"Fico surpreso com o número de pessoas que retomam o caminho da fé", diz Leão XIV, unindo-se ao sentimento compartilhado pelo arcebispo de Paris no encontro com catecúmenos e neófitos neste sábado (26/09). O Papa descreve o fenômeno como "paradoxal" em uma sociedade como a francesa de "cultura fortemente secularizada". Mas não basta se alegrar com os dados, "devemos nos comprometer e empreender ações pastorais concretas", encarnar o "estado de iniciação" para evitar o vazio pós-batismal.
Andressa Collet - Vatican News O Papa encontrou os membros da Assembleia Sinodal Provincial, os catecúmenos e os neófitos na manhã deste sábado (26/09), segundo dia de viagem apostólica na França.
Leão se reuniu com eles para entender ainda mais sobre o fenômeno que tem marcado o país com o forte crescimento do número de adultos e jovens que se preparam para receber o Batismo e daqueles que se converteram recentemente, mesmo em uma sociedade bastante secularizada.
Segundo o núncio apostólico Celestino Migliore, o Pontífice já havia manifestado encontrar esses jovens catecúmenos e neófitos no país, depois de já ter recebido mais de 500 franceses em 2025, no Jubileu dos Jovens em Roma, que pediam para ser batizados. [ Audio Embed Ouça e compartilhe] O fênomeno de redescoberta da fé na França Dom Laurent Ulrich, arcebispo de Paris, foi o primeiro a se pronunciar no encontro realizado no Instituto Católico de Paris, fundado em 1875 no antigo convento dos Carmelitas.
De fato, recordou o purpurado, no local viveu o Frei Lorenzo da Ressureição através do qual Leão XIV "encontrou um rico caminho espiritual".
No mesmo espaço, porém, foram registradas violências revolucionárias com vítimas que tornaram beatos, além do renascimento da Ordem Dominicana com uma escola de Teologia até surgiu o instituto que é hoje.
Em discurso, o arcebispo também lembrou que em 15 dias deve começar a Assembleia Eclesial Provincial justamente sobre o tema dos catecúmenos e neófitos.
Os trabalhos foram iniciados com uma ampla consulta com a participação de 45 mil pessoas reunidas em 4 mil grupos.
A renovada demanda pelos Sacramentos da Iniciação Cristã, disse dom Ulrich, "nos surpreende e nela discernimos a obra do Senhor".
Leão XIV recebeu o resultado desse trabalho em mãos e depois ouviu três testemunhos: do catecúmeno Jaoide, da diocese de Nanterre, que falou sobre a importância do acolhimento a quem busca pelos Sacramentos; da neófita Marielle, da diocese de Créteil, que foi batizada no ano passado e compartilhou os desafios para encontrar o próprio lugar dentro da comunidade; e, por fim, da acompanhante dos catecúmenos da diocese de Évry, Sophie, que enalteceu a alegria da missão que realiza. [ Photo Embed: O Papa encontrou os membros da Assembleia Sinodal Provincial, os catecúmenos e os neófitos na manhã deste sábado (26/09),.] Jaoide, de origens africanas do Magreb, disse que a sua caminhada rumo ao Batismo foi solitária, em meio à timidez e à discriminação, após se questionar sobre o sentido da vida e a existência de Deus.
Com a leitura de livros sagrados, ele contou que ficou impressionado com a história de vida de Jesus no Novo Testamento.
Já Marielle, contou que não recebeu educação religiosa quando criança, mas sempre acreditou em Deus.
O despertar para o Batismo veio com o nascimento da filha e a formação católica recebida através do escotismo.
Marielle recebeu os três Sacramenos no ano passado e alimentou "o fogo da fé" com atividades da própria paróquia.
Já Sophie, há 10 anos responsável pelo catecumenato, compartilhou com o Papa, que veio a descobrir que os pedidos de Batismo não vêm somente "de pessoas perdidas e ansiosas", como ela imaginava, mas por quem "tem sede de Cristo".
O acolhimento é recíproco, finalizou ela, "somos companheiros de caminho" para reconhecer o mistério de Deus.
Não basta se surpreender, mas agir concretamente "Ao ouvir os testemunhos de Jaodie, Marielle e Sophie, sinto, antes de mais, uma grande gratidão pela imprevisível obra de Deus.
