Papa Francisco: uma presença que permanece viva para sempre - Vatican News via Acervo Católico

  • Home
  • -
  • Notícias
  • -
  • Papa Francisco: uma presença que permanece viva para sempre - Vatican News via Acervo Católico
Papa Francisco: uma presença que permanece viva para sempre - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Parece que foi ontem, tão vivos permanecem os ensinamentos de Papa Francisco. E, no entanto, já se passou um ano desde sua partida.

Theresinha Acco escritora, membro da APAL-Academia Palmense de Letras, e do CLFB- Centro de Letras de Francisco Beltrão. Diocese de Palmas e Francisco Beltrão-Paraná-Brasil. Recordar o Papa Francisco é permanecer conectado à sua mensagem viva, feita de misericórdia, de cuidado com os pequenos, de coragem diante das dores do mundo. É deixar que suas palavras ainda ecoem, como sementes lançadas no coração, capazes de florescer mesmo após o silêncio de sua ausência. Porque há presenças que não se despedem: transformam-se em luz. E assim segue o Papa Francisco, distanciando-se no tempo, mas próximo naquilo que ensinou, eterno naquilo que despertou em nós. A Última Oração Papa Francisco não precisou de palcos, nem de púlpitos para apresentar ao   mundo o maior e mais notável Personagem de toda a História: Jesus Cristo! Dispensou tapetes vermelhos, luzes brilhantes e todo o glamour clássico que habitualmente acompanham figuras de destaque. Não precisou de cenários grandiosos, ou de multidões ensaiadas para ser reconhecido. Sua grandeza não ecoava no barulho, mas no silêncio eloquente de quem serve sem esperar aplausos. Papa Francisco construiu seu palco no chão das favelas e no oco vazio das prisões, onde o tempo parece correr mais devagar e as vidas parecem vagar sem rumo. Nas vielas esquecidas, das periferias do mundo, ensinou o caminho da igreja, e nele imprimiu marcas de santidade. Deixou a lição de que o verdadeiro pastor é aquele que se faz próximo, percorre pelos prados e penhascos, e vai ao encontro. Que escuta, que dialoga, que se doa sem medo, e que acredita na força do amor que vem de Jesus Cristo. Insiste, que os alicerces da fé estão fundados no Evangelho. Ergueu seu altar nos becos estreitos, nos corredores ocultos por onde passam, invisíveis, rostos anônimos- esquecidos pelos mapas e à margem dos grandes centros urbanos. Cada gesto de solidariedade, cada palavra de esperança, cada olhar de compaixão transfigurou esses espaços comuns em verdadeiros santuários de acolhimento, dignidade e esperança. Nesse contexto, continua a nos convidar a refletir sobre o que realmente importa: a dignidade, a docilidade e o amor que transformam vidas. Preferiu sujar as sandálias na poeira dos caminhos, escutar os silêncios gritantes dos que não têm voz e abraçar as dores que tantos preferem ignorar..., a refugiar-se nas comodidades do poder ou nas aparências da religião Deixou também como herança para a humanidade, um protocolo sobre a Fraternidade humana em prol da paz e da convivência comum. Selando-o com o espírito da esperança e da fé! O Papa que convidou o mundo para “olhar para o alto, a confiar no Espírito Santo, a navegar em mar aberto, mesmo correndo o risco de naufragar”, deixou evidente que a verdadeira transfiguração está na humildade, na coragem de estar presente onde a dor é mais aguda, e na disposição de ouvir e acolher. Ele nos ensina que o amor ao próximo se manifesta na ação concreta, na solidariedade silenciosa e na disposição de caminhar junto daqueles que mais precisam. Dispensou também o beijo do anel, e, ao fazê-lo ofereceu a ternura e a amabilidade disponíveis em seu abraço. A doçura do encontro sem barreiras, a beleza de um amor que não exige joelhos dobrados, mas ofereceu ombros para sustentar os cansaços da alma, e das feridas que sangram.  Sua verdadeira grandeza nasce silenciosa, num cantinho escondido do seu coração, e ali se aninha na simplicidade, na capacidade de enxergar a dignidade oculta nos rostos mais esquecidos. Um ser humano que soube permanecer próximo, dos distanciados de fé, de paz, de amor, de lar e de pão. Apóstolo do diálogo, deslocou-se, foi ao encontro dos povos, comprometido com os desafios do mundo contemporâneo. O Papa das relações sociáveis. Vestiu-se de humanidade ao transitar por todos os cantos do mundo. Abriu espaço para todas as sensibilidades, todos os credos e matizes. Seu báculo, foi usado como bússola sempre a apontar para frente e para o alto. Desceu ao chão para que ninguém precisasse olhar para cima e sentir-se pequeno. Sua