Na periferia de Montevidéu, o Papa defendeu que Igreja, sociedade civil e Estado trabalhem unidos para enfrentar as desigualdades: "Não podemos passar ao largo quando sabemos que há crianças no Uruguai que não vão à escola por medo de não voltarem. Não podemos silenciar a nossa consciência quando constatamos que uma mãe não tem meios para alimentar os seus filhos. Não podemos ignorar que, à nossa volta, há muitas pessoas que sofrem, estão sozinhas e vulneráveis".
Bianca Fraccalvieri - Vatican News A realidade social do Uruguai foi tema de um encontro realizado na tarde deste sábado, 7 de novembro, na Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, em Montevidéu.
Leão XIV visitou assim o bairro de Casavalle, marcado por grandes contrastes, e ouviu o testemunho de três moradores: Angélica, Alan e Katherine. "É para mim uma grande alegria poder visitar esta paróquia, percorrer as ruas deste bairro e conhecer as obras que foram realizadas com tanto esforço.
Ao vê-las, sinto-me em casa", disse o Santo Padre. [ Read Also ] A missão das paróquias, acrescentou, é ser "um farol que sinalize a presença de Jesus Cristo, oferecendo a todos a luz da Palavra de Deus, o auxílio dos Sacramentos, o apoio da oração e o bálsamo da caridade fraterna".
De modo especial, o Pontífice citou um projeto da comunidade paroquial, de construção de habitações destinadas a famílias de baixa renda, ao qual contribui indiretamente através dos benfeitores da Papal Foundation.
Leão XIV citou a parábola do bom samaritano para recordar que também hoje se repetem histórias parecidas de insegurança e violência.
Por isso, é preciso apostar na proximidade caritativa e não ficar indiferente: [ Não podemos passar ao largo quando sabemos que há crianças no Uruguai que não vão à escola por medo de não voltarem.
Não podemos silenciar a nossa consciência quando constatamos que uma mãe não tem meios para alimentar os seus filhos.
Não podemos ignorar que, à nossa volta, há muitas pessoas que sofrem, estão sozinhas e vulneráveis. ] E acrescentou: "Um filho deste país, tão rico em recursos, não deveria deitar-se sem comer, nem deveria renunciar a uma educação e um futuro dignos devido à insegurança que reina nas ruas.
Muito menos deveria sofrer violência a ponto de perder a vida".
O Papa defendeu que a Igreja, a sociedade civil e o Estado devem trabalhar unidos: "É preciso despertar da nossa inércia e defender o bem comum. (...) Cabe-nos a decisão de construir uma nova cidade, na qual ninguém seja excluído, ou de continuarmos confortavelmente mergulhados, cada um nos seus assuntos". [ Queridos amigos, a parábola do bom samaritano conclui-se com esta exortação de Jesus: «Vai e faz tu também o mesmo» (Lc 10, 37).
Trata-se de um mandamento que cada cristão deve ouvir ressoar todos os dias no seu coração.
Deixemos que estas palavras nos renovem e impulsionem a continuar juntos a construção duma nova cidade, onde reinem o amor e a paz.
Que Deus vos abençoe e que a nossa Mãe de Guadalupe, por quem nutro especial afeto e veneração pois na sua festa recebi a ordenação episcopal, vos proteja com o seu manto celestial.
Muito obrigado. ]