O Papa Leão XIV pisou terras francesas, com visitas a Paris, Lourdes e Metz (25 a 28 de setembro). A avaliação foi muito positiva, olhando para o que os media e as redes sociais publicaram, o que as autoridades francesas disseram e tudo quanto a Igreja foi divulgando. A TV5 Monde, p. ex., sobre a Eucaristia na Praça da Concórdia e Campos Elísios, falou de ‘Missa gigante’ com uma ‘Maré humana’, ideia partilhada por muitos media que apresentaram um Papa que recebeu constantes ‘banhos de multidão’.
Tony Neves, em Roma Tentarei seguir, a par e passo, esta viagem apostólica.
O primeiro grande momento, na ‘Cidade Luz’, foi o encontro com as autoridades, a sociedade civil e os diplomatas.
O Papa evocou a história de França, com raízes cristãs, como o provam o seu rico património cultural, artístico e espiritual.
Disse que os direitos humanos, a liberdade, a igualdade e a fraternidade ‘remetem para exigências éticas que têm na mensagem evangélica uma fonte inesgotável de inspiração e realização’.
Também abordou várias vezes o tema da Inteligência Artificial, remetendo para a sua primeira encíclica, a ‘Magnifica Humanitas’.
Pediu a defesa dos mais frágeis e da vida em todas as etapas.
Contestou a laicidade do Estado vista como ‘laicismo’, onde as religiões são expulsas da praça pública.
Abordou a complexa questão da paz (‘desarmada e desarmante’) e da urgente proteção das vítimas das guerras, que nunca são ‘inevitáveis’.
Lições na UNESCO Momento forte da visita foi o seu discurso na UNESCO, que acompanha, à escala do mundo, tudo quanto acontece na Educação, Ciência e Cultura.
Falou da ‘cooperação internacional’ e de um ‘mundo justo’.
Apresentou as grandes linhas de um ‘Pacto Educativo Global’, proposto pelo Papa Francisco.
Refletiu sobre as questões do ‘sentido da vida’ de quem ‘nasce nu e necessitado’ (‘o sentido é o oxigénio da mente’).
A vida não é ‘mercadoria’, daí o apelo ‘ao cuidado e à responsabilidade’.
A liberdade só é bela ‘quando orientada para o bem e para a verdade’.
A guerra – disse Leão XIV – ‘ é a mais terrível das obras humanas’ e, porque começa nas mentes das pessoas, é nestas que a paz tem de ser construída.
Há que ‘dar voz sinfónica aos mais elevados propósitos de bem e de cuidado pela humanidade’, pondo, nesta ‘era digital’, as tecnologias ao serviço das pessoas.
Há ainda uma referência à ‘crise ecológica que é antropológica’ e se resolve através do cuidado da casa comum, pois a ecologia integral empenha-se no ‘cuidado dos mais pequenos e pobres’ e apela a nunca ‘consumir sem preservar nem destruir sem cultivar’. [ Photo Embed: Papa Leão XIV na sede da UNESCO] Notre-Dame reconstruída A Notre-Dame, catedral de Paris, foi reconstruída após o mediático e violento incêndio que o mundo inteiro viu em direto, ‘com respiração suspensa’ – como ali disse o Papa.
Leão XIV falou deste monumento que ‘não é um embrulho de pedra para admirar’, mas ‘um organismo vivo, uma comunidade crente que reúne, no louvor, tudo a que a cultura e a Tradição lhe transmitem’.
Aqui, o Papa apelou a ‘uma conversão missionária’ e convocou ‘uma Igreja viva, multifacetada, próxima, em saída’.
Ser Igreja viva – lembrou – é ‘acolher a periferia que já se encontra no coração; o distante que, na realidade, já está próximo; o estrangeiro em quem Cristo já bate à porta’.
Jovens no Estádio O Stade de France, em St Denis, numa das periferias de Paris, acolheu a vigília de jovens.
Estavam 80 mil porque não havia espaço para mais.
Foi uma festa com coreografias, perguntas, música e uma grande vigília de oração, ao ritmo das novas gerações.
O Papa enfrentou as dificuldades que os jovens hoje encontram na sua caminhada de fé e cidadania e pediu continuidade ao caminho feito por tantos que foram batizados nos últimos anos, um verdadeiro sinal de esperança no futuro.
Apesar dos obstáculos, o Papa insistiu na coragem, no aprofundamento da fé, na pertença a uma comunidade e nos compromissos com os mais pobres e distantes.
Pediu mais resposta à vocação de Deus para o sacerdócio e a vida consagrada.
Convidou os jovens a serem ‘testemunhas luminosas da Evangelho’. [ Photo Embed: 80 mil jovens no Stade de France para a vigília de oração com o Papa Leão XIV] A viagem continua… A visita ao Centro Bakhita ajudou a olhar para os mais pobres que ‘não são uma categoria sociológica, mas a própria carne de Cristo’.
Aqui deixou claro que ‘ninguém é tão pobre que não tenha nada para dar nem tão rico que não tenha algo a receber’.
O encontro no Instituto Católico de Paris, a grande Missa na Praça da Concórdia e as visitas a Lourdes e Metz serão abordados na próxima crónica. [ Audio Embed Oiça qui a reportagem e partilhe]