Para quem gosta de símbolos, nesta viagem histórica do Papa à Argélia, há um em particular: o céu coberto e chuva intensa durante toda a visita e o sol, que à sua partida esta manhã, brilhava sobre o país.
Dulce Araujo - Em Argel É a luz e a esperança que Leão XIV, como irmão e mensageiro de paz, veio trazer para encorajar os argelinos a ultrapassar as diversas feridas do passado e a perdoar do fundo do coração, a se reconciliar, única via para a libertação total e para o desenvolvimento integral. Também à pequena minoria cristã-católica neste país de religião islâmica, Leão XIV convidou à humildade e fidelidade a Cristo, a ser incenso que perfuma sem dar nas vistas, a empreender a via da renovação com pés firmes na tradição dos que amaram este país, a humanidade, a Igreja. E Santo Agostinho, nascido na Argélia, onde foi Bispo de Hipona, hoje Annaba, por mais de 30 anos, entre os séculos IV e V, é certamente um deles. Nas suas pegadas, Prevost foi também a Annaba, onde, aos três agostinianos que lá se ocupam da Basílica de Santo Agostinho - fazendo dele um lugar de encontro e diálogo – exprimiu, através do quadro da Última Ceia que lhes ofereceu, algo que lhe está muito a peito. Comunhão e unidade na Igreja. Leão IV deu também atenção a realidades socio-religiosas mediante a visita a dois Centros: o de acolhimento e amizade das Agostinianas Missionárias no Bairro popular, Bab El Oued, que assiste mulheres e crianças. A vossa presença é necessária – disse às irmãs, nesse lugar que recorda também os mártires católicos dos anos 90, duas das quais religiosas que ali viviam. O outro Centro foi o de idosos em Annaba, onde as Pequenas Irmãs dos Pobres que hospedam 40 idosos, viram na sua visita um encorajamento e valorização dessa atividade. A visita de Leão XIV, que ele próprio interpretou com um dom de Deus a toda a Igreja, através dum Papa agostininan, é a coroação de um sonho para os católicos deste país, considerou o arcebispo de Argel, Dom Jean-Paul Vesco, muito satisfeito. Uma satisfação e alegria que transparecia nos cânticos, nos rostos dos fiéis tanto no encontro na Basílica de Nossa Senhora de África em Argel, como na Basílica de Santo Agostinho em Annaba. O rosto multicolor da Igreja no país, e em que sobressaem os africanos da região subsaariana tanto a nível de eclesiásticos como de fiéis. É uma África, missionária de si mesma, com expressão significa aqui na Argélia, onde esta visita para eles tem grande valor, enquanto cristãos que rezam entre muçulmanos. Esperam que a visita do Papa traga maior abertura e colaboração entre todos. De forma geral, a visita foi vista também pela sociedade argelina como uma mensagem forte de fraternidade, lia-se num dos jornais em francês, El Moujahid, que cita a Liga dos Oulemas, Pregadors e Imãs do Sahel, para a qual a visita do Papa é uma expressão de tolerância que eleva a Humanidade. Também o Presidente do Alto Conselho Islâmico, Mabrouk El Keir, põe em realce a dimensão humanitária da visita, ou seja, a ter em conta os vulneráveis e a justiça social. O país, as autoridades fizeram um esforço grande para que a visita corresse da melhor forma e desse a imagem do abraço da Argélia e este Papa que veio como um irmão. Fica, portanto, no conjunto, uma luz para um mundo melhor, para todos, Deus ama a todos – disse o Papa em Annaba, vendo nos lugares por onde passou, sinais de esperança não obstante as injustiças. Virar para ele e renovar não com contrato social, mas com o código da caridade que vem de Deus e tudo pode mudar.