Núncio apostólico na França destaca o «grande interesse» pela visita do Papa

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Núncio apostólico na França destaca o «grande interesse» pela visita do Papa
Fonte: VATICANO

Leão XIV passará quatro dias na França e encontrará milhões de pessoas nas três cidades que visitará entre os dias 25 e 28 de setembro. Há meses, o entusiasmo dos católicos, mas não somente deles, não para de crescer. É o que confirma o representante da Santa Sé na França, Dom Celestino Migliore.

Jean-Charles Putzolu – Cidade do Vaticano Leão XIV é esperado na sexta-feira, 25 de setembro, em Paris, primeira das três etapas, juntamente com Lourdes e Metz, de sua quinta viagem apostólica.

Na França, tudo está preparado para acolher o Papa.

Seus compromissos públicos serão numerosos e também haverá a possibilidade de saudá-lo durante a passagem do papamóvel pelas ruas de Paris, entre outros locais.

Um sentimento de alegria prevalece poucos dias antes da visita, tanto entre os bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas que há meses preparam a acolhida, quanto entre os 17 mil voluntários inscritos para garantir o bom andamento da visita do Sucessor de Pedro.

Esse sentimento de alegria também é compartilhado pelo representante da Santa Sé na França.

Em entrevista aos meios de comunicação do Vaticano, Dom Celestino Migliore observa que esta será a terceira viagem do Papa ao continente europeu, depois de Mônaco, em março, e da Espanha, em junho.

O Santo Padre respondeu aos convites da Conferência Episcopal, do chefe de Estado e da Unesco, escolhendo realizar esta viagem apenas um ano e meio depois de sua eleição, «impulsionado pelo desejo de vir encontrar e confirmar os cristãos franceses em sua fé ativa e comprometida.

E, em particular, os catecúmenos e os neófitos», observa o núncio apostólico.

Um momento será dedicado especialmente a eles na manhã de sábado, 26 de setembro, no Instituto Católico de Paris.

A França registra um aumento significativo no número de pessoas que pedem o Batismo, e esse crescimento de «adultos e adolescentes suscitou grande interesse, admiração e incentivo por parte do Santo Padre», confirma Dom Migliore, respondendo indiretamente ao cardeal-arcebispo de Marselha, Jean-Marc Aveline, que havia mencionado esse fenômeno «intrigante» durante a apresentação da viagem à imprensa, em 8 de setembro.

Na ocasião, o cardeal havia mostrado uma França que parece «resistir à secularização».

Durante o Ano Jubilar, aliás, Leão XIV, juntamente com responsáveis por Dicastérios da Cúria Romana, já havia desejado encontrar esses jovens catecúmenos e neófitos, recorda o núncio, «para ouvir deles mesmos como haviam amadurecido o desejo de conhecer a figura de Jesus e como pretendiam caminhar seguindo os passos do Evangelho».

Leão XIV havia recebido mais de 500 jovens franceses que pediam o Batismo em 29 de julho de 2025, no início do Jubileu dos Jovens.

Cultura, educação e multilateralismo   Em 2 de junho de 1980, São João Paulo II discursou na tribuna da Unesco.

Primeiro Papa a falar na sede da instituição das Nações Unidas, ele centrou seu discurso na centralidade do ser humano, na importância da cultura para o futuro da humanidade e na necessidade de estabelecer uma espécie de carta ética para orientar o progresso técnico, a fim de que a ciência permanecesse a serviço da paz.

O papel da Igreja, destacou também o Papa polonês, é promover a construção do mundo de amanhã «não apoiando-se nos recursos da força física, mas unicamente apoiando-se na sua cultura.

Esta cultura revelou-se, neste caso, mais poderosa do que todas as outras forças».

Na tarde de sexta-feira, Leão XIV sucederá João Paulo II na grande sala de conferências da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, onde a Santa Sé possui o status de observador permanente.

A Igreja considera que «a educação e a cultura são a base da paz desarmada e desarmante de que fala Leão XIV», explica o núncio apostólico na França.

Para a Unesco, as questões relacionadas à educação, à ciência e à cultura estão estreitamente ligadas à visão antropológica.

Para a Igreja, acrescenta Dom Migliore, «uma antropologia justa é uma prioridade na reflexão e na tomada de decisões em todos os âmbitos da vida humana».

A Europa e a paz   Na sede da Unesco, as palavras do Bispo de Roma ressoarão para além das fronteiras, assim como aquelas que pronunciará em Metz, por ocasião do encontro «Às raízes da Europa pela paz e pela unidade», que será realizado na segunda-feira, 28 de setembro, no centro de congressos Robert Schuman, «um dos principais artífices da reconciliação e da paz na Europa depois da Segunda Guerra Mundial», recorda Dom Migliore.

O núncio prossegue falando sobre a repercussão esperada das palavras do Papa durante esse encontro na região de Mosela.

Metz é uma cidade fronteiriça com a Alemanha, Luxemburgo e o norte da Europa; uma cidade marcada por uma «história de violência, guerra e agressão».

O que se espera, explica o diplomata, sem revelar o conteúdo da mensagem do Papa, é «uma mensagem de paz, reconciliação e unidade no continente europeu».

Leão XIV parece demonstrar um interesse particular pelo Velho Continente.

Em menos de dois anos de pontificado e em cinco viagens apostólicas, três têm como foco a Europa.

A França chega depois de Mônaco e da Espanha.

A França, pioneira no combate aos abusos   A Igreja começou a luta contra os abusos sexuais muito antes do relatório da Ciase (Comissão Independente sobre os Abusos Sexuais na Igreja), recorda o núncio.

Medidas foram adotadas desde cedo para «prevenir, escutar, acolher as vítimas e tentar encontrar soluções de reparação».

Dom Migliore recorda brevemente o trabalho «notável» da Igreja na França por meio das estruturas criadas para se dedicar às vítimas, como a Inirr, que acaba de concluir sua missão, e a Iniave, que assume o trabalho, aproveitando «todos os ensinamentos recolhidos ao longo dos anos» para abrir uma nova fase, constituir e coordenar a rede de acompanhantes.

A Iniave, explicou Dom Gérard le Stang, presidente do Conselho Nacional para a Proteção dos Menores da Conferência dos Bispos da França, durante a apresentação da nova instituição, também é responsável por elaborar uma carta ética, um programa de formação e a tabela de contribuição financeira destinada às vítimas.

Entusiasmo palpável   Dom Migliore admite que sente «um sentimento de grande expectativa e de expectativa alegre» poucos dias antes da chegada do Santo Padre.

Mas acrescenta imediatamente: «Vemos que há um grande entusiasmo em toda a França, e não somente entre os católicos».

Os franceses esperam «uma mensagem de esperança em meio às dificuldades que a sociedade enfrenta atualmente», observa o representante da Santa Sé, antes de destacar a expectativa de alguns em conhecer o ponto de vista de Leão XIV «sobre o número crescente de jovens e adultos que desejam se comprometer com a vida cristã».

Por fim, o Pontífice vai à França para confirmar os fiéis na fé e a Igreja em seu compromisso «pelo bem da sociedade».

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