Recordamos os encontros do Santo Padre com os jovens em Madrid e em Paris. O essencial das palavras do Papa e o testemunho da juventude de Espanha e França habitam a expectativa para a viagem de Leão XIV ao Uruguai, Argentina e Perú de 6 a 17 de novembro.
Rui Saraiva – Portugal Neste ano de 2026, as viagens apostólicas de Leão XIV a Espanha e França foram momentos de grande intensidade espiritual e de testemunho da beleza da humanidade em Cristo.
Recordamos aqui os encontros com os jovens nestes dois países nas cidades de Madrid e Paris, no essencial das mensagens do Papa e no testemunho dos participantes. “Não aparências, mas rostos fiáveis” No primeiro dia da Viagem Apostólica de Leão XIV a Espanha, no sábado 6 de junho, uma multidão de jovens acolheu o Santo Padre na cidade de Madrid, em clima de festa e de grande entusiasmo.
Na Praça de Lima teve lugar uma vigília de oração que uniu mais de meio milhão de pessoas e nela o Papa pediu aos jovens para serem “protagonistas da mudança” dando “uma nova direção à sociedade”. “Nesta perspectiva, sobretudo vós, jovens, sois chamados a dar uma nova direção à sociedade, tornando-vos protagonistas da mudança a partir dos vossos laços quotidianos, daquilo que viveis na família, na universidade e no trabalho.
Ao ver-vos, queridos jovens, cheios deste entusiasmo motivado pela fé, entusiasma-me pensar na vossa capacidade de testemunhar Cristo no mundo, incluindo a realidade digital, para comunicar os valores e a beleza do Evangelho.
Portanto, convido-vos todos a ser juntos sal da terra e luz do mundo”, disse o Santo Padre.
O testemunho de Cristo no mundo, continuou o Santo Padre, leva a procurar a justiça e a fazer aos outros aquilo que gostariamos que nos fizessem.
Leão XIV pediu aos jovens para serem, tão somente, “humanos”, “homens e mulheres de carne e osso”. “Não aparências, mas rostos fiáveis”, declarou. “Quero confiar a todos vós uma missão: que sejais humanos.
Sim, sede humanos!
Homens e mulheres de carne e osso.
Não aparências, mas rostos fiáveis.
Pessoas que procuram a justiça porque têm fome dela, como do pão de cada dia.
Pessoas que desejam uma vida honesta e reta, porque fazem de bom grado aos outros o que gostariam que os outros lhes fizessem.
Sede humanos como o é Cristo, o homem perfeito, o Ressuscitado que partilha connosco a história em todos os tempos”, disse o Papa.
Leão XIV pediu aos jovens para procurarem o silêncio e, assim, reconhecerem a voz de Deus. “Para reconhecer a voz de Deus, pode ajudar-nos, acima de tudo, o silêncio.
Quando procuramos o silêncio, decidimos o que não ouvir e os ruídos pelos quais não nos deixaremos distrair.
Ao libertarmo-nos do estrondo de mil vozes, reconhecemos que algumas enganam os nossos desejos, outras seduzem-nos sem nos alimentar, outras falam por interesse.
No silêncio compreendemos que as ideologias passam, enquanto a verdade permanece”, sublinhou o Santo Padre.
Questionado sobre santos que o inspiraram, além de Santo Agostinho, o Papa apontou as figuras de São João Crisóstomo, São Tomás de Vilanova e São Toríbio de Mogrovejo, como exemplos históricos de coragem, de combate à corrupção e de entrega aos mais pobres.
Esta grande vigília em Madrid concluiu-se com um momento de adoração eucarística.
Um vínculo fraterno com quem não partilha a mesma fé Foram mais de 80 mil os jovens que acolheram e saudaram o Santo Padre em França na noite de 25 de setembro em Paris. A vigília de oração no ‘Stade de France’, em Saint-Denis, encerrou o primeiro dia da visita de Leão XIV àquele país.
A celebração foi estruturada num formato de diálogo, com dois jovens a dirigirem as suas inquietações diretamente ao Papa.
Chloé, estudante de farmacologia de 25 anos ligada ao coletivo ‘La Cité Céleste’, questionou Leão XIV sobre como conciliar a força do ímpeto missionário com a convivência com pessoas de outras crenças nos bairros populares em França.
Na resposta, o Papa indicou que o Evangelho “não leva ao conflito, mas convida sempre ao perdão”. “Cultivar um vínculo fraterno com aqueles que não partilham a nossa fé contribui, pois, para a construção da sociedade; além disso, pode transformar-se num exercício de fé e caridade, pois é impossível testemunhar Cristo sem amar aqueles a quem queremos anunciá-lo”, disse o Papa. “A mensagem cristã não constitui um obstáculo à convivência fraterna; pelo contrário, promove-a, pois convida livremente cada um a ouvir uma boa notícia de paz e salvação.
Da mesma forma, a nossa missão não está em contradição com o respeito pelas outras religiões, porque a Igreja não rejeita nada do que nelas se encontra de verdadeiro e de santo”, acrescentou.
François, estudante de agronomia e dirigente escutista na Borgonha, expressou a dificuldade da juventude em discernir a sua vocação num mundo onde a ansiedade e a incerteza “fragilizam o entusiasmo” perante missões que parecem desmesuradas.
Leão XIV reconheceu que a “precariedade dos projetos de futuro”, a “fragilidade das relações”, o “cansaço digital” e a “ansiedade perante as alterações climáticas” são estados de espírito reais que marcam a atual geração. “Não existe fracasso do qual Deus não nos possa levantar: a sua misericórdia é a nossa alegria.
No entanto, falastes sobre ansiedade e incerteza como obstáculos ao vosso entusiasmo.
São estados de espírito muito comuns, devido à precariedade dos projetos de futuro, ao caráter provisório dos afetos e à fragilidade das relações.
A estes sentimentos juntam-se outros que pesam sobre a vossa geração, como, por exemplo, o cansaço digital e a ansiedade perante as alterações climáticas ou a situação económica e internacional.
Sim, é preciso prestar atenção a estes sentimentos.
Convido-vos, queridos jovens, a manter o coração aberto perante os sofrimentos dos vossos amigos.
Ao mesmo tempo, a experiência da fragilidade – de qualquer fragilidade – torna-se oportunidade de testemunho para um discípulo de Cristo.
Quem segue Jesus no caminho do serviço humilde e gratuito é liberto da angústia e reencontra um novo entusiasmo, experimentando alegria e paz interiores: sentimentos que não são passageiros nem subjetivos, mas enraizados na certeza da fé da qual juntos damos testemunho como Igreja”.
O evento incluiu o espetáculo ‘Nas pegadas dos santos de França’ que evocou figuras como a Santa Teresinha do Menino Jesus, em ambiente de oração.
Com os jovens em Espanha e França, quer em Madrid, quer em Paris, o Papa Leão XIV abriu caminhos de diálogo para o futuro testemunhando a beleza da humanidade.
A América Latina aguarda com expectativa pelo Santo Padre no Uruguai, na Argentina e no Perú numa grande visita que decorrerá de 6 a 17 de novembro.
Uma viagem que terá uma especial intenção de oração após a recente intervenção cirúrgica de Leão XIV a um problema oncológico no pulmão.
Laudetur Iesus Christus [ Audio Embed Oiça qui a reportagem e partilhe]