Líbano, mosaico de religiões e culturas - Vatican News via Acervo Católico

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Líbano, mosaico de religiões e culturas - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Os cristãos representam entre 32 a 40% da população libanesa, dependendo das estimativas, constituindo uma das comunidades cristãs mais significativas do Oriente Médio e são um componente fundamental da história, cultura e política libanesas. A comunidade está dividida em várias denominações, entre as quais se destacam os maronitas, que constituem a maior comunidade cristã e desempenham um papel institucional.

Vatican News No Líbano, terra rica de história milenar e um mosaico cultural e religioso único no Mediterrâneo, Paulo VI fez escala no Aeroporto de Beirute em 12 de dezembro de 1964, a caminho da Índia para presidir o Congresso Eucarístico Internacional. O Papa Wojtyla visitou o País dos Cedros em 10 e 11 de maio de 1997 (sua 77ª Viagem Apostólica), para a publicação da Exortação Apostólica Pós-Sinodal "Uma Nova Esperança para o Líbano". Bento XVI, em sua 24ª Viagem Apostólica (de 14 a 16 de setembro de 2012) assinou a Exortação Apostólica Pós-Sinodal "Ecclesia in Medio Oriente" da Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos. O documento apela a um renovado testemunho cristão, ao diálogo inter-religioso e a um compromisso com a paz numa região marcada por complexos desafios sociais e políticos, enfatizando o papel fundamental do Líbano como ponte entre o Oriente e o Ocidente.   As comunidades cristãs no País dos Cedros Igreja Maronita   A comunidade maronita tem como pai espiritual São Maron, um asceta que viveu no século V na Síria (região de Antioquia/Apameia), onde "os discípulos adotaram pela primeira vez o nome de cristãos" (Atos 11,26). A perseguição pelos monofisitas e, posteriormente, a conquista árabe, levaram os monges, discípulos de São Maron, a emigrar para o Monte Líbano; ao redor de seus mosteiros, se agruparam progressivamente os primeiros núcleos de comunidades camponesas maronitas. A Igreja Maronita é caracterizada por uma forte tradição monástico-eremítica e por sua liturgia em língua siríaca (ocidental) e em árabe. A Igreja Maronita (nome em homenagem ao seu fundador, o asceta São Maroun, que viveu em Antioquia e morreu em 410) sempre esteve em plena comunhão com a Sé Apostólica. Por esta razão, seus fiéis sofreram discriminação e perseguição ao longo da história nas mãos dos monofisitas, dos bizantinos, dos mamelucos, dos otomanos. O primeiro Patriarca Maronita de Antioquia foi Sua Beatitude Youhanna Maroun (685-707). O atual Patriarca é Sua Beatitude Béchara Boutros Raï, O.M.M., nascido em Himlaya (Arquieparquia Maronita de Antélias) em 25 de fevereiro de 1940. Ordenado em 3 de setembro de 1967; consagrado em 12 de julho de 1986; transferido para a Diocese Maronita de Jbeil em 9 de junho de 1990; Eleito Patriarca em 15 de março de 2011. Bento XVI concedeu-lhe a ecclesiastica communio em 24 de março de 2011.  Sede do Patriarcado de Antioquia dos Maronitas Bkerké é uma pequena cidade localizada a cerca de 650 metros acima do nível do mar, com vista para a Baía de Jounieh. Desde 1830, é a sede do Patriarcado de Antioquia dos Maronitas, que até então residiam no Mosteiro de Qannubin, no Vale de Qadisha. O primeiro prédio no local de Bkerké foi um mosteiro construído em 1703 por Khattar al-Khazen. Em 1730, monges antonianos começaram a usar o mosteiro; em 1779, ele foi usado pela Igreja Maronita. Em 1830, tornou-se a residência de inverno do Patriarca Maronita do Líbano. A atual estrutura com telhado vermelho foi construída em 1893, durante o período do Patriarca João Pedro El Hajj. Foi projetada por Leonard al-Azari. Mosteiro de São Maroun em Annaya Annaya é um município no Líbano, localizado no distrito de Jbeil, na província do Monte Líbano. "Annaya" é um termo siríaco que significa coro, um coro de devotos ou eremitas.  