Ao término de seu primeiro dia em Paris, depois do encontro com o chefe de Estado, com as autoridades, da visita à sede da Unesco e das Vésperas em Notre-Dame, Leão XIV participará de um grande encontro com os jovens no Stade de France. Serão 80 mil pessoas para acolhê-lo e ouvir sua palavra durante um dos grandes momentos da viagem apostólica à França.
Jean Charles Putzolu – Cidade do Vaticano O encontro com os jovens é um momento indispensável de uma viagem apostólica.
Será assim na noite desta sexta-feira, no Stade de France, para os 80 mil jovens, homens e mulheres de 17 a 35 anos, desejosos de um momento de diálogo e oração com o Sucessor de Pedro.
A partir das 18h30, os jovens serão recebidos em um ambiente festivo por uma série de artistas que se apresentarão no palco, entre eles Les Frangines, Monroe, Anisha Jo, Grégory Turpin, Natasha St-Pier, o rapper Tagra e o grupo Les Guetteurs.
Leão XIV se juntará a eles por volta das 21h para ouvi-los, responder às suas perguntas e transmitir sua mensagem, antes de convidá-los à oração.
O momento de recolhimento também será uma oportunidade para venerar a Santa Túnica de Argenteuil, relíquia da Paixão de Cristo.
Para os organizadores franceses desta viagem apostólica, o Stade de France inicialmente pareceu uma aposta um pouco arriscada.
Mas o temor de que o estádio ficasse parcialmente vazio foi rapidamente afastado pela realidade: todos os lugares foram reservados em apenas 30 minutos. “Que entusiasmo!”, exclama o bispo de Saint-Denis, diocese onde está localizado o estádio.
Dom Étienne Guillet tem ampla experiência com os jovens, mas admite estar particularmente impressionado com “a grande diversidade dos jovens que estarão presentes, de todas as sensibilidades da Igreja da França, dos 17 aos 35 anos, do meio rural e da cidade, dos diferentes movimentos, escoteiros, Ação Católica; todos estarão lá”. “O que me impressiona muito é a grande diversidade dos jovens que estarão presentes, de todas as sensibilidades da Igreja da França, dos 17 aos 35 anos, do meio rural e da cidade, dos diferentes movimentos, escoteiros, Ação Católica; todos estarão lá.” [ In Evidence ] Uma sede de sentido Com um sorriso no rosto, o bispo do departamento apresentado, talvez um pouco rapidamente, como o mais pobre da França, pergunta-se o que essa grande diversidade pode ter em comum: “Esta geração tem sede de sentido para sua vida.
Esses jovens estão à espera de um sentido para sua vida, de uma palavra ambiciosa que os faça crescer”.
Eles percebem que o Papa poderá ser para eles uma fonte de estímulo “em sua vida humana e espiritual”.
Étienne Guillet constata que o interesse dos jovens vai muito além dos católicos.
Em sua própria família, conta, seus sobrinhos e sobrinhas responderam amplamente ao convite para participar do encontro no estádio, “embora alguns, naturalmente, tenham perguntas, dúvidas e uma relação com a Igreja que ainda estão procurando.
Mas muitos estarão presentes. 80 mil jovens, que boa notícia!”.
O fruto de 40 anos das JMJ É difícil não recordar a grande intuição de São João Paulo II, que lançou as Jornadas Mundiais da Juventude, primeiro em nível diocesano, em março de 1986, e depois como grande encontro mundial, a partir de 1987.
Hoje, Dom Guillet, pertencente a essa “geração João Paulo II” e o bispo mais jovem da França, observa que esses jovens cristãos “assumem responsabilidades em suas paróquias e nos movimentos.
Muitas vezes, foram encorajados e estimulados pelas Jornadas Mundiais da Juventude”.
O bispo confirma sua percepção com um exemplo: “Fico surpreso ao ver o grande desejo de ir à Coreia” para as JMJ de 2027, “embora não seja algo simples e financeiramente acessível.
Eles me respondem que as JMJ foram o caldeirão de sua fé e de seu compromisso”.
João Paulo II, Bento XVI e Francisco, todos convidaram os jovens do mundo inteiro a se comprometerem e a assumirem sua responsabilidade como cristãos. “Ninguém esqueceu as palavras do Papa Francisco dizendo-nos, em cada um desses grandes encontros, que é preciso sair de nossos sofás.” Novas testemunhas O mundo no qual os jovens estão inseridos estaria começando a decepcioná-los?
Diante da busca de sentido que a Igreja da França observa atentamente nessa geração, a pergunta realmente se coloca.
A influência dos smartphones e das redes sociais, que oferecem, em um simples toque, respostas prontas para profundas questões existenciais, foi denunciada repetidamente, especialmente pelo Papa Francisco.
Haveria, portanto, atualmente uma pequena brisa de mudança, uma tomada de consciência de que o mundo real pode oferecer muito mais do que uma realidade virtual que reduz a pessoa ao isolamento diante de uma tela. “Eles percebem que tudo isso os deixa, à noite, um pouco tristes e sozinhos; que isso não preenche o coração”, testemunha Dom Guillet. “Aqueles que puderam viver grandes momentos de vida cristã em sua paróquia ou durante encontros perceberam uma outra felicidade.
Sentiram que a Palavra do Senhor, a Palavra do Evangelho, a vida na Igreja e a vida sacramental dilatavam o coração e também os convidavam a se comprometer com o mundo.” Eles se tornam missionários, constata o bispo de Saint-Denis: “O que me maravilha é que eles não guardam essa Boa Nova para si; compartilham-na amplamente com seus amigos, com seus colegas de universidade ou de trabalho.
Ousam testemunhar essa alegria que dilatou seus corações”. [ Photo Embed: A Túnica de Argenteuuil] A Santa Túnica de Argenteuil Na noite desta sexta-feira, no Stade de France, os jovens serão convidados a viver um momento de veneração da Túnica de Argenteuil.
A peça, confeccionada em uma única parte, é apresentada como a túnica usada por Jesus na Via Dolorosa.
Segundo a tradição, foi entregue ao imperador Carlos Magno por volta do ano 800 pela imperatriz Irene de Constantinopla e confiada a Théodrade, abadessa do priorado de Argenteuil.
A exposição pública da relíquia é sempre um acontecimento.
Excepcionalmente, ela será apresentada aos jovens durante o encontro com o Papa. “É uma relíquia que nos conduz ao coração da fé”, afirma Dom Étienne Guillet. “Meditar e deter-se diante da relíquia da túnica é realmente meditar sobre aquilo que o Senhor Jesus viveu por nós.
É meditar sobre a Paixão, é ser conduzido ao coração do mistério pascal.” Mas o bispo apresenta também outra interpretação, que, segundo ele, “me toca muito”: “É uma túnica de uma só peça, e existe o risco de que essa túnica seja rasgada, assim como a Igreja poderia ser dilacerada por divisões e tensões”. “Meditar diante dessa túnica de uma só peça é também recordar a nós mesmos o quanto é importante que possamos dar um testemunho de comunhão.” Se a Túnica constitui um caminho para a meditação sobre o mistério pascal, ela também é, segundo Dom Guillet, “uma grande metáfora da unidade da Igreja”.