A chegada do Papa Leão XIV a Montevidéu marca a história do país que depois de mais de 38 anos recebe novamente um Sucessor de Pedro.
Silvonei Jose – enviado a Montevidéu Nesta sexta-feira, 6 de novembro, teve início os três dias de encontros, celebrações e oração no Uruguai com a chegado do Papa Leão XIV.
Após um voo de mais de treze horas saindo de Roma, o Santo Padre pousou no Aeroporto Internacional de Carrasco, onde foi recebido pelo presidente da República, Yamandú Orsi, e por representantes da Igreja uruguaia.
Assim teve início uma visita apostólica que o levará também neste sábado a Paysandú e neste domingo a Florida.
Na Praça da Independência, no centro de Montevidéu, Leão XIV foi recebido novamente pelo presidente Orsi, pela vice-presidente Carolina Cosse e por outras autoridades nacionais, mas também por uma multidão de fiéis de todas as partes do mundo e de países vizinhos.
Presentes os ex-presidentes Julio María Sanguinetti, Luis Alberto Lacalle Herrera e Luis Lacalle Pou.
Braços abertos Nas suas palavras de boas-vindas ao Papa, o presidente Yamandú Orsi falou de convivência democrática, solidariedade e a construção do bem comum.
Ele destacou a capacidade do Uruguai de transformar suas diferenças em espaços de encontro e reconheceu a contribuição histórica da Igreja Católica para a sociedade, especialmente na educação, na assistência às pessoas vulneráveis e na defesa dos direitos humanos.
O presidente também convidou a nação a continuar trabalhando por uma sociedade que ofereça oportunidades às novas gerações, longe da polarização e do ressentimento. [ Photo Embed: Papa Leão no seu discurso] Discurso do Papa Em seu primeiro discurso no Uruguai, Leão XIV tomou como ponto de partida o monumento a José Gervasio Artigas, localizado no coração da Praça da Independência e que se encontrava à sua frente.
Através das cenas do Êxodo do Povo Oriental representadas em seus relevos, o Papa propôs percorrer diferentes aspectos da história uruguaia e encontrar neles lições para os desafios atuais.
O passeio pelos relevos do monumento também levou Leão XIV a deter-se diante da imagem de uma mulher com uma criança nos braços.
A partir dela, ele refletiu sobre a proteção da vida desde o seu início, o valor da família e a responsabilidade de criar condições que permitam acompanhar a criação e o desenvolvimento dos mais pequenos.
O Papa ressaltou que a família é o primeiro ambiente de acolhimento e aprendizagem, e que essa tarefa deve se estender por meio de uma educação que permita desenvolver capacidades, formar o julgamento pessoal e participar de forma responsável na sociedade.
Da mesma forma, destacou a importância do trabalho como espaço de realização humana e contribuição para a comunidade.
Nesse contexto, ele abordou os desafios apresentados pelas transformações tecnológicas e pela inteligência artificial.
Alertou para a necessidade de orientar esses avanços a serviço das pessoas, de modo que permitam ampliar suas oportunidades sem transformar os trabalhadores em elementos dispensáveis dos processos produtivos.
Um dos momentos mais marcantes de seu discurso foi dedicado à fragilidade humana.
A partir das figuras de uma idosa e de várias pessoas que se ajudam mutuamente durante a marcha representada no monumento, Leão XIV lembrou que pertencer a uma comunidade não depende da força, da autonomia ou da capacidade de contribuir economicamente.
O pontífice deteve-se especialmente na solidão, na angústia, na perda de esperança e na dolorosa realidade do suicídio.
Ele também fez referência à sua recente experiência com a doença, que o levou a valorizar especialmente os cuidados recebidos e a pensar naqueles que não dispõem de meios suficientes para ter acesso a um diagnóstico ou tratamento oportuno.
Nesse sentido, lembrou que a doença, a deficiência, a pobreza ou a perda de autonomia nunca diminuem a dignidade de uma pessoa.
Ao concluir, o Papa expressou seu desejo de que esses dias permitam fortalecer os laços que unem a sociedade uruguaia e renovar a confiança para enfrentar as dificuldades.
Um convite ao encontro que marcou o início de sua visita ao país. [ Photo Embed: Encontro com as autoridades] A chave de Montevidéu Após a cerimônia de boas-vindas, Leão XIV prosseguiu com suas atividades no centro da capital.
No Cabildo de Montevidéu, recebeu das mãos do prefeito Mario Bergara a chave da cidade, uma honraria protocolar que simboliza as boas-vindas da capital uruguaia ao Pontífice em sua qualidade de chefe de Estado da Cidade do Vaticano.
Depois o Santo Padre seguiu para a Catedral Metropolitana de Montevidéu, onde presidiu a celebração das Vésperas junto com bispos, padres, diáconos, religiosos, religiosas e seminaristas do país.
Na sua homilia o Papa convidou os "bispos de todo o mundo a promoverem em suas dioceses jornadas de oração e jejum pelo aumento das vocações ao sacerdócio e à vida consagrada". “Que as paróquias, as famílias e as comunidades religiosas se unam nesta súplica.
Que o exemplo desta terra inspire muitos outros a rezar com a mesma confiança!” O encontro constituiu um dos momentos centrais de comunhão entre Leão XIV e a Igreja uruguaia no início de sua visita apostólica.
Por trás de cada um dos grandes encontros que o Uruguai vive com Leão XIV, há muitas pessoas dispostas a servir.
Mais de 3.000 voluntários se uniram para colaborar durante a visita apostólica e são parte fundamental dos eventos em Montevidéu, Paysandú e Florida.