Leão XIV – a fragilidade como lugar de encontro

  • Home
  • -
  • Notícias
  • -
  • Leão XIV – a fragilidade como lugar de encontro
Leão XIV – a fragilidade como lugar de encontro
Fonte: VATICANO

Com a notícia da internação dada pelo próprio Pontífice no Angelus, o Pe. Maicon Malacarne reflete sobre "a fragilidade como um lugar de encontro": "falar sobre a dor, reconhecer a vulnerabilidade, permitir-se ser cuidado, tudo isso também faz parte de um caminho de cura". Dediquemos "nossa prece ao Papa Leão. E, com ele, aprendamos também nós a reconhecer a fragilidade do corpo e da alma, sem vergonha e sem máscaras".

Pe.

Maicon A.

Malacarne* A escritora portuguesa Matilde Campilho diz que “a matéria de que somos feitos é o susto”.

Talvez seja justamente por isso que o gesto público do Papa Leão XIV, ao anunciar a necessidade de passar por uma cirurgia para a retirada de um nódulo no pulmão, nos ajude a pensar a fragilidade como um lugar de encontro.

A vida está sujeita aos seus limites, o corpo adoece, e assumir essa vulnerabilidade nunca é fácil.

Vivemos sob a pressão de uma cultura do bem-estar, do tabu da imagem de uma vida perfeita, da necessidade de responder a todas as expectativas, de permanecer produtivos, de apresentar resultados, de manter intocável uma espécie de segurança sobre tudo e sobre todos.

Mas a vida, mais cedo ou mais tarde, assusta.

E sempre de novo precisamos deixar de lado a performance da perfeição para nos deixarmos cuidar.

É por isso que a fragilidade pode tornar-se um lugar de encontro: encontro com um mundo também frágil, verdadeiro, necessitado dos outros.

É quando a vida perde suas máscaras que podemos deixar cair os disfarces de uma perfeição que nunca existiu.

Quando o Papa assumiu que precisará passar por uma intervenção cirúrgica, não estava “exibindo” a sua condição.

Estava tratando os fatos com a verdade necessária, acompanhada de um pedido de proximidade espiritual e da necessidade concreta de cuidado.

Falar sobre a dor, reconhecer a vulnerabilidade, permitir-se ser cuidado, tudo isso também faz parte de um caminho de cura.

Partilhar as próprias fraquezas não significa idealizar o sofrimento, como se adoecer fosse uma bênção.

Há fragilidades que não escolhemos.

Há situações diante das quais simplesmente nos descobrimos pequenos.

E, justamente quando podem ser partilhadas, elas encontram a possibilidade de gerar relações mais verdadeiras. “Quando sou fraco, então é que sou forte”, escreveu São Paulo aos Coríntios (2Cor 12,10).

Jesus Cristo assumiu plenamente a nossa condição humana.

Na cruz, levou a fragilidade até o extremo.

Não se escondeu da dor, não recusou ser encontrado.

E, em cada encontro, abriu a possibilidade de que a Revelação de Deus acontecesse na medida da abertura do coração e da verdade da vida.

Com tudo o que realizou, Jesus testemunha que a fraqueza não é sinônimo de falta de fé.

Talvez, muitas vezes, a falta de fé esteja mais próxima da atitude desumana de querer performar uma perfeição que não existe.

Dediquemos nossa prece ao Papa Leão.

E, com ele, aprendamos também nós a reconhecer a fragilidade do corpo e da alma, sem vergonha e sem máscaras.

Em nossa fraqueza é que Deus encontra espaço para nos visitar e para nos aproximar uns dos outros.

De fato, como escreveu Manoel de Barros, em uma dessas frases que parecem pequenas, mas carregam um mundo inteiro: “a maior riqueza do homem é a sua incompletude”. * professor de Teologia Moral e pároco da Paróquia São Cristóvão - diocese de Erexim/RS

Ajude a manter o site no ar

Uma pequena doação de R$ 1,00 garante que esse conteúdo continue disponível

PayPal

Deseja acompanhar a Liturgia diária?

Receba o conteúdo sempre atualizado e disponível offline.

Siga-nos

Acervo Católico

© 2024 - 2026 Acervo Católico. Todos os direitos reservados.