O depoimento do padre Gabriel Romanelli, pároco da Igreja da Sagrada Família na Cidade de Gaza, no Encontro de Rimini, na Itália. No encontro, intitulado “Amar a Terra Santa”, também participou o padre Francesco Ielpo, Custódio da Terra Santa. “Gaza está devastada. A catástrofe não desapareceu de forma alguma. Aqui é uma luta diária”, afirma Romanelli na conexão por vídeo que reproduzimos aqui do YouTube.
Vatican News “A realidade deste pedaço da Terra Santa que é a Faixa de Gaza é terrível.
Nem sequer se pode dizer que seja uma situação pós-catástrofe, porque a catástrofe desapareceu da mídia, mas aqui ela não desapareceu de forma alguma.” O padre Gabriel Romanelli, pároco da cidade de Gaza, relata a situação por videoconferência com o Meeting de Rimini, na Itália.
A ajuda não chega e a emergência piora “A situação — explica ele — continua dramática.
Os bombardeios não são mais tão intensos como antes, mas há ataques até mesmo no centro da cidade.
E a maioria dos cidadãos, todos, 2 milhões e 300 mil pessoas, precisam absolutamente de tudo.
Gaza está devastada.
É como um tsunami que destrói tudo e, depois, ninguém vai em socorro das populações atingidas. Em Gaza, a ajuda não chegou e a emergência continua piorando a cada dia.
Quando se está em situação de emergência, é preciso uma resposta imediata.
A cada dia que essa resposta demora, a emergência se agrava.
É isso que estamos vivendo”.
A luta diária pela água potável “A maior parte da população — continua o padre Gabriel — vive em barracas ou nas ruas.
O solo é arenoso e está misturado com água de esgoto.
A maioria das pessoas nem sequer tem uma pequena fonte de energia.
E ainda é preciso lutar pela água; é uma luta diária.
Continuamos tentando fazer o nosso melhor.
Distribuímos água potável para mais de 400 famílias.
Nossa igreja foi construída sobre uma fonte ou uma cisterna de água; bombeamos essa água a um preço altíssimo, pois cada litro de diesel para o gerador custa 10 euros.
E isso não se deve ao problema do Estreito de Ormuz, mas sim à guerra”.
A última palavra não é a cruz O padre Gabriel conta que, apesar de tudo, eles também brincam com a água não potável “e todos riem; até os adultos, e até eu e as freiras aproveitamos para tomar um banho.
Parece uma loucura, mas a tristeza se vence com a alegria, e a alegria do Evangelho nos é dada por Jesus.
A última palavra não é a Cruz.
A Cruz é uma palavra necessária, mas a palavra definitiva é a Ressurreição.
E nós devemos vivenciar esse mistério pascal na vida cotidiana”. [ Video Embed: Vídeo em italiano] Vamos ficar aqui, não vamos abandonar nosso povo Quanto à decisão de permanecer em Gaza, apesar da guerra, o pároco disse: “ficar era a resposta natural, tanto espiritual quanto humanamente.
Não é um desafio político.
O pastor deve permanecer com seu rebanho.
Assim, eu, como pároco, sacerdote e missionário, e da mesma forma os outros padres e as outras religiosas, percebemos que a resposta era permanecer próximos das pessoas; não podíamos abandonar as pessoas com deficiência, as crianças, as famílias e tantos outros que continuam a depender da nossa presença.
Além disso, estamos aqui por Jesus Cristo, para preservar a presença eucarística, Jesus Cristo fisicamente presente na Eucaristia e espiritualmente presente em cada fiel.
Engolir as lágrimas é o dever de quem ama; assim é a vida neste vale de lágrimas”.
Chega de guerra!
A paz é possível O padre Gabriel tem palavras de esperança, apesar de tudo.
Diante das crescentes polarizações e da espiral, não apenas de fatos, mas também de palavras e princípios violentos em toda a região, ele ressalta que “a presença cristã, que é a presença de Cristo, deve ser diferente.
Estamos convencidos de que a paz é possível e que a paz justa é necessária.
Portanto, uma das maneiras de ajudar a comunidade palestina e a israelense é semear a paz, falar de justiça e convencer o mundo de que ‘Chega!
Chega!’, porque é terrível ver vítimas inocentes de um lado e do outro.
E tudo isso na Terra Santa, onde viveu Deus encarnado”.