Lusofonias – Procissão do Senhor dos Passos em Mértola - Vatican News via Acervo Católico

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Lusofonias – Procissão do Senhor dos Passos em Mértola - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Mértola é uma Vila muito interessante, banhada pelas águas do Guadiana, que transpira história por todos os poros, séculos de encontros e confrontos de povos e culturas. As influências do cristianismo e do islão cruzam-se ou sobrepõem-se, mas as marcas estão lá e permanecem vivas. Foi nesta Vila que tive a alegria e a honra de viver o Domingos de Ramos, também marcado pela histórica e tradicional Procissão do Senhor dos Passos.

Tony Neves, em Mértola Mas permitam-me que evoque uma breve memória dos longos caminhos que já palmilhei por terras lusas desde que deixei Roma a 16 de março. Aterrei em Lisboa, multipliquei reuniões e encontros, subi ao Porto onde passei três intensos dias. Ali encontrei jovens que vieram da África e da América Latina para estudar Teologia. Visitei, conversei e almocei com D. Manuel Linda, Bispo do Porto. Vivi a Festa de S. José no Lar das Irmãzinhas dos Pobres… e continuei viagem para Braga, onde outras pessoas e desafios me esperavam. Fraião, na estrada que leva ao Santuário do Sameiro, acolhe o Lar Anima Una (com idosos), o Centro Vocacional Espiritano e o Hotel Stella. Os Espiritanos cuidam e animam as Paróquias de Nogueira e Lomar. Pude visitar todos estes lugares, participei em várias celebrações e encontrei os Espiritanos que ali vivem. Também pude estar com os Leigos Espiritanos Associados e a Fraternidade local. Visitei, conversei e almocei com D. José Cordeiro, Arcebispo de Braga. Celebrei e confraternizei com as Irmãs Espiritanas. O Centro de Espiritualidade Espiritana (CESM), na Silva, Barcelos, foi o ponto de chegada da etapa seguinte. Ali encontrei um espaço de Espiritualidade e de mergulho na natureza que sempre me fascina e atrai. Também tive a grata oportunidade de celebrar nas Igrejas Paroquiais de Silva e Vila Boa que, com Abade de Neiva, são paróquias confiadas aos Espiritanos. Conversei com quem assegura a animação missionária em Braga e Viana do Castelo. A viagem de regresso a Lisboa marcou-me o olhar e apertou-me o coração com tantas árvores arrancadas ou cortadas a meio pela tempestade que vitimou sobretudo o centro do país. Os sinais desta destruição estão ainda muito visíveis a quem passa na A1. Lisboa foi apenas espaço de descanso porque se impunha a partida rumo a este Alentejo profundo e interior que me acolheu na véspera do Domingo de Ramos. A viagem Lisboa-Mértola ganha beleza e cor a partir de Castro Verde. São impressionantes os campos pintados com o branco das estevas, o amarelo dos pampilhos e tojos e o roxo do rosmaninho. Sábado à noite aconteceu a majestosa Procissão do Silêncio. O andor do Senhor dos Passos foi levado, após a recitação do terço na Igreja Matriz, para a Capela da Misericórdia, hoje transformada em Museu de Arte Sacra. Impressionou-me um silêncio tão profundo, só entrecortado pelo troar dos passos naquelas calçadas irregulares das ruas estreitas, sinuosas e quase a pique deste centro histórico de Mértola. O domingo acordou cedo e foi muito participada a Missa de Ramos na Matriz, que terá começado por ser um templo romano, foi Igreja cristã a partir do séc. IV, mesquita no século XII e novamente Igreja desde 1238, quando Mértola passou a ser parte integrante do Reino de Portugal. A Procissão do Senhor dos Passos é imagem de marca desta Vila, mobilizando as populações locais e atraindo gente de fora. É a maior festa de piedade popular neste Concelho. Os andores do Senhor dos Passos e da Senhora das Dores saem de Igrejas diferentes. A Procissão do Senhor é acompanhada de uma banda de música e, ao longo do caminho, pare-se para evocar os Passos da Paixão de Cristo, diante de altares preparados pelas famílias nas suas casas. Momento alto é o Encontro da Mãe com o Filho e o ‘Sermão’ que tal momento proporciona, realizado na praça principal da Vila. Depois, os andores com o Senhor dos Passos e a Senhora das Dores seguem juntos, com todo o povo, até à Igreja Matriz, onde a assembleia recebe a bênção solene. A culminar o dia, em jeito de gratidão, os promotores da Festa convidam para um jantar de confraternização e de são convívio. Foi um momento feliz. Assim se abrem as portas à Semana Santa que será cheia de momentos celebrativos, os mais importantes do ano cristão. Estou já em terras algarvias onde vivo o Tríduo Pascal e me espera a Festa das Tochas Floridas, na Páscoa, em S. Brás de Alportel. Santa Páscoa!          

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