Na homilia da missa celebrada no aeroporto de Bamenda, Camarões, Leão XIV chamou a atenção para os problemas que afetam o país, como "as numerosas formas de pobreza, que continuam a afetar inúmeras pessoas, a corrupção moral, social e política, ligada sobretudo à gestão da riqueza". E também para "o mal causado pelo exterior, por aqueles que, em nome do lucro, continuam a pôr as mãos no Continente Africano para o explorar e saquear".
Mariangela Jaguraba – Vatican News O Papa Leão XIV presidiu a missa pela paz e justiça, nesta quinta-feira (16/04), no aeroporto de Bamenda, Camarões, segunda etapa de sua viagem apostólica ao Continente Africano. "Venho até vós como peregrino da paz e da unidade", disse o Pontífice no início de sua homilia, manifestado sua alegria de estar ali visitando esta terra, partilhando o caminho, os esforços e esperanças desse povo. Exploração do Continente Africano "Irmãos e irmãs, são muitos os motivos e as situações que nos partem o coração e nos lançam na aflição", disse Leão XIV, recordando que "as esperanças num futuro de paz e reconciliação, em que cada um seja respeitado na sua dignidade e a cada um sejam garantidos os direitos necessários, são continuamente desvanecidas pelos muitos problemas que marcam esta belíssima terra". São eles: "Tudo isto corre o risco de nos fazer sentir impotentes e de enfraquecer a nossa confiança. No entanto, este é o momento para mudar, transformar a história deste país", sublinhou o Papa. "Hoje, não amanhã; agora, não no futuro! Chegou o momento de reconstruir, de recompor o mosaico da unidade, combinando as diversidades e as riquezas do país e do continente, de edificar uma sociedade onde reinem a paz e a reconciliação", ressaltou. Desafiar o mal, contruindo o bem De acordo com Leão XIV, "quando uma situação se consolida há muito tempo, o risco é o da resignação e da impotência, porque não esperamos nenhuma novidade". "Vemos isso no testemunho dos Apóstolos", disse ainda o Papa, ressaltando que "a coragem dos Apóstolos se torna consciência crítica, profecia, denúncia do mal, e este é o primeiro passo para mudar as coisas". Tornar-se construtor de paz e fraternidade O Pontífice sublinhou que "obedecer a Deus não é um ato de submissão que nos oprime ou anula a nossa liberdade; pelo contrário, a obediência a Deus torna-nos livres, porque significa confiar-lhe a nossa vida e deixar que seja a sua Palavra a inspirar a nossa maneira de pensar e de agir". "Irmãos e irmãs, o consolo para os corações despedaçados e a esperança na transformação da sociedade são possíveis se nos confiarmos a Deus e à sua Palavra. Devemos, porém, guardar sempre no coração e recordar o apelo do apóstolo Pedro: obedecer a Deus, mais que aos homens. Obedecer-lhe, porque só Ele é Deus", disse ainda o Papa. Deus nos torna pessoas novas De acordo com o Santo Padre, "isto nos convida a promover a inculturação do Evangelho e a vigiar com atenção, também sobre a nossa religiosidade, para não cairmos no engano de seguir aqueles caminhos que misturam a fé católica com outras crenças e tradições de caráter esotérico ou gnóstico, que, na realidade, têm frequentemente objetivos políticos e econômicos". "Só Deus liberta, só a sua Palavra abre caminhos de liberdade, só o seu Espírito nos torna pessoas novas, que podem mudar este país", sublinhou. Leão XIV concluiu, dizendo que acompanha o povo camaronês com sua "incessante oração", em particular, a Igreja ali presente, composta por "muitos sacerdotes, missionários, religiosos e leigos que trabalham para ser fonte de consolação e esperança". O Pontífice os encorajou a prosseguir neste caminho e os confiou "à intercessão de Maria Santíssima, Rainha dos Apóstolos e Mãe da Igreja".