música era o silêncio que acolhe. Sua coroa era a marca da poeira dos caminhos. E sua luz, a chama mansa de quem sabe amar sem precisar ser visto. Ele nos convida a sonhar, a caminhar sem medo, de mãos dadas com Jesus Cristo. E, sobremaneira nos ensina, que independentemente de onde estejamos, podemos ser instrumentos de esperança, a que não decepciona. Um grande Pastor! Uma experiência ímpar! Uma presença de Deus que tocou e continuará a tocar o coração de todos nós. Sua catequese, o maior legado humano, a apontar para o divino, para a salvação, está disponível, para homens e mulheres. Convite recorrente e incansável “Não se esqueçam de rezar por mim”. Via a centralidade na oração. Sentia comoção pelo Senhor pregado na cruz. No dia 20, de abril, de 2025, domingo de Páscoa, da sacada da Basílica de São Pedro o último adeus, eternizou a última Urbi et Orbi: A Última Oração. Revoar Entre a Paz e o Silêncio Logo após o velório do Papa Francisco, por volta das 19 horas, do dia 25 de abril de 2025, numa quinta-feira em Roma, o céu do Vaticano foi tomado por uma cena que parecia ter sido escrita nas páginas do Gênesis: uma revoada de aves brancas, voavam aflitas, em zigue-zague e em espirais, como se procurassem entre o céu e a terra um espaço para pousar sua saudade.  Debatiam-se. Batiam suas asas. Murmuravam alto, como que rezassem.  E, entre os ventos, pareciam sussurrar homenagem de gratidão e despedida ao Papa:- “obrigado Papa por você não calar a voz diante da indiferença ambiental, e escrever com palavras firmes e ternas a “Laudato Si”e “Laudate Deum”, dedicadas à grande família humana- cartas gravadas com letras de afeto, que falam de esperança, de cuidado, conversão e de comunhão. Obrigado Papa Francisco por ensinar aos humanos que nossas árvores são nossas casas, nossos abrigos, ali fazemos o berço para nossos filhos, ninhos que brotam vidas e preparam para o voo. Obrigado Papa por ter feito do Vosso coração a morada para envolver e albergar nossos filhotes.  Na proteção do seu amor, acolheu nossos irmãos da floresta e suas crianças. Somente sob a proteção do seu amor, a fumaça não sufoca. O fogo não queima, a avidez não tomba a nossas florestas, não destrói nossas asas, não derruba nossas moradas, não transforma em cinzas nossos sonhos. E, nossas fontes de água viva não secam. As estruturas invisíveis, sustentadas por tua ternura, resistem a tudo o que ameaça. O mundo tem sede, de homens que não matem as nossas fontes, que não destruam nossos sonhos. Precisamos de ar limpo, para que nós pássaros, presente de Deus para a natureza, possamos continuar a brilhar na azul paz dos altos céus.” . Quando o céu se tornava púrpura, tingindo o horizonte com tons suaves e misteriosos, as aves, como pequenas sombras se dispersavam lentamente, se espalharam entre as torres e cúpulas do Vaticano. A noite caiu sobre Roma, mas não era uma noite comum Era uma noite diferente, carregada de uma beleza silenciosa e quase sagrada. Não era apenas a ausência do sol que marcava esse momento, mas também o peso doce de um silêncio profundo que se deitava sobre as praças vazias, os vitrais que refletiam a pouca luz, as colunas antigas. As imagens engessadas de santos e de mártires. O Vaticano, tantas vezes efervescente de vozes, luzes e passos, agora respirava devagar, como quem vela uma alma. As luzes da Basílica de São Pedro permaneciam acesas, douradas e tímidas, como velas acesas no coração do mundo. Do lado de fora, fiéis ainda permaneciam ajoelhados. Alguns cantavam suavemente salmos, outros apenas choravam em silêncio. Havia uma dignidade no choro. Não era um pranto de fim, mas de gratidão. A cidade parecia ter recuado alguns séculos, como se voltasse a ser aldeia. Cada rua guardava ecos do dia: os sinos, os passos, as palavras ditas em voz baixa. Era como se toda a Roma tivesse virado claustro. Nas janelas dos apartamentos próximos, velas acesas tremeluziam. No céu, uma última estrela pareceu piscar acima da cúpula de São Pedro. E quem olhasse com atenção talvez visse nela um sorriso, ou uma lágrima. Porque, naquela noite, Roma inteira parecia orar. E o mundo todo, abraçado pelo mesmo laço branco-paz, repousava sob um mesmo sentimento: O Papa partiu, mas deixou uma luz acesa na alma do mundo, como cidade sobre o monte, que não pode ser escondida, iluminando todos os povos.

Ajude a manter o site no ar

Uma pequena doação garante que esse conteúdo continue disponível

Donate

Siga-nos

Acervo Católico

© 2024 - 2026 Acervo Católico. Todos os direitos reservados.