O tempo de Deus como visão que muda tudo - Vatican News via Acervo Católico

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O tempo de Deus como visão que muda tudo - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

"O tempo presente é também o tempo da presença de Deus. Mas Santo Agostinho nos alerta: o passado vive na memória, o futuro vive na expectativa, mas o único tempo onde Deus nos encontra é o presente. A Escritura insiste: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração” (Sl 95,7). O “hoje” é o tempo da graça. É o tempo da decisão. É o tempo da missão".

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano O "Tempo de Deus" (Kairós) é um conceito que se refere ao momento oportuno e perfeito para Seus propósitos, contrastando com o tempo humano (Chronos) medido por relógios, e significa que Deus age em Sua plenitude, revelando Sua graça e colocando tudo em ordem, o que exige fé, confiança e paciência, pois Ele trabalha além da nossa lógica e cronologia para um bem maior. Depois de "Para tudo há um tempo de Deus", Pe. Gerson Schmidt* nos propõe hoje "O tempo de Deus como visão que muda tudo":   "O jovem sacerdote Pe. Lucas Matheus Mendes, incardinado na Arquidiocese de Porto Alegre apontou algumas reflexões sobre o Tempo de Deus, que achamos bem oportuno refletir nas primeiras semanas do Ano Novo que acabamos de começar. Porque o tempo não é a passagem apenas de dias, meses e anos, mas o tempo se torna lugar de atuação de Deus. Diz assim Pe. Lucas Mendes: “Porque, quando falamos de tempo, falamos do espaço onde Deus escolheu encontrar o ser humano. O tempo é o lugar da revelação, da salvação, da encarnação, da resposta humana. A Bíblia não começa dizendo “No início Deus criou o espaço”, mas: “No princípio, Deus criou o céu e a terra” (Gn 1,1). O princípio não é apenas um ponto cronológico. É o início de uma história de amor, que se desenrola no tempo. Precisamos aprender a olhar o tempo com os olhos da fé”. O pregador e locutor da Rádio Aliança de Porto Alegre, no RS, aprofunda a temática com a ajuda de Santo Agostinho de Hipona. “Há um mistério do tempo em Santo Agostinho. No Livro XI das Confissões, Agostinho ousa perguntar aquilo que todos vivemos, mas poucos refletem: ‘Que é, pois, o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; se quero explicá-lo a quem me pergunta, já não sei. Mas digo com segurança que sei isto: se nada passasse, não haveria tempo passado; se nada viesse, não haveria tempo futuro; se nada existisse, não haveria tempo presente’ (Confissões, XI, 14, 17). Agostinho percebe algo decisivo: o tempo não é apenas algo que corre fora de nós, mas algo que acontece dentro de nós, diante de Deus. Por isso, Mendes afirma algo profundamente espiritual: “Não existem três tempos: passado, presente e futuro. O que existe são três modos do tempo na alma: o presente do passado, que é a memória; o presente do presente, que é a atenção; o presente do futuro, que é a expectativa” (Confissões, XI, 20, 26). Segundo Pe. Lucas, essa visão muda tudo. “Porque, se o tempo habita a alma, então Deus entra na história entrando no coração humano. É assim que somos convidados a olhar para qualquer tempo comemorativo, como memória habitada por Deus, como presença atravessada por Deus, como esperança sustentada por Deus”. O passado deve ser visto como memória agradecida da fidelidade de Deus. “Na Bíblia, lembrar não é um exercício sentimental. Lembrar é ato de fé. Deus pede constantemente ao seu povo: “Lembra-te de todo o caminho pelo qual o Senhor teu Deus te conduziu” (Dt 8,2). Israel não podia esquecer, porque esquecer significava perder a identidade espiritual”. Da mesma forma, a história de cada um de nós, não é apenas um arquivo de datas e eventos. Ela é memória viva da ação de Deus. “Santo Agostinho fala da memória como um espaço quase infinito: “Grande é o poder da memória, excessivamente grande, ó meu Deus! É um vasto e ilimitado santuário. Quem lhe chegou ao fundo? E, no entanto, ela é uma faculdade da minha alma, pertence à minha natureza” (Confissões, X, 8, 15) Tudo o que foi vivido em nossa história anos não se perdeu. Está guardado na memória de Deus e na memória da Igreja. Por isso podemos repetir com o salmista: “Bendize, ó minha alma, o Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios” (Sl 103,2). A memória agradecida purifica o presente e prepara o futuro. O tempo presente é também o tempo da presença de Deus. Mas Santo Agostinho nos alerta: o passado vive na memória, o futuro vive na expectativa, mas o único tempo onde Deus nos encontra é o presente. A Escritura insiste: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração” (Sl 95,7). O “hoje” é o tempo da graça. É o tempo da decisão. É o tempo da missão. Mendes lembra que São João Paulo II, ao iniciar o terceiro milênio, escreveu algo decisivo: “Não se trata de inventar um ‘novo programa’. O programa já existe: é o de sempre, recolhido no Evangelho e na Tradição viva. Ele centra-se, em última análise, no próprio Cristo, que devemos conhecer, amar e imitar.” (Novo Millennio Ineunte, n. 29). São João Paulo II convidou a Igreja a atravessar o limiar do novo milênio com confiança: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre. Ele é o centro do tempo e da história.” (Tertio Millennio Adveniente, n. 18) O presente exige fidelidade criativa. Exige escuta do Espírito. Exige coragem para continuar anunciando quando o mundo já não escuta facilmente. E Deus continua dizendo hoje, como disse a Moisés: “Eu estarei contigo” (Ex 3,12). Não é só o passado e o presente uma oportunidade do agir de Deus. O futuro: é uma esperança confiada nas mãos de Deus. Agostinho chama o futuro de expectativa. Mas não expectativa vazia — expectativa habitada pela promessa. “A esperança tem duas filhas belíssimas: a indignação e a coragem. A indignação para não aceitar as coisas como estão; a coragem para mudá-las.” (atribuição agostiniana presente na tradição espiritual).  O nosso futuro não se apoia apenas em estratégias, metas, propósitos ou tecnologias avançadas. “Nosso futuro se apoia na fidelidade de Deus, que nunca falha”. Diz assim o profeta Jeremias: “Eu bem conheço os desígnios que tenho para vós — oráculo do Senhor — desígnios de paz e não de aflição, para vos dar um futuro e uma esperança” (Jr 29,11). O autor e pregador diz que o tempo humano está aberto à eternidade. Tempo onde a memória se tornou gratidão. Tempo onde o presente se tornou missão. Tempo onde o futuro se tornou esperança. Que Santo Agostinho nos ensine a habitar o tempo com o coração em Deus. Que São João Paulo II nos inspire a avançar sem medo. Que esse ano novo, que despontou nos traga grandes expectativas de tornou o tempo criativo, inovador, cheio da graça e esperança que vem de Deus". *Padre Gerson Schmidt foi ordenado em 2 de janeiro de 1993, em Estrela (RS). Além da Filosofia e Teologia, também é graduado em Jornalismo e é Mestre em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS.

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