Por ocasião do centenário do Ordinariado Militar para a Itália o Papa Leão XIV, em seu discurso, recordou aos presentes a importância da formação, da vocação, do ser instrumentos de unidade, reiterando que “a paz não é apenas ausência de conflito, mas plenitude de justiça, de verdade e de amor”. O encontro foi realizado neste sábado (07/03) no Vaticano.
Vatican News Na manhã deste sábado (07/03), o Papa Leão XIV recebeu no Vaticano os membros do Ordinariado Militar para a Itália por ocasião do seu Centenário. O Pontífice iniciou seu discurso recordando palavras que orientam o caminho do Ordinariado: “Inter Arma Caritas: levar Cristo às veias da humanidade, renovando e partilhando a missão apostólica, olhando para o amanhã com serenidade, fazendo escolhas corajosas”, um evento disse ainda “que guarda memória, atualidade e profecia”. Memória, celebração de Deus na história “Vivemos em uma sociedade que corre o risco de perder o sentido da memória”, advertiu o Papa, “a nossa época possui uma capacidade extraordinária de transmitir informações, mas uma capacidade cada vez mais fraca de interiorizá-las”. Esclarecendo que para a Igreja, ao contrário, a memória “é consciência viva: não acúmulo de dados, mas constante apelo à responsabilidade; não nostalgia, mas raiz que gera profecia”. Enquanto que “para os cristãos a memória tem um caráter único: é celebração de Deus que entra na história, porque a fé cristã se fundamenta em um fato histórico e a salvação não é uma ideia, mas a pessoa viva do Senhor Jesus Cristo”. Leão XIV destacou em seguida que o “Centenário do Ordinariado Militar para a Itália insere-se nesta lógica, como memória encarnada de uma história concreta, feita de homens e mulheres de farda que, em caminhada na Igreja, sustentados e acompanhados por seus Pastores, nos dias luminosos de paz e nos dramáticos da guerra, com sacrifício, coragem e dedicação, contribuíram para o crescimento desta sociedade, por vezes à custa da própria vida”. Formação e instrumento de unidade “A ação do Capelão Militar”, explicou o Papa, “desenvolve-se frequentemente no silêncio, em locais de paz e aqueles de conflito, em instalações militares”, evidenciado neste sentido a importância dos contextos formativos: “lugares nos quais se moldam as consciências”. Recordou ainda que “o Capelão se coloca também a serviço do diálogo entre os povos, as culturas e as religiões, testemunhando uma Igreja que se faz instrumento de unidade”. Contribuindo deste modo para a promoção do bem comum e da paz social, fruto de um paciente trabalho artesanal, que requer formação, justiça e caridade. Uma vocação, resposta a um chamado que interpela a consciência “Os homens”, continuou o Papa, “enquanto pecadores, estão e estarão sempre sob a ameaça da guerra até a vinda de Cristo; mas, na medida em que conseguem, unidos no amor, vencer o pecado, eles vencem também a violência”, e nesse horizonte situa-se a missão do militar cristão. “Defender os fracos, tutelar a convivência pacífica, intervir em calamidades, atuar em missões internacionais para guardar a paz e restabelecer a ordem”. Porém, tudo isso não pode reduzir-se a mera profissão: “é uma vocação, resposta a um chamado que interpela a consciência. A identidade do militar é forjada por generosidade, espírito de serviço, altas aspirações e sentimentos profundos”. Tendo sempre presente que, “tais valores exigem um fundamento, um dom da Graça capaz de alimentar a caridade até a dedicação total de si. É necessário, portanto, inspirar com a seiva do Evangelho os códigos, as normas e as missões da vida militar para que, no serviço à segurança e à paz, o bem comum dos povos esteja sempre em primeiro lugar”. O Evangelho da paz Por fim, o Papa Leão disse aos presentes que para a promoção do Evangelho da Paz, “o Ordinariado Militar para a Itália, através da cura espiritual, quer ser um laboratório eficaz da ação de Deus em favor do homem, um espaço de formação para a passagem do amor sui ao amor Dei, fundamento daquela Civitas Dei na qual a lei fundamental é a caridade”, e “onde a paz não é apenas ausência de conflito, mas plenitude de justiça, de verdade e de amor”. Nesta perspectiva, o Papa Leão encorajou-os a prosseguirem na realização dos projetos voltados a promover uma reflexão interdisciplinar sobre os desafios do mundo atual, sobre a inculturação da fé, sobre a relação entre Evangelho, cultura, ciências e novas tecnologias.