Em uma das colinas mais pitorescas do Líbano, ergue-se o Mosteiro de São Maron, da Ordem Maronita Libanesa, a oeste da vila de Ehmej e ao sul da vila de Mechmech, a uma altitude de 1.200 metros. O primeiro prédio do mosteiro foi concluído em 1828, ano do nascimento de São Charbel, que escolheu o eremitério como sua morada, e mais tarde conquistou muitos corações. O eremitério de São Pedro e São Paulo foi construído a 150 metros do mosteiro, e posteriormente anexado pela Ordem. Após a beatificação de Charbel Makluf em 5 de dezembro de 1965, na véspera do encerramento do Concílio Vaticano II, a Ordem empreendeu a construção de uma nova igreja, projetada para acomodar as multidões de fiéis que afluíam a Annaya. A consagração da nova igreja, dedicada a São Charbel e localizada a oeste do mosteiro, ocorreu em 1974. Até hoje, a Ordem continua a realizar reformas, tanto dentro como fora do mosteiro, para atender às necessidades espirituais e materiais dos peregrinos. Também criou um museu privado que abriga os objetos sagrados do santo. Todos os anos, milhares de peregrinos fazem uma peregrinação ao túmulo de São Charbel Makluf, canonizado por Paulo VI em 1977. Nascido em 1828 no povoado de Biqa 'Kafra, o último dos cinco filhos de Antoun Makluf e Brigitta Al-Chidiac, ele perdeu o pai aos três anos de idade e foi confiado ao seu tio, que, segundo alguns testemunhos, opôs-se à sua decisão de empreender a vida monástica, que ele iniciou aos 23 anos no mosteiro de Nossa Senhora de Mayfouq, mudando seu nome de batismo—Youssef—para Charbel. Ordenado sacerdote da Ordem Maronita Libanesa em 1859, permaneceu em Annaya por 15 anos antes de obter permissão para retirar-se no eremitério dos Santos Pedro e Paulo, onde viveu por vinte e três anos, dedicando-se ao serviço do Senhor e vivendo a regra eremita com escrúpulos e plena consciência. Durante a celebração da Missa em 16 de dezembro de 1898, foi acometido por paralisia e entrou em agonia que durou oito dias. Faleceu em 24 de dezembro de 1898, após dias de terrível sofrimento. Alguns meses após sua morte, fenômenos extraordinários ocorreram ao redor de seu túmulo, que começou a brilhar, e entre aqueles que oravam no túmulo do monge, que exsudava sangue misturado com água, curas inexplicáveis ​​se multiplicaram, atraindo pessoas de todo o vale e de diferentes religiões. Santuário de Nossa Senhora do Líbano O Santuário em Harissa foi construído em 1904, por ocasião do 50º aniversário da proclamação do dogma da Imaculada Conceição pelo Papa Pio IX. A inauguração ocorreu no primeiro domingo de maio de 1908, que desde então se tornou a festa anual de Nossa Senhora do Líbano. A estátua de bronze branco da Madona, fundida em Lyon, França, mede 8,50 metros de altura e pesa aproximadamente 15 toneladas. A torre cônica de pedra talhada à mão tem 21 metros de altura, e sua escada em espiral é escalada por peregrinos em oração, muitas vezes descalços ou de joelhos, até a estátua da Virgem no topo. Confiado aos cuidados da Congregação dos Missionários Libaneses, está entre os mais importantes santuários marianos do Oriente Médio. Peregrinos acorrem aqui durante todo o ano, mas especialmente durante o mês de maio, quando procissões noturnas partem da costa. Muitos visitantes muçulmanos também vêm ao Santuário, frequentemente aos domingos, para venerar Maria. Uma nova Basílica foi construída ao lado do pedestal da torre do Santuário desde julho de 1993. Sua geometria arrojada pretende representar a proa de um navio fenício. Ela abriga uma réplica da estátua de Nossa Senhora de Lourdes, abençoada por João Paulo II em 22 de março de 1992, durante a Missa para os doentes na Basílica de São pedro, e levada ao Líbano pela Obra Romana Peregrinações. Igreja Católica Greco-Melquita   A separação da Igreja Ortodoxa de Antioquia (ou Igreja Greco-Ortodoxa) e a retomada da comunhão com Roma ocorreram em 1724, graças também à contribuição da Igreja Maronita e dos missionários ocidentais que chegaram ao Oriente nos séculos XVII e XVIII, incluindo os padres jesuítas. Igreja Católica Armênia   Surgiu com a separação da Igreja Apostólica Armênia em 1742. A comunidade católica armênia chegou ao Líbano em três ondas migratórias: (a) no século XVIII, após a perseguição que se seguiu ao restabelecimento da comunhão com Roma; (b) após a Primeira Guerra Mundial e os massacres perpetrados pelos otomanos; (c) finalmente, após a Segunda Guerra Mundial. Igreja Católica Siríaca   Separou-se da Igreja Ortodoxa Siríaca (ou Igreja siro-ortodoxa) para retornar à comunhão com a Sé Apostólica, sendo reconhecida por esta última em 1783 (com formalização subsequente em 1797). Igreja Caldeia   Esta é a Igreja da Mesopotâmia fundada pelo Apóstolo Tomé. A Igreja Caldeia surgiu da cisão com a Igreja Assíria do Oriente; tentativas de sua reunificação com a Igreja de Roma remontam ao século XVI, mas só foram oficialmente reconhecidas em 1830. Comunidade Latina   Parece certo que a atual comunidade latina no Líbano remonta ao século XIII (ou XIV), com a chegada dos franciscanos da Custódia da Terra Santa, que se dedicaram ao cuidado pastoral tanto dos comerciantes europeus nos portos da costa libanesa quanto dos fiéis maronitas e melquitas no Monte Líbano. Em seguida, vieram os capuchinhos em Sidon (1626), os carmelitas em Mar Lisha (1643) e os jesuítas em Sidon (1644). Em 1772, foi criado o Vicariato Apostólico de Aleppo (ou Latino), com jurisdição sobre os territórios do Líbano e da Síria. A chegada de missionários protestantes de língua inglesa no início do século XIX impulsionou ainda mais as missões católicas: os vicentinos em Trípoli (1830) e os jesuítas em Bikfaya (1833), os maristas em Jounieh (1898), os Irmãos das Escolas Cristãs em Trípoli (1880) e depois em Beirute (1894). No Líbano há: Dos Latinos: 1 Vicariato Apostolico (Beirute) Dos Maronitas: 1 Igreja Patriarcal (Antioquia) 4 Arquieparquiaa (Antélias, Beirute, Tripoli do Líbano, Tyr) 6 Eparquias (Baalbek-Deir El-Ahmar, Batrum, Jbeil, Joubbé, Sarba e Jounieh, Saïdā, Zahleh) Dei Greco-Melkiti: 2 Metropolias (Beirute e Jbeil, Tyr) 5 Arquieparquias  (Baalbek, Bāniyās, Saïdā, Trípoli do Libano, Zahleh e Furzol) Dos Sírios: 1 Igreja Patriarcal (Antioquia) 1 Eparquia (Beirute) Dos Armênios: 1 Igreja Patriarcal (Cilícia dos Armênios) 1 Metropolia (Beirute) Dos Caldeus 1 Eparquia (Beirute) Dados da Igreja   Segundo o Escritório Central de Estatística da Igreja, no Líbano há 24 Circunscrições Eclesiásticas, 1.116 paróquias, 47 centros pastorais. O rebanho de fiéis é pastoreado por 49 bispos, 917 sacerdotes diocesanos e 647 sacerdotes religiosos (1.564 no total). Os seminaristas menores são 12 e os maiores 270. Os diáconos permanentes são 46, os religiosos não sacerdotes 118 e as religiosas professas 1.698. Os membros de Institutos Seculares são 4, os missionários leigos 145 e os catequistas 402. No País dos Cedros, a Igreja administra 503 maternais e escolas primárias, com 137.976 estudantes; 191 escolas inferiores e secundárias, com 49.367  estudantes; 50 institutos superiores e universidades, com 56.235. A Igreja também tem 23 hospitais, 85 ambulatórios, 41 casas para idosos ou pessoas com invalidez, 56 jardins da infância e orfanatrófios, 4 centros especiais de educação ou reeducação social, além de 46 outras instituições. Outras denominações cristãs   - Igreja Greco-Ortodoxa - Igreja Apostólica Armênia - Igreja Siro-Ortodoxa  - Igreja Assíria do Oriente - Igreja Copta Ortodoxa  - Diversas comunidades protestantes Comunidades islâmicas Xiitas   O xiismo surgiu dos seguidores de Ali, genro do Profeta, que reivindicaram para si e seus descendentes masculinos a sucessão a Maomé (Muhammad). O assassinato do filho de Ali, al-Hussein, em 680, causou a divisão definitiva entre o xiismo e o sunismo; esse martírio é comemorado anualmente na festa de Ashura. O xiismo deu origem a várias denominações, sendo a mais importante o xiismo duodecimano (ou Ithnāʿasharīyyah). Sunitas   Os muçulmanos sunitas seguem os ensinamentos da "Sunna" (tradição), ou seja, o conjunto de ensinamentos transmitidos oralmente por Maomé (Muhammad) aos seus primeiros companheiros. Este ensinamento complementa a mensagem do Alcorão, revelada por Alá diretamente ao Selo dos Profetas. Aproximadamente 90% dos muçulmanos em todo o mundo são sunitas. O diretor espiritual da comunidade no Líbano é o Mufti da República, eleito para o cargo vitalício; ele é auxiliado por um Conselho Judicial Superior (ou Alto Conselho Islâmico). A residência e todos os serviços sob a autoridade do Mufti constituem o "Dar al-Fatwa". Drusos   Este é um ramo do islamismo xiita ismaelita que surgiu no Cairo no início do século XI (ou século V da Hégira). O termo "druso", embora difundido, é inadequado. Os membros desta comunidade, muito zelosos do conteúdo oculto de sua fé, se autodenominam "Muwahhidūn" (ou al-Muwahhidūn), que significa monoteístas. Eles acreditam que a fé se divide em três disciplinas ou estágios sucessivos: o reconhecimento dos fundamentos do Islã (segundo a interpretação drusa), a interpretação da revelação feita exclusivamente pelos Imãs (mestres, ou seja, guias espirituais) e, finalmente, a verdadeira sabedoria que leva à unificação de todos no Justo (al-Ḥākim). Alauítas   Uma denominação islâmica pertencente à tradição xiita, com suas particularidades. Presentes em pequeno número no norte do Líbano, enquanto a grande maioria dos alauítas se encontra na Síria.

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