O Antigo e o Novo Testamento - Vatican News via Acervo Católico

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O Antigo e o Novo Testamento - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Santo Agostinho dizia que “Novum in Vetere latet et in Novo Vetus patet”, ou seja, “o Novo testamento está escondido no Antigo, ao passo que o Antigo é desvendado no Novo”.

Luís Eugênio Sanábio e Souza – escritor de Juiz de Fora (MG) Fiel à sua missão de anunciar a Palavra de Deus, a Igreja Católica sustenta e ensina que foi a Tradição Apostólica que fez a Igreja discernir que escritos deviam ser enumerados na lista dos Livros Sagrados.  Esta lista completa é denominada “Cânon” das Escrituras.  A Igreja recebe e venera como inspirados os 46 livros do Antigo Testamento e os 27 livros do Novo Testamento. Santo Agostinho dizia que “Novum in Vetere latet et in Novo Vetus patet”, ou seja, “o Novo testamento está escondido no Antigo, ao passo que o Antigo é desvendado no Novo”.   A unidade dos dois Testamentos deriva da unidade do plano de Deus e da sua Revelação.  O Antigo Testamento prepara o Novo, ao passo que o Novo dá cumprimento ao Antigo. Os dois se iluminam reciprocamente; ambos são verdadeira Palavra de Deus.  Assim, Deus é o autor da Sagrada Escritura ao inspirar os seus autores humanos;  age neles e através deles. O Antigo Testamento :  Os cristãos veneram o Antigo Testamento como verdadeira Palavra de Deus.  A Igreja sempre combateu vigorosamente a ideia de rejeitar o Antigo Testamento sob o pretexto de que o Novo o teria feito caducar (essa heresia do século II foi chamada de “marcionismo”).   Embora contenham também coisas transitórias, os livros do Antigo Testamento dão testemunho de toda a divina pedagogia do amor salvífico de Deus: neles encontram-se sublimes doutrinas a respeito de Deus, uma sabedoria salutar a respeito da vida humana, bem como admiráveis tesouros de preces; neles, em suma, está latente o mistério da nossa salvação. Os cristãos lêem o Antigo Testamento à luz de Cristo que, por sua vez, reafirmou o seu valor próprio de revelação divina (Mateus 5,17 ; Lucas 24,27). O Novo Testamento :  A Palavra de Deus, que é força de Deus para salvação de todo crente, apresenta-se e manifesta o seu poder de modo eminente nos escritos do Novo Testamento.  Estes escritos transmitem-nos a verdade definitiva da Revelação divina. O seu objeto central é Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado, os seus atos, os seus ensinamentos, a sua Paixão e glorificação, bem como os primórdios da sua Igreja sob a ação do Espírito Santo.  Assim, os evangelhos são o coração de todas as Escrituras.  Santa Teresinha assim disse:  “É sobretudo o Evangelho que me ocupa durante as minhas orações. Nele encontro tudo o que é necessário à minha pobre alma. Nele descubro sempre novas luzes, sentidos escondidos e misteriosos”.  “Não existe nenhuma doutrina que seja melhor, mais preciosa e mais esplêndida que o texto do Evangelho. Vede e retende o que nosso Senhor e Mestre, Cristo, ensinou pelas suas palavras e realizou pelos seus atos” (Santa Cesária). Uma antiga expressão em latim ensina assim :  “Omnis Scriptura divina unus liber est, et ille unus liber Christus est, «quia omnis Scriptura divina de Christo loquitur; et omnis Scriptura divina in Christo impletur»” =  “Toda a Escritura divina é um só livro, e esse livro único é Cristo, «porque toda a Escritura divina fala de Cristo e toda a Escritura divina se cumpre em Cristo» (Hugo de São Vítor, século XII). A Igreja afirma que “é tão grande a força e a virtude da Palavra de Deus, que ela se torna para a Igreja apoio e vigor e, para os filhos da Igreja, solidez da fé, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual.  É necessário que “os fiéis tenham largo acesso à Sagrada Escritura” (Catecismo da Igreja Católica nº 131).   O Concílio Vaticano II nos lembra que “o ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita ou contida na Tradição, foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo. Este magistério não está acima da Palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido, enquanto, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, a ouve piamente, a guarda religiosamente e a expõe fielmente, haurindo deste depósito único da fé tudo quanto propõe à fé como divinamente revelado. Fica portanto claro que a sagrada Tradição, a sagrada Escritura e o Magistério da Igreja, segundo o sapientíssimo desígnio de Deus, de tal maneira se unem e se associam que um sem os outros não se mantém, e todos juntos, cada um a seu modo, sob a ação do mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas” (Concílio Vaticano II, DV nº 10).    Santo Agostinho pôde concluir assim :  “Ego vero Evangelio non crederem, nisi me catholicae Ecclesiae commoveret auctoritas” = “Eu não creria no Evangelho, se a isto não me levasse a autoridade da Igreja Católica”. 

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