Além de sua posição estratégica que permite o controle do Canal Moçambique, Madagascar é cobiçada pelas potências mundiais por seus recursos naturais, que têm um valor potencial de US$ 800 bilhões. Os minerais incluem níquel, cobalto, ilmenita, zircão, rutilo, grafite, cromo, mica, ferro e elementos de terras raras.
"Não se trata de escolher nossos parceiros com base nos países, mas de manter relações com qualquer Estado que acreditamos possa beneficiar o povo malgaxe." Esta declaração do coronel Michael Randrianirina, chefe da junta militar que governa Madagascar, resume o pragmatismo com que as novas autoridades em Antananarivo pretendem conferir às suas relações internacionais. A declaração de Randrianirina foi feita na véspera da visita do chefe da junta militar a Moscou, em 18 de fevereiro, onde se encontrou com Vladimir Putin. Randrianirina também viajará a Paris, onde se encontrará com Emmanuel Macron e participará de uma série de reuniões econômicas com empresários franceses e malgaxes. Trata-se de uma diplomacia abrangente, mas que atualmente prioriza os laços com Moscou, que enviou armas e instrutores militares para a Grande Ilha Grande, e com a China, que empreendeu grandes projetos de investimento econômico no país. Um deles gerou preocupações por se tratar da construção de uma fábrica de armas. Em conversa com a Agência Fides, o bispo Rosario Vella, de Moramanga confirmou que o projeto de uma fábrica de armas construída pela China em Madagascar "infelizmente é verdade". "Infelizmente, também é verdade porque é uma forma da China estar presente em Madagascar, e ela planeja estar presente dessa forma também", disse o bispo Vella. "Nós, bispos, reagimos, mas sem sucesso. Dissemos: 'Mas por que construir fábricas de armas aqui em Madagascar? Para criar um regime de guerra ou para produzir ferramentas que serão usadas por outros para matar outras pessoas?'" "Não teria sido melhor considerar fábricas que lidam com alimentos ou com o enlatamento de produtos alimentícios, como peixe ou outros produtos? Ou construir fábricas de bicicletas, que são importantes aqui, ou uma fábrica de motocicletas, ou fazer outras coisas que poderiam ser mais úteis para o povo", sublinha o bispo de Moramanga. "No entanto, o contrato já está fechado", conclui dom Vella. Mas as cartas jogadas pela junta militar que derrubou o ex-presidente Andry Rajoelina em outubro passado não são apenas russas, chinesas e francesas. Além de ter continuado a manter boas relações com a Índia e o Japão (que está fazendo investimentos significativos na Grande Ilha), Randrianirina abriu canais de comunicação com a Presidência de Trump, mediados pelos Emirados Árabes Unidos. Uma publicação francesa, Africa Online, afirma que Randrianirina viajou para Dubai em dezembro passado, onde se encontrou com Eric Prince, o controverso fundador da empresa mercenária Blackwater (agora Constellis), e alguns funcionários estadunidenses e operadores israelenses privados especializados em segurança cibernética. Além de sua posição estratégica que permite o controle do Canal Moçambique, Madagascar é cobiçada pelas potências mundiais por seus recursos naturais, que têm um valor potencial de US$ 800 bilhões. Os minerais incluem níquel, cobalto, ilmenita, zircão, rutilo, grafite, cromo, mica, ferro e elementos de terras raras. *Agência Fides