Oleshky, localizada na margem esquerda do rio Dnipro, na região de Kherson, é descrita como uma catástrofe humana e fome coletiva. A cidade está sob ocupação das forças russas desde o início da invasão em fevereiro de 2022 e foi gravemente devastada pelas inundações causadas pelo rompimento da barragem de Kakhovka em 2023.
Vatican News A Ucrânia realizou uma das mais complexas operações de assistência humanitária em Oleshky, cidade ocupada pelas forças russas na região de Kherson, no sul do país.
Segundo a Administração Militar Regional de Kherson, cerca de quatro toneladas de alimentos e medicamentos foram transportadas por drones pesados e lançadas em aproximadamente cem pontos da cidade.
Os pacotes foram baixados por cabos até os locais onde havia moradores à espera da ajuda.
A operação foi realizada em cooperação com diferentes unidades das forças ucranianas e com o apoio de voluntários que reuniram os produtos.
A administração regional informou que entregas desse tipo vêm sendo realizadas desde março, diante da impossibilidade de fazer chegar regularmente ajuda por terra. [ In Evidence ] A operação ocorre em uma cidade praticamente isolada e submetida a uma situação humanitária cada vez mais grave.
Oleshky localizada na margem esquerda do rio Dnipro, está sob ocupação russa desde fevereiro de 2022.
Sua população, que antes da invasão em grande escala era de cerca de 24 mil habitantes, caiu para aproximadamente 2 mil, segundo autoridades ucranianas; entre os que permanecem estão idosos, pessoas doentes ou impossibilitadas de fugir e crianças.
A ONU advertiu em junho que os civis das áreas ocupadas de Kherson enfrentam escassez de alimentos, falta de assistência médica e enormes dificuldades para deixar as cidades.
No caso de Oleshki e Hola Prystan, a missão de direitos humanos da ONU registrou pelo menos 29 civis mortos e 54 feridos em 2026.
A falta de alimentos é apenas uma dimensão de uma crise muito mais ampla.
Relatos de moradores que conseguiram escapar, reunidos pela Human Rights Watch, descrevem o colapso dos serviços básicos, com ausência de eletricidade e gás, grave escassez de medicamentos, funcionamento extremamente limitado dos serviços de saúde e dificuldades para obter água e combustível.
As minas terrestres e os ataques de drones tornaram perigosos tanto os deslocamentos dentro da cidade quanto as tentativas de evacuação.
A destruição da barragem de Kakhovka, em junho de 2023, agravou ainda mais as condições, afetando moradias, poços e sistemas de saneamento.
A Human Rights Watch afirma que não existe atualmente um sistema organizado de evacuação para idosos, pessoas com deficiência, feridos e doentes, enquanto o direito internacional humanitário determina que a população civil em território ocupado deve ter acesso a alimentos, cuidados médicos e outros bens essenciais.
A própria entrega por drones revela, portanto, a dimensão extraordinária do isolamento de Oleshky.
Segundo as autoridades regionais ucranianas, forças russas tentaram impedir as operações, inclusive derrubando drones que transportavam alimentos; há também denúncias de confisco de pacotes e detenções de moradores que recebem ajuda.
A ONU, contudo, ressalta que, em razão das condições de combate, não foi possível estabelecer a responsabilidade por todos os ataques individuais na região.
O Conselho da Europa advertiu em 25 de setembro que civis, inclusive crianças, enfrentavam dificuldades para obter alimentos, medicamentos, atendimento médico, água potável e eletricidade, com risco grave para suas vidas.
A operação ucraniana representa assim mais do que uma ação logística: é uma tentativa de manter uma população civil isolada conectada às condições mínimas de sobrevivência, enquanto a comunidade internacional é chamada a garantir acesso humanitário e a possibilidade de evacuação segura.