Ouvir, discernir e caminhar juntos: encontro fraterno de bispos da América do Norte

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Ouvir, discernir e caminhar juntos: encontro fraterno de bispos da América do Norte
Fonte: VATICANO

Representantes das Conferências Episcopais do México, Estados Unidos e Canadá estiveram reunidos para fortalecer a fraternidade, ouvir uns aos outros e discernir juntos caminhos de esperança diante dos desafios da migração, da evangelização e da defesa da dignidade humana.

Sebastián Sansón Ferrari - Vatican News A fraternidade episcopal, a escuta mútua e o desejo de responder juntos aos desafios do nosso tempo marcaram o encontro de bispos da América do Norte realizado na cidade mexicana de Cuernavaca, no estado de Morelos, de 30 de agosto a 4 de setembro.

Delegados das Conferências Episcopais do México, dos Estados Unidos e do Canadá se reuniram para estreitar laços e refletir sobre a missão da Igreja nos respectivos países.

A iniciativa surgiu do desejo de dom Ramón Castro Castro, bispo de Cuernavaca e presidente da Conferência do Episcopado Mexicano.

Ele explicou que a ideia surgiu após sua nomeação como presidente dos bispos: “surgiu por inspiração do Espírito Santo”, afirmou ele, relembrando o desejo de “aprofundar os laços com todas as conferências episcopais”, começando pelos países vizinhos.

A proposta encontrou, segundo ele, “uma repercussão extraordinária e uma disposição” por parte dos responsáveis pelos episcopados dos Estados Unidos e do Canadá.

Durante o encontro, os participantes alternaram a oração e a celebração da Eucaristia com momentos de reflexão, diálogo e convivência fraterna.

Após a cerimônia de abertura na Catedral de Cuernavaca, eles se aprofundaram nas realidades sociais e eclesiais do México, dos Estados Unidos e do Canadá, bem como na mobilidade humana, na migração e na tutela da dignidade humana.

O programa incluiu também momentos para discernir projetos comuns, visitas a locais de valor histórico e cultural, e um encontro com a Virgem de Guadalupe na Basílica, expressão da dimensão espiritual que acompanha o caminho de comunhão.

O objetivo do encontro foi, antes de tudo, conhecer-se e confraternizar.

Mas também discernir juntos “o que Deus quer” para as Igrejas dos três países e explorar a possibilidade de consolidar uma maior fraternidade regional para enfrentar problemas comuns.

Uma mesma fé diante de realidades diversas O México, os Estados Unidos e o Canadá apresentam contextos sociais, culturais e eclesiais diferentes.

No entanto, dom Castro destacou o que une os pastores: “a mesma fé, o mesmo batismo e o mesmo ministério”.

Entre os temas que ocuparam um lugar central nas conversas estava a migração.

Trata-se de uma realidade que interpela os três países a partir de perspectivas complementares: locais de origem, trânsito e destino. “Como podemos, juntos, enxergar essa realidade e encontrar maneiras de ajudar os mais pobres, os mais necessitados, os mais vulneráveis?”, questionou o presidente do episcopado mexicano.

O bispo expressou convicção de que o encontro permitiu abrir caminhos de colaboração. “Acredito que o Espírito Santo soprou; realmente nos fez enxergar caminhos nos quais podemos trabalhar juntos”, afirmou. [ Photo Embed: Os bispos durante o encontro] Um encontro para ouvir uns aos outros Daniel Flores, bispo de Brownsville, no Texas, e vice-presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, destacou sobre a oportunidade de conversar e compreender melhor o contexto da proclamação do Evangelho em cada um dos três países.

O desejo, acrescentou ele, é que essa experiência possa continuar no futuro, fortalecendo “um forte senso de comunhão” e cooperação diante de questões comuns.

Entre as preocupações, ele mencionou as vocações, a evangelização e os desafios relacionados à justiça social.

A defesa da dignidade humana também ocupou um espaço importante nas conversas, particularmente em relação aos migrantes e às pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade. “A Igreja sempre tem um lugar, uma voz para se manifestar, mas também um trabalho a ser feito”, afirmou dom Flores, ressaltando a necessidade de acompanhar e apoiar concretamente aqueles que passam por situações difíceis.

As conversas também abordaram os desafios que o atual desenvolvimento tecnológico apresenta e o impacto na vida das pessoas e da sociedade.

Nesse contexto, dom Flores evocou as reflexões do Papa Leão sobre a proteção da dignidade humana, especialmente a dos mais vulneráveis.

O encontro, além das sessões de trabalho, ofereceu espaços informais para o diálogo e o conhecimento mútuo.

