O mundo das telecomunicações numa aldeia global

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O mundo das telecomunicações numa aldeia global
Fonte: VATICANO

“A comunicação permeia as dimensões essenciais da Igreja, chamada a anunciar a todos a Boa Nova da salvação. Por isso, ela assume as oportunidades oferecidas pelos instrumentos da comunicação social como percursos dados providencialmente por Deus nos dias de hoje para aumentar a comunicação e tornar o anúncio mais incisivo". (São João Paulo II)

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano [ Audio Embed Ouça e compartilhe!] Em um mundo marcado por profundas transformações tecnológicas, em que as distâncias se encurtam e as relações humanas são cada vez mais mediadas pelo ambiente digital, a Igreja é chamada a discernir os sinais dos tempos e reconhecer nas novas formas de comunicação oportunidades para anunciar o Evangelho.

Desde o Concílio Vaticano II, o Magistério da Igreja tem refletido sobre os desafios e as possibilidades oferecidos pelos meios de comunicação social, compreendendo-os não apenas como instrumentos de informação, mas também como espaços de evangelização, diálogo e construção da comunhão.

Nesse percurso, São João Paulo II destacou o mundo das comunicações como o novo areópago da missão evangelizadora, antecipando questões que hoje ganham ainda maior relevância com o avanço da Inteligência Artificial e a consolidação de uma nova cultura digital.

Este é o tema inspira a reflexão do sacerdote gaúcho Pe Gerson Schmidt* para esta semana, institulada "O mundo das telecomunicações numa aldeia global": [ Read Also ] "A Carta apostólica do Sumo Pontífice São João Paulo II, “o rápido desenvolvimento”, dirigida aos responsáveis pelas comunicações sociais, fala do complexo mundo das telecomunicações.

O Papa Polonês João Paulo II, que na sua juventude foi ator de teatro, diz no número 06: “A comunicação permeia as dimensões essenciais da Igreja, chamada a anunciar a todos a Boa Nova da salvação.

Por isso, ela assume as oportunidades oferecidas pelos instrumentos da comunicação social como percursos dados providencialmente por Deus nos dias de hoje para aumentar a comunicação e tornar o anúncio mais incisivo[1].

A tecnologia, portanto, não é diabólica, mas providência divina, diz a Igreja.

Palavras textuais do Papa nessa sua carta apostólica: “Os mass media permitem manifestar o caráter universal do Povo de Deus, favorecendo um intercâmbio mais intenso e imediato entre as Igrejas locais, alimentando o conhecimento recíproco e a colaboração.

Damos graças a Deus pela presença destes poderosos meios que, se forem usados pelos cristãos com o gênio da fé e na docilidade à luz do Espírito Santo, podem contribuir para facilitar a difusão do Evangelho e para tornar mais eficazes os vínculos de comunhão entre as comunidades eclesiais”.

Aqui o Papa está dizendo que as novas descobertas dos Mass Media são docilidade do Espírito Santo, ou seja, frutos da providência divina para a Evangelização e, por isso, temos motivos para dar graças ao bom Deus por esses inventos maravilhosos.

Ai de nós se não os utilizarmos.

Como dizia já São Paulo VI, na Evangelii Nunciandi, seremos culpados – “culpáveis” é o termo utilizado por São Paulo VI - se não utilizamos esses meios poderosos da Tecnologia.

A pergunta que poderíamos fazer, dentro da utilização hoje da Inteligência Artificial para a Evangelização....

Não seriamos igualmente culpáveis se não utilizarmos com critérios essa ferramenta inovadora para a pastoral, a evangelização e a construção do Reino de Deus?

O Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais na instrução pastoral Aetatis Novae sobre as Comunicações Sociais no vigésimo aniversário de Communio et progressio, propõe na introdução assim, sob o título “UMA REVOLUÇÃO NAS COMUNICAÇÕES”.

Diz assim em uma das afirmativas: “Ao aproximarmo-nos de uma nova época, dá-se uma considerável expansão nas comunicações, que influencia profundamente as culturas de todo o mundo.

As revoluções tecnológicas representam apenas um aspecto deste fenômeno.

Não existe lugar onde não seja sentido o impacto dos mass media no comportamento religioso e moral, nos sistemas políticos e sociais, e na educação.

Ninguém ignora, por exemplo, o papel das comunicações sociais, que as fronteiras geográficas e políticas não conseguiram controlar, nas mudanças fundamentais que se verificaram no decurso de 1989 e 1990, cujo alcance histórico o Papa sublinhou – Conforme o documento de João Paulo II, Centesimus annus[2].

No documento Redemptoris Missio, João Paulo II[3] , afirmou que o primeiro areópago dos tempos modernos é o mundo das comunicações, que está a unificar a humanidade, transformando-a — como se costuma dizer — na "aldeia global".

Já apontamos aqui que a “aldeia global” é o conceito cunhado pelo sociólogo canadense Herbert Marshall McLuhan para explicar a ideia de que o avanço tecnológico tende a encurtar distâncias, recriando no planeta a situação social que ocorre em uma aldeia.

Pelos meios eletrônicos, as pessoas se reconectam em um mundo globalizado.

Segundo McLuhan, as mídias de massa, fruto da evolução das Tecnologias da Informação e da Comunicação, interligaram o mundo, estreitando suas relações econômicas, políticas e sociais.

Também a Carta Apostólica do Sumo Pontífice São João Paulo II, “O RÁPIDO DESENVOLVIMENTO”, utiliza esse termo da aldeia global.

A Igreja sempre afirma que não estamos mais numa época de mudança, mas numa mudança “epocal”, ou seja, numa mudança de época.

Não se trata mais de numa era de mudança, mas mudança de era.

Há uma novo paradigma, ditado pelo mundo digital, numa cibercultura, orquestrado pela Inteligência Artificial.

Os meios de comunicação social alcançam tamanha importância que são para muitos o principal instrumento de informação e formação, de guia e inspiração dos comportamentos individuais, familiares e sociais.

A mais de vinte e cinco anos depois da promulgação do Decreto do Concilio Vaticano II sobre as comunicações sociais Inter mirifica, e dois decênios após a Instrução pastoral Communio et progressio, o Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais desejou refletir sobre as consequências pastorais desta nova situação.

Fá-lo no espírito da conclusão de Communio et progressio: «O Povo de Deus caminha na história...

Olha com confiança... para o futuro e para as promessas que uma idade espacial de comunicações lhe pode oferecer»." Pe.

Gerson Schmidt* – Jornalista, mestre em comunicação, sacerdote, pároco e munícipe da Barra do Ribeiro (RS) responsável último por sete comunidades locais católicas do município. ____________________________ [1] Cf.

João Paulo II, Exort.

Apost. pós-sinodal Christifideles laici (30 de Dezembro de 1988), 18, 24: AAS 81 (1989), 421-435; cf.

Pont.

Cons. para as Comunicações Sociais, Inst. past.

Aetatis novae (22 de Fevereiro de 1992), 10: AAS (1992), 454-455. [2] João Paulo II, Centesimus annus(nn. 12-23, AAS, LXIIII (1991), pp. 807-821. [3] n. 37, AAS, LXXXIII (1991), p.285.

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