Uma tarde rica de encontros socio-religiosos a abraçar realidades humanas diferentes, mas orientadas para uma vida espiritual que se traduz em gestos de fraternidade, solidariedade, harmonia e amizade. Foi este o denominador comum da visita de Leão XIV à Grande Mesquita de Argel, ao Centro de Acolhimento e Amizade das Agostinianas e, por fim, o encontro com a comunidade argelina na Basílica Nossa Senhora da África.
Dulce Araújo - Argel A Basílica de Nossa Senhora de África mostrou na tarde deste dia 13 de abril de 2026 como um mundo unido no amor a Deus e aos irmãos é possível. Os testemunhos da religiosa de Notre-Dame du Lac Bam na Diocese argelina de Laghouat (Ghardaïa), da jovem, Rakel Anzere, de Emmanuel-Ali e de Monia Zergane, pessoas de religiões e atividades diferentes, explicaram com palavras emocionantes e profundas como, em colaboração, enfrentam as questões quotidianas, mesmo pequenas, mas que tornam a vida mais humana e mais leve para todos. Num encontro animado por cânticos, o último dos quais cristão-muçulmano, composto para esta ocasião, e sob a bela cúpula da Basílica, dirigiram-se ao Santo Padre que as escutou com interesse. Depois ouviram as palavras do Pontífice a toda a assembleia reunida nesse lugar de conforto e espiritualidade para todos quantos, duma religião ou doutra, para ali se dirigem à procura do Altíssimo por intermedio de Nossa Senhora. Antes deste último encontro que encerrou a primeira jornada do Papa na Argélia, Leão XIV havia visitado a Grande Mesquita de Argel, onde se deteve em reflexão silenciosa. Seguiu-se uma troca de dons e de reflexões com o Reitor da Mesquita. Prevost assinou também o livro de honra deixando esta mensagem: "Que a misericórdia do Altíssimo mantenha na paz e na liberdade o nobre povo argelino e toda a família humana". Um outro encontro muito esperado foi a tão esperada visita ao Centro de Acolhimento e Amizade, gerido pelas missionárias agostinianas que prestam serviço de promoção humana a mulheres e criança do bairro popular Bab El Oued. Um Centro que evoca o martírio de duas agostinianas nos anos 90, altura em que, para além delas, outros 15 membros da Igreja foram vítimas do conflito que ensanguentou o país. "A vossa presença aqui significa muito", disse-lhes Leão XIV, encorajando-as a seguir em frente. Prevost recordou, na conversa com elas que a solenidade dos 19 mártires católicos da Argélia cai no dia 8 de maio, dia da sua eleição. Também se encontraram com Leão XIV no centro das religiosas dez das mulheres que frequentam o local para atividades sociais e de desenvolvimento humano. Juntamente com as religiosas, deram ao Papa de presente um pequeno Rosário com a medalha representando as duas Irmãs assassinadas, Esther e Caridade, espanholas. Deram-lhe ainda uma estola, com o emblema agostiniano – o livro e o coração trespassado por uma flecha que representa a experiência da conversão de Santo Agostinho – de um lado e do outro a escrita em árabe “Deus é amor”, para sublinhar a mensagem de fraternidade que Leão XIV que Leão XIV quis trazer à Argélia.