As conversas à mesa permitiram, segundo o bispo de Brownsville, aproximar-se mais da realidade da Igreja no México. “Aprendi muito.

Foi uma grande experiência ouvir as preocupações de nossos irmãos bispos no restante da América do Norte”, afirmou. [ Photo Embed: Registro do encontro dos bispos da América do Norte] A mobilidade humana, um desafio compartilhado A dimensão histórica do encontro também foi destacada por dom Pierre Goudreault, bispo de Sainte-Anne-de-la-Pocatière, em Quebec, e presidente da Conferência dos Bispos Católicos do Canadá.

O prelado canadense observou que se trata de uma experiência inédita desse tipo na história das três Conferências Episcopais.

O encontro permitiu “desenvolver laços de fraternidade, de escuta mútua e de reflexão” sobre a missão das Igrejas locais, explicou ele.

Um dos principais temas de interesse comum foi justamente “todo o fenômeno da mobilidade humana, a migração”.

Dom Goudreault lembrou que numerosos migrantes percorrem o continente, atravessando o México e seguindo depois para os Estados Unidos ou o Canadá.

Essa mobilidade gera múltiplos desafios.

Para os bispos, destacou ele, é fundamental refletir sobre eles para acompanhar melhor aqueles que vivem essa realidade.

O olhar da Igreja deve atender tanto à dimensão humana quanto à espiritual dos migrantes, com o objetivo de se aproximar mais deles e oferecer-lhes um apoio concreto.

Evangelizar, acompanhar e defender a dignidade humana Ao se referir aos horizontes da Igreja nos Estados Unidos, dom Flores indicou que as prioridades incluem a evangelização, a promoção das vocações e o acompanhamento às comunidades migrantes. “Abrir nossos corações” para apoiar aqueles que se encontram em condições de maior vulnerabilidade é parte essencial dessa missão, afirmou.

O bispo ressaltou que a ação da Igreja é uma expressão de sua fé e que a diversidade de contextos constitui uma riqueza quando as Igrejas podem compartilhar suas experiências de evangelização, catequese, pastoral vocacional e promoção da justiça social.

Para a Igreja no Canadá, dom Goudreault destacou alguns desafios específicos.

Entre eles, o desenvolvimento de uma estratégia nacional para o diálogo ecumênico e a reflexão sobre as questões levantadas pela Inteligência Artificial.

O presidente do episcopado canadense expressou o desejo de promover a formação dos fiéis para discernir os usos de uma tecnologia que “veio para ficar”, mas que deve permanecer “a serviço do ser humano”.

Ele também destacou a continuidade do caminho de cura e reconciliação com os povos indígenas do Canadá — Primeiras Nações, inuítes e métis —, um processo iniciado há vários anos e que ainda requer compromisso e proximidade.

No que diz respeito à migração, ele lembrou a criação de um serviço nacional para migrantes e refugiados, destinado a fortalecer a Pastoral da Mobilidade Humana por meio de uma rede de responsáveis diocesanos, da formação e do intercâmbio de boas práticas. “Somos de Cristo e Cristo é de Deus” Para dom Castro Castro, o horizonte da Igreja é marcado pelo magistério e pelo caminho da sinodalidade. “Ouvir uns aos outros, discernir juntos, rezar juntos nos permite ouvir a voz de Deus”, afirmou.

Esse caminho comum, acrescentou, permite descobrir a direção na qual as Conferências Episcopais e seus pastores devem avançar.

Na reflexão final, o presidente do episcopado mexicano lembrou que ninguém é dono da Igreja. “Nem mesmo uma Conferência Episcopal; nem o México, nem os Estados Unidos, nem qualquer país é dono da Igreja”, afirmou: “todos devemos lembrar, como diz São Paulo, que somos de Cristo e Cristo é de Deus”.

Cristo, insistiu ele, é “o único Bom Pastor”.

Os bispos são chamados a se reconhecerem como instrumentos de Deus para a consolidação do seu Reino.

Em uma época que dom Castro descreveu como uma “crise antropológica” e uma “mudança de época”, o desafio consiste em responder ao chamado de consolidar um Reino “de paz, de justiça, de amor, de vida e de solidariedade”.

Esse desejo de responder juntos, a partir da comunhão e da fraternidade, foi um dos sinais deixados por este primeiro encontro entre representantes dos episcopados do México, dos Estados Unidos e do Canadá.

As diferenças entre os três países não desaparecem, mas a experiência compartilhada destacou uma convicção comum: a fé, o batismo e a missão pastoral convidam a caminhar juntos, ouvir a voz de Deus e buscar respostas comuns diante dos desafios que afetam os povos da América do Norte.

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