O diálogo entre a cultura de oração e as novas tecnologias

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O diálogo entre a cultura de oração e as novas tecnologias
Fonte: VATICANO

A tecnologia digital atravessa todas as dimensões da existência humana: do intelecto ao trabalho, do lazer aos deslocamentos, impactando a política, a economia, a psicologia e a própria fé.

Dom Edson Oriolo - Bispo da Igreja Particular de Leopoldina MG Hoje estamos nos deparando com grandes transformações, demonstrando como a ciência (saber) e a tecnologia (fazer) se relacionam.

Neste exato momento em que você está lendo este artigo, a ciência está descobrindo novas realidades e a tecnologia está apresentando novas maneiras de abrir horizontes para novas descobertas da ciência.

Mas, frente ao mundo contemporâneo, a tecnologia está comprometendo-se com uma nova realidade que denominamos digital, enquanto no passado estava relacionada a questões práticas e bem visíveis.

A tecnologia digital atravessa todas as dimensões da existência humana: do intelecto ao trabalho, do lazer aos deslocamentos, impactando a política, a economia, a psicologia e a própria fé.

A partir dessa constatação, isto é, da inserção das tecnologias digitais nas mais variadas maneiras de comunicação, construção de conhecimento e obtenção de informações, podemos falar de uma cultura digital.

No entanto, o sociólogo espanhol Manuel Castells define a cultura digital a partir de elementos centrais: a habilidade para comunicar e mesclar qualquer produto baseado em linguagem digital; a capacidade de se comunicar do local ao global em tempo real (e vice-versa), diluindo os limites da interação; a coexistência de múltiplas modalidades comunicativas; a interconexão de redes digitalizadas e bancos de dados; a reconfiguração constante de sentidos nas diferentes camadas da comunicação; e, por fim, a constituição de uma rede de conhecimentos sem fronteiras.

É a partir dessa constatação que emerge uma transformação silenciosa, porém profunda: como a cultura digital, fruto das novas tecnologias, isto é, digitais, vem se infiltrando no cotidiano dos católicos e redefinindo a sua cultura de oração, tornando-se, inclusive, uma nova fonte de recursos para alimentar e solidificar a vida espiritual na era da informação.

A expansão de informações e conteúdos devocionais no ambiente digital, com suas múltiplas fórmulas de oração e práticas, exige da Igreja um itinerário de formação espiritual capaz de promover o discernimento e a consciência crítica frente ao cenário religioso.

Com uma consciência bem formada, o cristão católico não reduzirá a experiência cristã de Deus à adesão a práticas e opiniões de agentes religiosos que alcançam maior audiência, sem necessariamente promoverem a conversão, o amadurecimento da fé, a transformação da vida comunitária e o compromisso cristão.

A cultura de oração, na Igreja Católica Apostólica Romana, expressa a busca sincera de uma experiência de Deus por Jesus Cristo, no Espírito Santo.

Sustenta-se no ensinamento apostólico, na fração do pão, na partilha e na vida de oração (cf.

At 2,42).  Assim, ela se molda e se fortalece no cotidiano dos católicos por meio da sagrada liturgia, do acesso aos sacramentos, especialmente da Eucaristia, da devoção mariana e aos santos, da solidariedade e partilha com os vulneráveis, além da participação ativa nas comunidades paroquiais e eclesiais.

Trata-se de um ecossistema espiritual essencial, devocional e indispensável, onde a fé se encarna no relacionamento cotidiano com as pessoas e com o Criador.

Assim sendo, no mundo contemporâneo, a ciência e a tecnologia digital atravessam todas as dimensões da existência humana, fazendo emergir o que o sociólogo Manuel Castells conceitua como cultura digital, que vem se infiltrando de forma silenciosa e gradual na vida dos fiéis.

Ao invés de afastar o indivíduo do Sagrado, essa cultura digital torna-se uma nova fonte de recursos e informações que alimenta, solidifica e redefine o cotidiano de oração dos católicos, expandindo os horizontes de busca pelo conhecimento espiritual na era da informação.

Para que essa transformação seja frutífera, a Igreja, como parte integrante da sociedade, deve acompanhar tais mudanças e proporcionar múltiplas oportunidades de aprendizagem e evangelização.

A tecnologia digital pode e deve ser uma aliada na cultura de oração facilitando o acesso às leituras diárias, promovendo redes de intercessão e conectando comunidades fiéis, desde que usada como um meio para conduzir ao essencial.

Assim, a cultura digital ajuda a fortalecer as práticas devocionais sem que a experiência cristã de Deus perca sua verdadeira identidade, mantendo sempre no centro o encontro autêntico, a intimidade pessoal com Deus e o compromisso comunitário em prol do Evangelho.

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