No Texas, nasce a primeira paróquia dedicada a Matthew Ayariga, mártir ganês morto pelo ISIS na Líbia

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No Texas, nasce a primeira paróquia dedicada a Matthew Ayariga, mártir ganês morto pelo ISIS na Líbia
Fonte: VATICANO

Trabalhador migrante em território líbio, Matthew Ayariga foi sequestrado juntamente com 20 trabalhadores egípcios, membros da Igreja Copta Ortodoxa. Em 15 de fevereiro de 2015, os 21 foram assassinados na região de Sirte por integrantes do Estado Islâmico, que divulgou imagens da execução. Segundo os relatos sobre o episódio, Ayariga, único não egípcio do grupo, teve a oportunidade de renunciar à fé cristã para salvar a própria vida, mas teria reafirmado sua fé em Jesus Cristo.

Vatican News A memória de São Matthew Ayariga, o único ganês entre os 21 cristãos assassinados pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI) na Líbia em 2015, ganha uma nova expressão nos Estados Unidos.

O bispo Michael Olson, da Diocese de Fort Worth, no Texas, anunciou a criação da Saint Matthew Ayariga Catholic Church, em Arlington.

A nova comunidade é a primeira paróquia católica nacional ganesa dos Estados Unidos e, segundo a Diocese de Fort Worth, a primeira paróquia católica do mundo dedicada a Ayariga. [ In Evidence ] A criação da paróquia representa o resultado de quase duas décadas de crescimento da comunidade católica ganesa no norte do Texas.

Desde 2007, fiéis de origem ganesa se reuniam semanalmente na Igreja de São José, em Arlington, para participar da Missa celebrada em twi, uma das principais línguas de Gana.

O desenvolvimento da comunidade foi favorecido pela colaboração entre a Diocese de Fort Worth e a Arquidiocese de Kumasi, em Gana, que disponibilizou sacerdotes para o acompanhamento pastoral dos imigrantes.

Para o bispo Olson, o crescimento da comunidade tornou necessária a criação de uma paróquia própria para atender suas necessidades espirituais.

O martírio na costa da Líbia   A história de Matthew Ayariga está ligada a um dos episódios mais marcantes da perseguição aos cristãos no Oriente Médio na última década.

Trabalhador migrante em território líbio, ele foi sequestrado juntamente com 20 trabalhadores egípcios, membros da Igreja Copta Ortodoxa.

Em 15 de fevereiro de 2015, os 21 foram assassinados na região de Sirte por integrantes do Estado Islâmico, que divulgou imagens da execução.

Segundo os relatos sobre o episódio, Ayariga, único não egípcio do grupo, teve a oportunidade de renunciar à fé cristã para salvar a própria vida.

Ele teria respondido reafirmando sua fé em Cristo e acabou sendo morto junto com os demais prisioneiros.

Sete dias depois do massacre, em 21 de fevereiro de 2015, o patriarca copta ortodoxo Tawadros II reconheceu os 21 como mártires e santos da Igreja Copta Ortodoxa.

A história desses homens adquiriu posteriormente também um significado ecumênico.

Em maio de 2023, durante o encontro entre o Papa Francisco e Tawadros II no Vaticano, Francisco anunciou que os 21 mártires seriam inscritos no Martirológio Romano, como sinal da comunhão espiritual entre a Igreja Católica e a Igreja Copta Ortodoxa. “Esses mártires foram batizados não apenas na água e no Espírito, mas também no sangue”, afirmou Francisco, destacando o testemunho dos cristãos mortos em razão de sua fé. [ In Evidence ] A inclusão dos 21 mártires no Martirológio Romano tornou-se efetiva na prática litúrgica a partir de 2024.

Em 15 de fevereiro daquele ano, a Igreja Católica realizou pela primeira vez uma celebração em memória dos mártires coptas, com uma oração ecumênica na Basílica de São Pedro.

A iniciativa foi apresentada pelo Vaticano como uma expressão concreta da proximidade entre católicos e coptas ortodoxos e da importância do testemunho dos mártires para a unidade dos cristãos.

A nova paróquia de Arlington acrescenta, portanto, uma dimensão particularmente significativa à memória de Ayariga.

Um migrante africano que deixou Gana em busca de trabalho e encontrou a morte por causa de sua fé passa agora a ser recordado como padroeiro de uma comunidade formada também por migrantes africanos que vivem longe de sua terra natal.

A criação da paróquia transforma sua história pessoal em referência permanente para uma comunidade que procura preservar sua identidade cultural e religiosa no contexto da sociedade norte-americana.

Mais de uma década depois de sua morte, Matthew Ayariga permanece, assim, associado a uma mensagem que ultrapassa as fronteiras nacionais e confessionais.

Sua memória reúne a experiência da migração, a perseguição aos cristãos e o diálogo entre diferentes tradições cristãs.

Em Arlington, seu nome deixa de estar ligado apenas ao relato de um martírio ocorrido na Líbia e passa a identificar uma comunidade católica viva, formada por fiéis ganeses que encontram em seu testemunho uma referência de fé e perseverança.

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