Padre Eduardo Catalfo, C.Ss.R, reitor do Santuário de Aparecida, destaca a importância do acolhimento no santuário, que recebe mais de 400 bispos como peregrinos. Dom Mário Antônio será o novo arcebispo de Aparecida, assumindo em um momento significativo, após a saída de Dom Orlando, que teve um episcopado de quase dez anos.
Silvonei José – Vatican News – Aparecida Padre Eduardo, mais uma vez o nosso muito obrigado pela acolhida para com a Rádio Vaticano, Vatican News, e também a oportunidade de estar junto com vocês aqui em Aparecida. Padre Eduardo, o senhor é aquele que monta, vamos dizer, toda essa recepção, toda a estrutura logística para receber mais de 400 bispos. Como foi esse trabalho? É um trabalho de equipe Silvonei, e a nossa saudação muito especial para você, para os seus ouvintes. Esse trabalho de equipe é marcado principalmente pelo desejo do Santuário de acolher sempre. No Brasil e no mundo, os santuários são tendas de encontro e de missão, mas o acolhimento é de fato a virtude, a palavra fundamental do Santuário. E os bispos se sentem aqui como romeiros, como peregrinos. Essa é a característica bonita da Assembleia dos Bispos. Não é simplesmente uma reunião qualquer. Não é simplesmente uma reunião de estudos, mas é também uma peregrinação. Os bispos se sentem peregrinos, se sentem na casa de Nossa Senhora, na Casa da Mãe, como nós gostamos de dizer. Qual é a maior dificuldade para fazer toda a logística de um evento como esse? Eu vou contar um segredo para você. A nossa parte, a parte do Santuário, o trabalho do Santuário, é a mais fácil. A parte difícil é a parte da própria presidência da CNBB, que tem que, de fato, organizar pauta, temas. A nossa parte significa, sobretudo, o trabalho cuidadoso de infraestrutura, para que as coisas funcionem bem, para que os ambientes sejam, de fato, bem preparados, e que possa ser vivido também esse tempo de encontro, de estudo, de oração. No Santuário Nacional nós temos sempre a missa diária na Casa da Mãe Aparecida, e eu diria que esse é o ponto mais bonito do nosso trabalho e do nosso acolhimento. Simboliza a peregrinação, a presença dos bispos na Casa de Nossa Senhora. Nós teremos um novo arcebispo aqui em Aparecida. Já dom Orlando se despede e chega dom Mário. Como é que é essa mudança? Uma feliz coincidência, Silvonei. A Assembleia acontece às vésperas da posse do sexto arcebispo de Aparecida. E dom Mário Antônio chega com muita alegria. É visível a alegria que ele demonstra. A alegria de assumir esse ministério bonito. Mas a nossa alegria também é de reconhecer o trabalho, o episcopado fértil de Dom Orlando, que durante esses quase dez anos significou para todos nós, redentoristas, e para todos nós, devotos de Nossa Senhora, uma presença sempre muito carinhosa, muito acessível. Eu diria que a característica mais bonita de Dom Orlando é a sua simplicidade. É o modo como ele nos acolhe, nos acolhe e nos lidera com o coração de Pai. Dom Mário chega numa perspectiva curiosamente muito diferente. Dom Mário é o arcebispo mais novo que Aparecida já teve. São vários anos desde que a Arquidiocese foi criada, em 1958, e Dom Mário é o arcebispo mais jovem que assume a Arquidiocese. E isso é muito interessante, por quê? Porque certamente, ele vem com muito fôlego, com saúde, com coragem, com força de trabalho. Então, eu diria assim, nós estamos preparados para trabalhar muito com ele. Aumentaram os números dos romeiros em Aparecida? Desde a época da pandemia, nós ainda vivemos um tempo de reestruturação e de recomposição dos nossos números. Para você ter ideia, nós ainda não atingimos os números que tínhamos no período da pré-pandemia. Nós estávamos em torno de 12 milhões, mas neste ano, no ano de 2025, nós tivemos a grata surpresa de ter um aumento exponencial. Nós tivemos quase um milhão e meio a mais de peregrinos, também por causa do Ano Santo, mas também por conta dessa recomposição do hábito do devoto brasileiro de visitar a casa de Nossa Senhora. São cada vez mais diversificados os nossos romeiros? Os reitores mais antigos aqui do Santuário gostam de dizer que o perfil do Romeiro muda muito. E eu vou te dar um exemplo muito curioso. É impressionante, que sobretudo nas últimas décadas, tem aumentado muito o número de romeiros, o grupo de Romeiros que vem, por exemplo, a pé ou de bicicleta. E eu acho bonito porque muitos desses que vêm a pé ou de bicicleta, eles estão em um no ambiente de uma vida mais saudável, e não necessariamente de uma motivação de fé mais evidente, mas, ainda assim, essa geração mais nova, mais saudável, encontra na peregrinação uma experiência bonita de fé. Encontram aqui o amor, a ternura, a graça de Nossa Senhora. Os romeiros, sobretudo das últimas décadas assumem um perfil diferente, um perfil novo, e o santuário tem que se preparar para isso também, para acolher esses novos grupos que vêm visitar Nossa Senhora.