O arcebispo de Luján: “Um povo inteiro de braços abertos para acolher Leão XIV”

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O arcebispo de Luján: “Um povo inteiro de braços abertos para acolher Leão XIV”
Fonte: VATICANO

Dom Jorge Eduardo Scheinig fala aos meios de comunicação do Vaticano sobre o clima que se vive no coração espiritual da Argentina, onde Leão XIV estará no próximo dia 11 de novembro, durante sua viagem à América Latina. “Luján é um lugar muito amado pelo povo argentino e a Virgem ama o seu povo”, ressalta. “A imagem é pequena, mas sua presença é poderosíssima. As pessoas que chegam a Luján nunca vão embora da mesma maneira como chegaram”.

Benedetta Capelli – Cidade do Vaticano Apenas 38 centímetros.

A imagem de Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina, conservada na Basílica a ela dedicada, situada a 70 quilômetros de Buenos Aires, é verdadeiramente a expressão daquilo que o Papa Leão XIV definiu várias vezes como “o caminho da pequenez”.

Esse é o caminho percorrido por Deus para descer ao meio dos homens.

Os pequenos, por sua vez, eram os prediletos de Jesus, e o Reino “cresce como a menor de todas as sementes lançadas na terra”. “Essa lógica da pequenez – afirmou o Pontífice na Catedral do Espírito Santo, em Istambul, no dia 28 de novembro de 2025 – é a verdadeira força da Igreja”.

Como não pensar na pequenez ao contemplar a pequena imagem da Virgem, venerada há quase 400 anos e que ainda hoje atrai milhões de fiéis à sua presença?

É nessa Basílica, concluída em 1937 segundo o projeto do arquiteto francês Courtois, que Leão XIV chegará no próximo dia 11 de novembro, durante sua sexta viagem apostólica à América Latina. [ Photo Embed: Imagem da Virgem de Luján, padroeira da Argentina] “Nossa Senhora de Luján – explica aos meios de comunicação do Vaticano Dom Jorge Eduardo Scheinig, arcebispo de Mercedes-Luján – nunca falou, nunca pronunciou palavras nem transmitiu qualquer mensagem.

Nossa Senhora de Luján caracteriza-se justamente por esse silêncio, talvez semelhante ao da Mãe do Senhor no Evangelho, que falou pouco”.

Trata-se, portanto, de uma presença “perseverante”, “contínua”, “materna”.

Ela está ali para ouvir súplicas, acolher orações, enxugar lágrimas e devolver forças com seu olhar.

O próprio Papa Francisco já havia falado sobre isso: o olhar da Morenita é um olhar que “renova” e “dá força”.

No livro do padre Alexandre Awi Mello, Ela é minha Mãe – Encontros com Maria, conta-se que, quando atendia confissões do lado direito da Basílica, depois de as pessoas já terem passado diante da pequena imagem de Nossa Senhora, a confissão se tornava mais intensa, pois o coração das pessoas havia sido tocado por Maria.

Então, ele lhes perguntava: “Vocês a viram?”.

Uma pergunta que sempre recebia a mesma resposta. [ Photo Embed: Dom Jorge Eduardo Scheinig, arcebispo Mercedes Luján] A ligação do Papa Francisco com a Morenita   Nossa Senhora de Luján e um milagre relacionado à cura de uma menina foram recordados pelo Papa Francisco durante uma homilia na Missa celebrada na Casa Santa Marta, em 20 de maio de 2013.

Francisco recordou a determinação do pai que, diante da notícia de que a filha estava prestes a morrer, reagiu dirigindo-se durante a noite ao santuário mariano, que estava fechado.

Ele agarrou-se às grades de ferro e começou a rezar incessantemente, alternando suas súplicas com lágrimas.

Ao retornar ao hospital, encontrou a esposa chorando e os médicos incrédulos.

A menina estava curada. “A oração faz milagres, mas devemos acreditar!”, explicou o Papa Francisco.

O olhar de Maria, portanto, transforma o coração das pessoas. “A imagem é muito pequena – conta Dom Scheinig –, mas sua presença é poderosíssima.

Seu olhar também é muito particular.

Quando nos deixamos olhar pela Virgem, algo realmente acontece: as pessoas que chegam a Luján nunca vão embora da mesma maneira como chegaram.

Chegam de uma maneira e partem transformadas”. [ Photo Embed: O Papa Francisco reza diante da Virgem de Luján na Praça de São Pedro.] A proximidade de Leão XIV   Também Robert Francis Prevost, quando era prior-geral dos agostinianos, esteve no Santuário de Luján.

O próprio arcebispo confirma a visita e recorda que o encontrou justamente naquele local. “Estamos nos preparando para acolher o Papa de braços e coração abertos – acrescenta Dom Jorge Eduardo Scheinig. – Daremos a ele o abraço de todo o povo argentino”.

Há também uma surpresa sendo preparada, que, naturalmente, não se deseja revelar. “A Argentina teve uma relação muito particular com o Papa Francisco.

Ter um Pontífice da mesma nacionalidade, um filho desta terra, foi algo muito forte.

