Manaus sediou no sábado (31/10) o 6º Encontro Estadual das Mães que Oram pelos Filhos e cerca de 1500 pessoas aceitaram o convite para aprofundar o mistério da Eucaristia, eixo das reflexões do evento.
Vívian Marler Cerca de 1500 pessoas participaram no sábado (31/10), em Manaus, do 6º Encontro Estadual Amazonas das Mães que Oram pelos Filhos.
Com o tema “Presente de Deus, Encontro com Cristo”, a programação reuniu mães, avós, filhas e integrantes do grupo ‘Amo Pais’ em momentos de oração, formação, partilha e celebração.
A Eucaristia foi o eixo das reflexões do encontro.
Para o Pe.
Renato Criste, diretor espiritual geral do movimento, aprofundar esse mistério é redescobrir a presença de Cristo na vida da comunidade e no cotidiano das famílias.
Segundo ele, a participação na missa pode transformar a maneira de amar, perdoar e servir. “A Eucaristia é alimento, é remédio, é o encontro com alguém”, afirmou o sacerdote.
Ele ressaltou que, ao se aproximarem desse mistério, as mães também podem encontrar amparo para suas angústias e dificuldades: “elas descobrem que não estão sozinhas”.
O Pe.
Anderson Gomes também relacionou a experiência eucarística à vida concreta.
A fé, explicou, não elimina as dores nem as tempestades, mas pode dar força para atravessá-las. “É a graça de, quando celebrado, você continuar em pé, mesmo nas dificuldades da vida”, disse.
Ao falar sobre a transmissão da fé aos filhos, o sacerdote propôs que pais e mães procurem compreender cada pessoa e o momento que ela está vivendo.
Usando a imagem da pesca, observou que é preciso reconhecer “que tipo de peixe” se quer alcançar para escolher a maneira e a hora de se aproximar. “Não é uma matemática universal.
Cada ser humano é diferente”, afirmou.
O Pe.
Sidney Dias, da Comunidade Canção Nova, destacou que a maneira de celebrar a Eucaristia expressa a fé de cada pessoa.
Para ele, a Eucaristia não é apenas um símbolo, mas a presença de alguém, Jesus, cujo encontro transforma a vida. “Tudo o que celebro está ligado àquilo em que acredito.
Se creio, essa fé transforma também a minha maneira de celebrar.
A piedade, o zelo e os gestos revelam algo do nosso coração”, afirmou.
Ao falar sobre a importância da Eucaristia para as mães e as famílias, o sacerdote lembrou que a Igreja a reconhece como “fonte e cume” da vida cristã.
Em meio às dificuldades da educação dos filhos e à sensação de não saber mais o que fazer, disse, as mães podem encontrar no sacramento uma fonte de esperança. “A Eucaristia é o principal tesouro que Jesus deixou para o mundo, a promessa de permanecer conosco.
Nela, as mães encontram força para continuar”, explicou. [ Photo Embed: Cerca de 1500 mães participaram do evento em Manaus] Antes do almoço, o Pe.
Luís Marculino, diretor espiritual do movimento no Amazonas conduziu o Santíssimo Sacramento em meio aos participantes.
Entre pedidos, agradecimentos e orações, muitas pessoas acompanharam o momento com emoção.
A adoração reuniu diferentes gerações e expressou, no espaço coletivo, intenções e esperanças trazidas por cada família.
Para o Pe.
Marculino, encontros como esse reacendem o carisma do movimento e podem aproximar novas pessoas da vida comunitária e sacramental.
Ele descreveu o evento como uma oportunidade de acolhimento para mães que chegam cansadas, feridas ou com a esperança abalada. “Esse aqui é um lugar que se preocupa com a senhora”, afirmou, ao falar sobre a possibilidade de encontrar descanso e cuidado na comunidade.
O sacerdote destacou ainda que a oração em grupo pode ajudar a construir vínculos de apoio.
Em sua reflexão, a mesa familiar, lugar de alimento, conversa, educação e partilha, pode ser compreendida como uma pequena igreja, em continuidade com a mesa do altar.
Após o almoço, os padres Renato Criste e Anderson Gomes animaram os participantes com cânticos católicos em diferentes ritmos, incluindo referências musicais regionais.
A programação prosseguiu com uma roda de conversa e música, em que palestrantes e coordenadores compartilharam histórias familiares, alegrias, perdas e experiências de fé.
A presidente nacional do movimento, Aline Eisenlohr, conduziu a palestra “Na escola de Maria, Mãe Eucarística”.
Em sua reflexão, apresentou Maria como modelo de escuta, obediência e fé, recordando que ela acompanhou Jesus desde o início de sua vida até a cruz.
Aline relacionou essa imagem à experiência das mães que enfrentam incertezas e sofrimentos.
