Na Assembleia Plenária de abril foram eleitos os Órgãos da Conferência Episcopal Portuguesa para o triénio 2026-2029.
Rui Saraiva – Portugal O bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, é o novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), sucedendo no cargo a D. José Ornelas, bispo de Leiria-Fátima, informa a Agência Ecclesia. A eleição dos órgãos da CEP para o triénio 2026-2029 decorreu na 214ª Assembleia Plenária, que teve lugar em Fátima de 13 a 16 de abril. D. José Cordeiro, arcebispo de Braga, foi escolhido como vice-presidente. Missão na continuidade e aprofundamento D. Virgílio Antunes, com 64 anos de idade, foi vice-presidente da CEP nos dois últimos mandatos; foi ainda um dos representantes do episcopado português na XVI Assembleia Geral do Sínodo dos bispos, em 2023 e 2024, no Vaticano. Nas suas primeiras declarações, sublinha a importância desta missão de serviço à Igreja, assumindo a intenção de dar continuidade ao trabalho dos últimos anos, que considerou “muito meritório”, aludindo a áreas como a “evangelização” ou “os abusos sexuais na Igreja e a proteção de menores”. “É uma missão, é um cargo que se assume dentro da Igreja, dando continuidade àquilo que é a nossa vida de serviço à Igreja, em muitos e diferentes lugares, em muitas e diferentes circunstâncias, mas é sempre o mesmo espírito”, diz D. Virgílio Antunes. O novo presidente da CEP considera que na Igreja não há dossiês fechados. Salienta a necessidade da continuidade e do aprofundamento. “Na Igreja não há dossiês fechados, nem que se possam fechar, e alguns deles têm a premência da continuidade, do aprofundamento”, acrescentou. O bispo de Coimbra assume a necessidade atenção às “questões fraturantes” na sociedade e às consequências da guerra, destacando a liderança do Papa Leão XIV e a sua “voz carregada da energia que vem do Evangelho”. “Não pode haver uma Conferência Episcopal, em Portugal ou no mundo, que esteja alheia às questões fundamentais que se passam dentro da própria Igreja e dentro da sociedade”, afirmou. O presidente da CEP assinala a chegada de novos bispos, como sendo um fator revelador de uma “nova energia” no episcopado português. D. Virgílio Antunes deixa uma mensagem de abertura para com todos os católicos e toda a sociedade portuguesa. “Gostaria de deixar uma palavra de saudação aos meus irmãos e irmãs católicos, de uma forma muito geral a toda a sociedade portuguesa, dizendo que a Conferência Episcopal vai continuar determinada a levar por diante os seus objetivos, de uma forma atenta, de uma forma livre e, naturalmente, aberta à colaboração de todos”, apontou. Alguns setores da pastoral com nova coordenação A Agência Ecclesia assinala que uma das consequências desta Assembleia Plenária é que mais de metade dos setores da pastoral da Igreja têm agora uma nova coordenação nacional. Três dos novos bispos a assumir a coordenação das comissões episcopais são D. Roberto Mariz, bispo auxiliar do Porto, na Comissão Episcopal da Pastoral Social; D. Pedro Fernandes, bispo de Portalegre-Castelo Branco, na Comissão Episcopal da Mobilidade Humana; e o cardeal D. Américo Aguiar, bispo de Setúbal, na Comissão Episcopal do Laicado, Família e Vida. D. Alexandre Palma, bispo auxiliar de Lisboa, foi eleito para presidir à Comissão Episcopal das Comunicações Sociais; D. Rui Valério, patriarca de Lisboa, preside à Comissão da Missão e Nova Evangelização; e D. Nélio Pita, bispo auxiliar de Braga, à Comissão Mista Bispos e Vida Consagrada. A Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé continua a ser presidida por D. António Augusto Azevedo, bispo de Vila Real; D. Vitorino Soares, bispo auxiliar do Porto, foi eleito para um segundo mandato na Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios; e D. José Cordeiro, arcebispo de Braga, renova a presidência da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade. A Comissão Episcopal da Cultura e Bens Culturais é presidida por D. Nuno Brás, bispo do Funchal. D. Virgílio Antunes foi ordenado bispo no dia 3 de julho de 2011, em Fátima, após ter sido nomeado como responsável pela diocese de Coimbra, a 28 de abril desse mesmo ano, por Bento XVI. O antigo reitor do Santuário de Fátima tem um trajeto académico marcado pela especialização em Exegese Bíblica pelo Instituto Bíblico Pontifício, em Roma (1992-1996). Ao nível da formação de novos sacerdotes, D. Virgílio Antunes desempenhou o cargo de reitor do Seminário Diocesano de Leiria entre 1996 e 2005. Natural da aldeia da Pia do Urso, freguesia de São Mamede (Batalha), o novo presidente da CEP nasceu a 22 de setembro de 1961 e foi ordenado presbítero no dia 29 de setembro de 1985. D. José Cordeiro, eleito vice-presidente da CEP, é arcebispo de Braga desde dezembro de 2021 e presidente da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade; foi bispo de Bragança-Miranda entre 2011 e 2021, depois de ter sido reitor do Pontifício Colégio Português, em Roma, entre 2005 e 2011. Para o mandato de 2026 a 2029 para além do presidente, do vice-presidente e do secretário, que se mantêm o padre Manuel Barbosa, são vogais do Conselho Permanente o patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, por inerência do cargo; D. António Augusto Azevedo, bispo de Vila Real; D. António Moiteiro, bispo de Aveiro; D. Armando Esteves Domingues, bispo de Angra; e D. José Traquina, bispo de Santarém. Laudetur Iesus Christus