Por isso, o povo argentino tem uma relação especial com o papado e com o Papa.

A relação tão intensa que tivemos com o Papa Francisco – acrescenta o arcebispo – nos torna muito abertos ao Papa Leão.

Para nós, um Papa não é alguém estranho, mas uma pessoa próxima.

Acreditamos que a presença de Leão renovará essa proximidade, essa amizade, essa comunhão.

Por isso, estamos realmente felizes em recebê-lo aqui na América Latina, na Argentina e, naturalmente, em Luján”.

À espera do Papa Leão   Na Plaza Belgrano, diante da Basílica, os preparativos para a chegada do Papa estão a todo vapor.

O local está acostumado a receber grandes multidões.

A última peregrinação juvenil, realizada nos dias 3 e 4 de outubro, contou com a participação de aproximadamente 2,5 milhões de jovens. “Luján é um lugar muito amado pelo povo argentino e a Virgem ama o seu povo”, ressalta o arcebispo de Mercedes-Luján. “Por isso, estamos nos preparando para acolher o Papa e também todo o povo que estará presente e que, acreditamos, será muito numeroso”.

A acolhida é justamente uma característica distintiva desse lugar.

Busca-se promover uma pastoral da hospitalidade, “porque acreditamos – destaca Dom Scheinig – que essa é a missão confiada por Nossa Senhora de Luján: fazer com que cada pessoa que chega aqui se sinta acolhida, porque ela sempre nos acolhe”. [ Photo Embed: Peregrinos dentro do Santuário de Nuestra Señora de Luján] Um povo de fé   Uma profunda devoção popular que parece contrastar com as estatísticas dos últimos anos, as quais apresentam um cenário preocupante, com a diminuição da presença católica entre 2008 e 2019, passando de 76,5% para 62,9%. “Os estudos estatísticos mostram que, embora diminua a adesão à instituição eclesial – ainda que na América Latina o vínculo com a Igreja continue forte –, não diminui a fé em Jesus e na Virgem.

Prestamos muita atenção a esse aspecto: nosso povo – explica o arcebispo de Mercedes-Luján – é um povo de fé, que continua buscando.

Talvez neste momento essa realidade não seja plenamente percebida, mas, na Argentina, o vínculo com a Igreja ainda é forte, embora esteja diminuindo.

A fé, por sua vez, não diminui”.

Também é profunda e significativa a ligação do próprio Dom Scheinig com Nossa Senhora de Luján.

Foi justamente nesse santuário que ele recebeu a ordenação episcopal. “Desde muito pequeno, minha mãe e minha avó me traziam aqui.

Tenho uma fotografia em que devia ter quatro ou cinco anos, ao lado da minha avó e da minha mãe.

Para mim, Luján é um lugar familiar, um lugar pelo qual tenho carinho e que amo; é um lugar que me proporciona grande conforto e muita força.

Sinto-me profundamente ligado à Virgem e ao povo que a ama”.

Rainha da Paz   Antes de Leão XIV, São João Paulo II esteve em Luján no dia 11 de junho de 1982, em plena crise provocada pelo conflito das Ilhas Malvinas, conhecidas na Argentina como Las Malvinas e controladas pelo Reino Unido.

A guerra, que ocorreu entre abril e junho de 1982, provocou mais de 900 mortes.

A visita aconteceu depois da passagem do Pontífice pela Inglaterra.

Em Buenos Aires, o Papa Wojtyła apresentou-se como “peregrino dos momentos difíceis”.

O Pontífice recordou as vítimas e os feridos do conflito, pedindo à “Rainha da Paz” que mostrasse os caminhos para resolver as divergências “na paz, na justiça e no respeito à dignidade própria de cada nação”.

Cinco anos depois, em 12 de abril de 1987, João Paulo II retornou ao país sul-americano por ocasião da segunda Jornada Mundial da Juventude.

Na ocasião, confiou a Argentina à Virgem de Luján, para que a “pátria argentina” fosse “pacificada e reconciliada”. “Fazei com que toda a Argentina seja fiel ao Evangelho e abra de par em par o seu coração a Cristo, o Redentor do homem, a esperança da humanidade.” A história de Nossa Senhora de Luján   A chegada da pequena imagem de Nossa Senhora de Luján ao território argentino teria acontecido em maio de 1630, a bordo de um navio proveniente de São Paulo, no Brasil.

Quem a acompanhava era Manuel de los Ríos, um escravizado originário de Angola.

Segundo a tradição, a carroça que transportava a caixa com a imagem da Virgem, ao chegar ao rio Luján, não conseguiu mais prosseguir viagem.

Por esse motivo, a imagem permaneceu naquele local.

Em pouco tempo, sua história se difundiu e numerosos peregrinos começaram a chegar para venerá-la.

Mais tarde, o Papa Leão XIII concedeu a autorização para sua coroação, realizada em maio de 1887.

A festa litúrgica de Nossa Senhora de Luján foi estabelecida para o sábado anterior ao quarto domingo depois da Páscoa.

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