Tal como vocês e juntamente vocês, fico surpreso com o número de pessoas que retomam o caminho da fé e com a quantidade de adultos que solicitam os Sacramentos da Iniciação Cristã", observou o Papa.
Parece "paradoxal" esse fênomeno de abraçar a fé em uma sociedade como a francesa, "marcada por uma cultura fortemente secularizada".
Por isso e em pleno instituto que "há séculos contribui para formar mentes e corações a serviço do Evangelho", Leão XIV refletiu em discurso sobre as perspectivas pastorais para melhor acolher catecúmenos e neófitos.
Não basta se surpreender com análises estatísticas e sociológicas sobre as pessoas que redescobriram a proximidade a Deus, alertou o Pontífice, ao acrescentar: [ O maravilhar-se perante o que está acontecendo com muitos dos nossos irmãos e irmãs não deve nos fechar numa alegre ingenuidade; pelo contrário, devemos nos comprometer, procurar, questionar e empreender ações pastorais concretas.
É esse o espírito que anima a Assembleia Sinodal de vocês e, de um modo mais geral, o caminho da Igreja em França: maravilhados com a imprevisível obra de Deus, o que devemos fazer e para onde nos impele o Espírito a fim de acompanhar os catecúmenos, os neófitos e os que recomeçam? ] Para evitar vazio pós-batismal, encarnar o "estado de iniciação" Os bispos franceses, recordou o Papa, já haviam sugerido anos atrás "a encarnar uma Igreja em 'estado de iniciação', que se preocupa com o percurso dos catecúmenos, dos neófitos e dos que recomeçam, oferecendo-lhes, ao longo do tempo, um acompanhamento sólido e constante".
Um acolhimento, recordou o Papa, que respeite a história de cada um, integrando nas comunidades, oferecendo formação sobre a fé cristão, inclusive para evitar o que Marielle descreveu como "vazio pós-batismal": "Queridos irmãos e irmãs, estar em 'estado de iniciação' significa acolher as novas pessoas que procuram Deus, vendo nisso uma oportunidade e uma missão: a oportunidade reside no fato de que, graças a elas, também a comunidade dos fiéis renova o seu caminho de fé e experimenta a alegria do Evangelho de modo renovado.
A missão, neste contexto, consiste em cuidar delas e servir de guia, mesmo depois de terem recebido os sacramentos." [ Photo Embed: Papa leão XIV] Formação para acompanhar nos caminhos da fé cristã Iniciar na vida litúrgica da Igreja também faz parte do mesmo caminho de conversão.
Uma atenção pastoral radicada nos ensinamentos do Concílio Vaticano II, observou o Papa, não pode ser considerada como uma realidade "posterior" à catequese.
Para essa missão, "o papel dos formadores é essencial", preparando padrinhos e madrinhas da comunidade, especialmente formados para iniciar os neófitos.
Leão XIV então recomendou se aprofundar ao Ritual da Iniciação Cristã de Adultos, além de recordar os testemunhos do início do encontro: "Ouvimos há pouco: há quem chegue com uma simples sede espiritual, uma busca de sentido e uma atração pelo Evangelho, enquanto outros estão marcados por experiências dolorosas, situações de solidão e feridas profundas.
É aí que o estilo da proximidade, da compaixão e da ternura ganha todo o seu sentido: é preciso encontrar um sábio equilíbrio para os acolher, escutar e, ao mesmo tempo, encorajar a enfrentar os exigentes desafios da fé.
Trata-se de um caminho em que é necessário respeitar o ritmo do outro, avançando progressivamente, com atenção e num acompanhamento fraterno.
Trata-se de adotar o estilo do 'caminhar juntos'.
Nos caminhos da fé cristã, enriquecemo-nos mutuamente e crescemos juntos: sacerdotes e leigos, padrinhos e catecúmenos, animadores pastorais e neófitos." O Papa finalizou o discurso no Instituto Católico de Paris, oferecendo a imagem de um dos catecúmenos mais famosos da história, Santo Agostinho, para se inspirar: "ao olhar para vocês, queridos catecúmenos e neófitos, vejo não só o fruto do Espírito que os colocou neste caminho, mas também uma promessa de fecundidade para a Igreja na França.
Sejam também vocês missionários do Evangelho nesta sociedade!".