poder que busque diminuí-la".
Foi o que disse o prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, cardeal George Jakob Koovakad, em seu discurso na conferência intitulada "O encontro de 27 de outubro de 1986 e a Magnifica humanitas de Leão XIV", proferido na tarde de quarta-feira, 7 de outubro, na Pontifícia Universidade Antonianum, em Roma, organizada pelo Instituto Franciscano de Espiritualidade como o primeiro de uma série de encontros intitulada "O Espírito de Assis entre memória e profecia".
A guerra não é um destino inevitável O cardeal indiano recordou que, em 1986, o desafio era "não deixar que a lógica dos bloqueios, ou a negação ideológica do sentido religioso, tivesse a última palavra", enquanto hoje "trata-se de não deixar que a lógica da força, amplificada por algoritmos, nos convença de que a guerra é um destino inevitável".
Em ambos os casos, esclareceu Koovakad, "a resposta cristã é a mesma: uma humanidade que reza, que caminha unida, que se desarma primeiro".
E que testemunha a fraternidade como o único projeto possível, porque não há outro que se sustente: "Nem o equilíbrio do terror, nem a corrida armamentista, nem a dominação tecnológica sem responsabilidade".
O Dia de oração e o mundo em 1986 O discurso do prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso começou, recordando o mundo em 1986 e a razão da decisão de São João Paulo II de convocar o Dia de Oração e de o fazer em Assis, cidade de um homem de paz, São Francisco.
O pobrezinho tinha uma saudação que "lhe fora revelada": "Que o Senhor lhes dê a paz", porque para ele, a paz não é uma estratégia nem uma ideologia, mas "um dom que vem do alto e é oferecido, de mãos nuas, a todos os que encontramos".
Há quarenta anos, a Europa ainda estava dividida pela Cortina de Ferro, e o Muro de Berlim cairia três anos depois.
Em 1986, quando a ONU proclamou o Ano Internacional da Paz, recordou Koovakad, alguém sugeriu promover um encontro ecumênico sobre o tema, e o Papa pareceu-lhe o mais indicado para o convocar.
Durante os preparativos, o encontro foi aberto a representantes de outras religiões, na sequência do documento conciliar Nostra Aetate, que afirma que a Igreja "não rejeita nada do que é verdadeiro e santo" nas outras religiões, e convida a considerar seus modos de vida e doutrinas com estima e respeito.
O anúncio a São Paulo e a escolha de Assis O Papa Wojtyla, com sua intuição, freou as tentativas de quem, como o ateísmo oficial da Europa Oriental, buscava a paz "independentemente do sentimento religioso", mas, em vez disso, fez um apelo por ela.
E anunciou a convocação do Dia Mundial de Oração pela Paz em 25 de janeiro, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros: o mesmo lugar e o mesmo dia em que, em 1959, São João XXIII tinha anunciado o Concílio.
Foi escolhida Assis, a cidade de São Francisco, reconhecido como irmão pelos fiéis de todas as tradições religiosas.
E o Papa deixou claro que não se tratava de uma cúpula diplomática, mas de uma peregrinação, um jejum e uma oração.