Para ela, a vida em comunidade ajuda a atravessar essas dores: em um grupo, uma mãe pode encontrar outras que compreendem o que está vivendo e a ajudam a seguir adiante. “Quando você vê que uma está caída, a outra vai, te segura e te puxa pela mão”, disse.
Ela também afirmou que o movimento não transforma apenas a relação das mães com os filhos, a formação e a oração podem começar um processo de mudança pessoal, que repercute na família e na sociedade.
Gilvana Célia, coordenadora da ‘AMO Aparecida’, afirmou que o movimento busca ser um instrumento de Deus na vida das mães que chegam aos grupos. “Nossa missão é que nenhuma mãe se sinta sozinha, mas encontre força, fé e apoio para rezar por seus filhos e por suas famílias”, diz.
Segundo ela, a caminhada também ensina a confiar em Deus, entregar as preocupações e reconhecer que as mães contam com a intercessão de Nossa Senhora.
Para Gilvana, o encontro estadual fortaleceu a comunhão e renovou o compromisso das participantes: [ A oração de uma mãe já é forte; imagine um exército de mães rezando com um único propósito, colocar nossos filhos aos pés de Jesus, confiando na intercessão de Nossa Senhora, nossa Mãezinha do Céu.
Vale a pena continuar rezando, mesmo quando as respostas não vêm.
Deus está agindo.
Que nunca nos faltem fé, coragem e amor para continuar de joelhos pelos nossos filhos. ] Priscila Ribeiro Cativo Nogueira, coordenadora do ‘Movimento Mães que Oram pelos Filhos' na Diocese de Parintins, viajou cerca de 24 horas de barco até Manaus para participar do encontro, acompanhada por outras cinco mães que atuam nos serviços do movimento.
Ela descreve a experiência como algo difícil de transmitir a quem não esteve presente. “É uma experiência que não tem explicação.
Só quem esteve no encontro conseguiu sentir e viver de fato esse momento.
Podemos voltar e contar, mostrar fotos e vídeos, mas a experiência de participar toca o coração de um jeito próprio”, relatou.
Priscila afirmou que leva de Manaus uma força renovada para a caminhada e para a vivência da fé.
Para ela, o encontro ajudou a reavivar aquilo que, em alguns momentos, pode parecer enfraquecido ou distante. “É muito importante reconhecer que Deus tem algo maravilhoso para fazer em nossa vida”, conclui. O encontro foi encerrado com a Santa Missa presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, dom Samuel Ferreira de Lima.
O bispo ressaltou a missão das mães na transmissão da fé e recordou o exemplo de Santa Mônica, que rezou durante anos pela conversão do filho, Santo Agostinho.
A oração, afirmou, pode fortalecer as famílias e ajudar cada pessoa a perseverar diante dos desafios.
Dom Samuel também destacou a dimensão comunitária do encontro, ao se reunirem, mães de diferentes realidades percebem que não estão isoladas.
A Eucaristia, centro da celebração, convida os participantes a viver a doação e a comunhão também na família e na sociedade. [ Photo Embed: O encontro estadual foi realizado no último sábado, 31 de outubro, no Amazonas] De um pequeno grupo à expansão do movimento A história do Movimento Mães que Oram pelos Filhos começou em 2011, na Paróquia São Camilo de Lellis, em Mata da Praia, Vitória (ES).
Segundo o relato histórico publicado pelo próprio movimento, a iniciativa nasceu do desejo de Vanessa Campos Ferreira Menin de reunir a família para rezar pelos filhos.
Em um encontro com amigas, Aline Eisenlohr se dispôs a convidar as primeiras mães.
O grupo inicial, coordenado por Angela Abdo e Eudília Serafim, começou pequeno e cresceu com a participação de mulheres que buscavam aprender a rezar e a interceder por seus filhos.
A expansão ganhou força com o livro ‘Mães que oram pelos filhos: tudo pode ser mudado pela força da oração’.
A obra inspirou a formação de grupos em outras regiões do Brasil e no exterior.
Em dezembro daquele ano, o grupo foi reconhecido como movimento pela Arquidiocese de Vitória, conforme o histórico institucional. Em depoimento durante o encontro em Manaus, Angela Abdo relacionou o início dessa caminhada a uma experiência de dor vivida por sua filha e à descoberta da oração como caminho de entrega “naquele momento, Deus toca no coração dela, que ela não tem nenhum controle sobre a vida dos filhos dela, a não ser a oração.
E ela me chama para rezar”.
Angela contou que, no começo, a expectativa era reunir apenas um pequeno grupo de amigas.
A publicação do livro, porém, ampliou o alcance da iniciativa que hoje reúne mães para orar pelos filhos em 26 países.
Ao olhar para o caminho percorrido, resumiu a experiência com uma imagem de confiança, “eu não entendo quando está acontecendo, mas eu coloco o pé e Deus coloca o chão”. [ Photo Embed: No eixo central da reflexão em Manaus, a Eucaristia]