Núncio no Kuwait: trabalhar para restabelecer a diplomacia - Vatican News via Acervo Católico

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Núncio no Kuwait: trabalhar para restabelecer a diplomacia - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

O arcebispo Eugene Nugent, representante do Papa no Kuwait, Bahrein e Catar, está em contato com as autoridades e embaixadores desses três países do Golfo para a retomada das relações diplomáticas e o diálogo. O arcebispo irlandês, diplomata da Santa Sé, reside no Kuwait desde 2021. Ele faz um apelo à calma e à oração durante este período que coincide com a Quaresma e o Ramadã.

Entrevista de Delphine Allaire – Cidade do Vaticano Ao menos cinco pessoas foram mortas no Golfo desde sábado, 28 de fevereiro, todas estrangeiras: uma no Kuwait, três nos Emirados Árabes Unidos e uma no Bahrein. Na segunda-feira, 2 de março, novas explosões foram ouvidas em Dubai, Abu Dhabi, Doha e Manama. No Kuwait, era perceptível a densa fumaça que subia da Embaixada dos Estados Unidos. Os ataques iranianos têm como alvo também os países da Península Arábica, há muito considerados refúgios de segurança. No contexto desta situação dramática, a Rádio Vaticano/Vatican News entrevistou  núncio apostólico no Kuwait,  Bahrein e Catar, o arcebispo Eugene Nugent. Qual a atual situação no Kuwait, onde o senhor está? A situação é dramática e piora a cada dia. Quase não dormimos na noite passada por causa de uma série de explosões que ouvimos a partir das 2h da manhã, seguidas por sirenes incessantes. Esta manhã, soubemos que a embaixada estadunidense aqui no Kuwait foi atacada por um drone. Felizmente, não houve vítimas fatais, mas houve danos, incluindo um incêndio dentro da embaixada. Também esta manhã, soubemos que dois aviões militares americanos foram abatidos perto da Base Aérea Americana "Ali al Salem", que conheço muito bem, pois vou lá regularmente para celebrar Missa. Há um contingente italiano bem ao lado. Estamos tentando manter a calma, claro, mas é um pouco assustador, devo dizer. Ao redor da Nunciatura, não vimos nenhum dano. Somos a única embaixada no distrito de Shaab, uma área tranquila da cidade. O bairro diplomático, que também abriga a embaixada iraniana, fica bem perto, mas nossa área está calma. Bases militares e aeroportos são os principais alvos, assim como o Terminal 1 do Aeroporto Internacional do Kuwait, que foi atingido por um drone logo no primeiro dia. O Reino do Bahrein e o Emirado do Kuwait foram atingidos pela guerra. Como isso está sendo sentido nesses países, que normalmente promovem o diálogo inter-religioso e a coexistência pacífica? Estamos todos um tanto chocados com o que está acontecendo. Tínhamos esperança de que o diálogo e as negociações em andamento dessem frutos. Ficamos realmente surpresos quando a guerra eclodiu em 28 de fevereiro. Felizmente, a mensagem do Santo Padre no domingo, no Angelus, e seu apelo à oração pela paz nesta região, bem como pelo diálogo e pela negociação, foram bem recebidos aqui. Nós a transmitimos. Da mesma forma, a mensagem do vigário apostólico, o bispo Aldo Berardi, convidando a todos à oração e à solidariedade neste momento, também foi bem recebida. Que voz pode ser erguida em meio a horas em que ataques e represálias se intensificam minuto a minuto em todas as direções? Permanecemos em contato com as autoridades e embaixadores, ao menos para encorajá-los a tomar todas as medidas necessárias para pôr fim a esta guerra. Infelizmente, uma vez iniciada uma guerra, ninguém sabe quando ela terminará. Tudo está se acelerando, mas ainda precisamos tentar todas as vias possíveis. Uma guerra prolongada não beneficia ninguém e não beneficiará ninguém, especialmente em uma região já devastada por inúmeros conflitos. Como poderia ser possível restabelecer a diplomacia diante de tamanha hostilidade? Neste momento, o som dos bommbardeios é intenso. Precisamos tentar os métodos tradicionais de diplomacia e negociação. Esperamos que, com a declaração do presidente Donald Trump indicando que haverá diálogo com o novo regime no Irã, de que um diálogo possa começar. Queremos um diálogo razoável com todas as partes. No momento, isso é bastante difícil porque a situação no Irã é muito complexa. Existem muitas facções dentro do país e é difícil entender a dinâmica geopolítica. Precisamos tentar todos os níveis de diálogo. A diplomacia é a única maneira de acabar com esta guerra. Em 2022, no Bahrein, o Papa Francisco comparou a guerra a “um cenário tragicamente infantil”. “No jardim da humanidade, em vez de curarmos a todos, estamos brincando com fogo com mísseis e bombas”, denunciou ele. Como essas palavras ressoam hoje? Parecem proféticas. São palavras poderosas que falam a todos. Durante séculos, a humanidade se envolveu em inúmeros conflitos, mas, no fim, devemos buscar a fraternidade e encontrar o que temos em comum. Vivemos nesta região há séculos. Cada país é compelido a buscar a paz e a harmonia. Rezamos fervorosamente por isso. Na semana passada, celebramos a missa na catedral aqui no Kuwait pelo quarto aniversário da guerra na Ucrânia. Quatro dias depois, a guerra eclodiu aqui. Somente a oração, e durante a Quaresma, o jejum, são importantes. Também é Ramadã. Cristãos e muçulmanos estão em um período de jejum e oração. Imploremos a Deus que nos conceda o dom da paz. Que apoio o senhor pode oferecer à Igreja local e aos fiéis aflitos? Estou em contato diário com o bispo Aldo Berardi, vigário apostólico, e com os párocos nos três países pelos quais sou responsável: Kuwait, Bahrein e Catar. Estou procurando encorajá-los e apoiá-los. Algumas igrejas ainda estão abertas, mas outras estão fechadas, então há Missas privadas. Na nunciatura, celebramos Missa todas as manhãs às 7h30 e, à tarde, às 17h, rezamos o Rosário pela paz. Temos grupos de oração no WhatsApp. Encorajo a todos a manterem a calma e a rezarem à Virgem Maria por este dom de que todos precisamos. Qual a importância da devoção a Nossa Senhora da Arábia em tal contexto? Nossa Senhora da Arábia é fundamental; nossos fiéis têm grande devoção a ela. Os muçulmanos também têm grande devoção a Maria, que é mencionada diversas vezes no Alcorão. Neste momento dramático, rezamos fervorosamente à Virgem Maria, Rainha da Paz. É por meio de sua intercessão junto a seu Filho que a guerra terminará.

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