Feliz com a nova missão para a qual foi chamado pelo Papa Leão XIV, o cardeal recorda seu serviço à Igreja, os 28 anos vividos no Vaticano e o grande bem que recebeu dos "preferidos de Deus".
Benedetta Capelli – Vatican News Ele atende o telefone com uma voz clara, serena, alegre e pronta para partir, ou melhor, para voltar para casa. O cardeal Konrad Krajewski foi nomeado pelo Papa Leão XIV arcebispo de Łódź, na Polônia, sua cidade natal. Ele nasceu lá em 25 de novembro de 1963 e, aos 19 anos, ingressou no seminário diocesano, formando-se em Teologia em Lublin. Aos 25 anos, tornou-se sacerdote e sua paixão pela liturgia floresceu, obtendo o mestrado no Pontifício Ateneu de Santo Anselmo, em Roma. Em 1999, tornou-se mestre de cerimônias papal ao lado de São João Paulo II, também polonês. Krajewski continuou seu serviço sob o pontificado de Bento XVI e também sob o de Francisco, que o nomeou esmoleiro de Sua Santidade em 3 de agosto de 2013 e o criou cardeal em 28 de junho de 2018. Uma longa missão pela qual, explica, tem muito a agradecer. Por amor à Igreja "Vinte e oito anos de serviço com quatro Papas", relata o cardeal, "Estive ao lado de João Paulo II durante os últimos sete anos de sua vida, quando ele estava doente. Depois veio o pontificado de Bento XVI, o do Papa Francisco e os dez meses do Papa Leão XIV. Vivi experiências diferentes porque cada Pontífice trouxe algo novo para a Igreja, cada um com uma ênfase diferente." Em breves flashbacks, ele relembra sua missão e o amor pela Igreja, à qual serviu "em seus melhores anos". Um crescimento humano e espiritual enriquecido por sua proximidade aos pobres. No voo de volta da JMJ "Quando acompanhei o Papa Francisco ao Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude, passei duas das 13 horas de voo ouvindo-o. Ele me explicou o que eu tinha que fazer como esmoleiro, pedindo-me que dormisse com os pobres, que saísse do Vaticano, que sempre terminasse o dia com a conta zerada, porque tudo era destinado a obras de caridade. Mas há uma coisa que sempre me acompanhou, algo que Francisco me disse: 'Se você não sabe o que fazer, pergunte sempre ao Senhor e pergunte o que Ele faria em seu lugar.'" "Eu também cometi muitos erros", confessa o cardeal, "mas fiz isso de boa fé, e o Papa sempre entendeu e me perdoou." Saudade da Polônia Sobre seu novo papel, ele conta que o Papa Leão XIV lhe perguntou gentilmente se ele gostaria de ir, se queria levar toda a experiência que tinha adquirido na Igreja universal para uma Igreja local. "Aceitei com prazer, porque o bem da Igreja nasce da proximidade com os fiéis. Minha diocese é grande, com dois milhões e meio de habitantes, e estou pronto para servir." "Nunca saí da Polônia", admite, "sempre permaneci entre o povo, e até sentia um pouco de saudade." Ao lado da Ucrânia Recordando suas experiências, ele menciona suas dez missões à Ucrânia para ajudar, em nome do Papa, a população devastada pela guerra. Com um sorriso, ele também menciona os tiros que o atingiram em 2022 sem que ele sofresse nenhum ferimento. Ele se lembra de ter levado pessoalmente à Ucrânia oito ambulâncias ou veículos equipados para atendimento de emergência. Ele se lembra dos rostos sofridos dos parentes daqueles que vivem em Gaza, que ele conheceu durante sua viagem à Terra Santa no Natal de 2023. O pronto socorro da caridade Para os pobres, nos últimos 13 anos, a "o pronto socorro da caridade", como Krajewski definiu várias vezes a Esmolaria Apostólica, deu origem a várias realidades de ajuda e apoio aos mais vulneráveis, a pedido do Papa Francisco. Em fevereiro de 2015, chuveiros foram inaugurados sob a Colunata de São Pedro, com muitos voluntários que se colocaram à disposição para dar continuidade a esse serviço, criado para dar dignidade aos pobres, livrando-os do estigma e do mau cheiro das ruas. Diariamente, cerca de 150 pessoas utilizam os chuveiros. Ali, elas podem receber tudo o que precisam para se lavar, incluindo roupas íntimas limpas, um chá quente e um sanduíche no meio da manhã. Uma barbearia e o ambulatório "Mãe da Misericórdia" também foram inaugurados ao lado, unindo-se recentemente ao ambulatório "São Martinho", que o Papa Leão XIV visitou em 14 de novembro passado. As duas unidades, com uma equipe de 120 médicos, enfermeiros, técnicos de saúde, farmacêuticos e voluntários, oferecem consultas médicas especializadas, atendimento odontológico e exames laboratoriais, além de acesso gratuito a medicamentos e terapias necessárias. A assistência aos pobres é prestada em diversos dormitórios abertos nos arredores da Basílica de São Pedro. O primeiro deles fica na Via dei Penitenzieri, o "Dom da Misericórdia", um prédio oferecido pelos jesuítas e inaugurado em outubro de 2015. Abriga cerca de 30 homens e é administrado pelas Irmãs de Madre Teresa. Ao lado está o "Dom de Maria", um dormitório feminino com cerca de 50 leitos. Em 2019, a Esmolaria Apostólica encarregou a Comunidade de Santo Egídio para administrar o Palazzo Migliori, um prédio histórico do século XIX transformado em abrigo para moradores de rua, idosos e pessoas com deficiência. Paralelamente a tudo isso, há o pagamento de contas e o apoio a famílias carentes — um trabalho longo, silencioso e providencial. Os pobres e o Evangelho A mensagem final do cardeal Konrad Krajewski é para os preferidos de Deus, os pobres que sempre o chamaram de "Dom Corrado" e que viajaram com ele, como para Turim para a exposição do Sudário de Turim em 2015, ou para comer pizza depois de um dia na praia, ou para conversar, não obstante os assuntos urgentes a tratar. "Tenho que agradecer a todos eles. Eles me ensinaram a ler o Evangelho, a vivê-lo de uma maneira nova", disse ele emocionado.